APÓS TRÊS ANOS NEGATIVOS

Estado deve ter saldo de 500 novas lojas em 2018

Apenas em fevereiro deste ano, o Ceará apresentou saldo positivo de 103 empresas, diz a CNC

01:00 · 14.03.2018 por Hugo Renan do Nascimento - Repórter
Estabelecimentos especializados em informática e comunicação foram os que mais cresceram, em números absolutos, em novos negócios em todo o País. Em seguida, aparece o segmento de farmácias, perfumarias e cosméticos

O Ceará deve apresentar saldo positivo de 500 aberturas líquidas de estabelecimentos em 2018 após três anos seguidos de resultados negativos. O número é referente à diferença entre aberturas e fechamentos de lojas do varejo. A previsão é do economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fabio Bentes. Segundo levantamento da Junta Comercial do Ceará (Jucec), em fevereiro deste ano, o Estado apresentou saldo positivo de 103 empresas, com a criação de 820 negócios e encerramento de 717.

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"A gente percebe que o Estado do Ceará largou na frente em relação à recuperação no número de estabelecimentos. Pela série história, o Estado teve saldo negativo desde 2015, com menos 1.337 lojas. Em 2016, no auge da crise no varejo, o Ceará teve saldo negativo de 2.387. Já em 2017, foram menos 859. Isso aponta para uma leve recuperação", explica.

De acordo com ele, todos os estados do País tiveram resultados muito ruins nas vendas. "Acontece que em alguns lugares a gente começou a computar uma reação. No Ceará, no ano passado, as vendas cresceram em torno de 2%". Bentes afirma que em 2016 o varejo cearense perdeu 5,7 mil postos de trabalho. "No ano passado, foram gerados no Estado 841 vagas no setor. As vendas começaram a reagir e isso impacta diretamente na contratação".

No Brasil, o economista diz que as vendas caíram cerca de 8,7% em 2016, pior resultado da série histórica. "Alguns reflexos são promover um ajuste no quadro de funcionários, o que incluiu o fechamento de 176 mil postos de trabalho naquele ano e o encerramento de 105 mil estabelecimentos comerciais em todo o País", acrescenta.

Já em 2017, pode-se perceber, segundo Bentes, que o varejo iniciou um processo de recuperação. "No ano passado, o País abriu 26 mil vagas de trabalho. A gente tem percebido uma queda acentuada no número de lojas fechadas no País. A gente deve reverter esse quadro em 2018".

O mesmo levantamento que prevê saldo positivo de abertura de lojas no Ceará neste ano aponta ainda que no Brasil a projeção considera a criação de 20,7 mil estabelecimentos em todo o País. A CNC espera também um crescimento de 5,1% no volume de vendas do varejo ao fim de 2018.

Contexto

O estudo da CNC mostra que, após três anos de queda, a geração de empregos no Brasil pode voltar a apresentar resultados positivos neste ano, mesmo com um histórico de resultados, incluindo 2017, que revele uma base comparativa ruim e um ritmo lento, mas gradual.

"No ano passado, o saldo entre aberturas e fechamentos de estabelecimentos comerciais ficou negativo em 19,3 mil unidades. Apesar da sequência negativa, o encerramento de estabelecimentos comerciais foi 82% menor do que em 2016, quando o setor eliminou 105,3 mil pontos de venda. O saldo negativo no número de lojas em 2017 foi 82% menor do que em 2016", segundo levantamento feito pela Confederação.

Ao longo de 2017, o comparativo com igual mês do ano anterior mostrou que as vendas começaram a reagir positivamente em abril (+0,5% ante abril de 2016) e aceleraram principalmente na segunda metade do ano. De julho a dezembro, por exemplo, o volume de vendas avançou 7,5% ante o mesmo período de 2016, contra um avanço médio de 0,3% na primeira metade do ano.

Com avanço de 4% no volume de vendas, o ano de 2017 pode ter marcado o início da recuperação do comércio, não apenas sob esse ponto de vista, mas também quanto ao nível de ocupação. Ao longo do ano passado, 26,5 mil vagas formais foram criadas, resultado que contrasta com os saldos negativos do auge da crise do setor: -175,2 mil em 2015 e -176,0 mil em 2016.

"A defasagem entre o comportamento das vendas e os investimentos em novos estabelecimentos comerciais não permitiu que o setor fechasse o ano no azul do ponto de vista do aumento do número de lojas", analisa o economista Fabio Bentes.

Segmentos

No Brasil, entre os segmentos, em 2017, os hiper e supermercados se destacaram negativamente em números absolutos (-5.692), seguidos pelas lojas de material de construção (-3.714) e lojas de utilidades domésticas e artigos de uso pessoal (-2.221). Vale salientar que a redução do ritmo de fechamentos de lojas ocorreu em todos os segmentos que acusaram saldos negativos em 2017.

Por outro lado, estabelecimentos especializados em itens de informática e comunicação (+21) e farmácias, perfumarias e cosméticos (+426) voltaram a registrar aberturas líquidas após quatro anos.

Jucec

De acordo com a Junta Comercial do Ceará (Jucec), nos dois primeiros meses deste ano o Ceará registrou a abertura de 1.688 empresas, contra 1.967 estabelecimentos no mesmo período de 2017, uma queda de 14,1%.

Entretanto, o fechamento de empresas no Estado recuou nos meses de janeiro e fevereiro em relação ao mesmo período de 2017. Enquanto que no ano passado foram encerradas 1.816, em 2018, foram 1.708, um declínio de 5,9%.

Após um ano de primeiros sinais de estabilização econômica, embora ainda com momentos complexos para o mercado, o saldo de novas empresas no Ceará encerrou o ano de 2017 positivo, com 1.704 negócios a mais que no ano anterior. Conforme os dados da Jucec, foram abertas 11.443 empresas no Estado durante o ano, 17,4% a mais ante 9.739 encerramentos.