Crise no governo

Temer, Aécio e Rocha Loures serão investigados em um mesmo inquérito no STF

Ministro Edson Fachin mandou a PGR apurar desvios com base nas delações dos irmãos Batista

12:52 · 19.05.2017 / atualizado às 14:55 por Estadão Conteúdo
temer
"Tem que manter isso, viu?", disse Temer sobre mesada paga a Eduardo Cunha

O presidente Michel Temer (PMDB), o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) e o deputado federal afastado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) serão investigados em conjunto, no mesmo inquérito no Supremo Tribunal Federal. O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, mandou a Procuradoria-Geral da República investigá-los com base nas delações dos irmãos Joesley e Wesley Batista, proprietários do grupo JBS. O inquérito, de número 4.483, tramitará sem segredo de Justiça.

A íntegra do pedido da PGR para abrir investigação contra o presidente ainda não está disponível, tampouco a decisão do ministro com a autorização. O que consta no sistema, neste momento, é a certidão de distribuição para o ministro Edson Fachin. 

O documento mostra que o processo foi direcionado especificamente a ele por haver eventual conexão com o inquérito que investiga uma suposta organização criminosa entre membros do PMDB no Senado Federal, base do inquérito 4.326.

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Delação

Em um dia cercado de expectativas em torno dos desdobramentos da crise política que abala o governo, o conteúdo da delação da JBS deve ser tornado público a qualquer momento, segundo apurou por volta das 12h desta sexta-feira, 19, o Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado.

O sigilo da delação já foi levantado pelo ministro do Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato.

Os pedidos de investigação feitos pela PGR e as decisões de Fachin serão divulgados. Ainda não se sabe se serão divulgados todos os termos de colaboração e todos os documentos apresentados pelos delatores ou se alguma parte não será fornecida. 

O STF divulgou nesta quinta-feira (18) o áudio da conversa entre Temer e o empresário Joesley Batista que embasa o acordo de delação premiada fechado pelo executivo com a Procuradoria-Geral da República (PGR) na Lava Jato. Uma cópia do áudio foi encaminhada ao Palácio do Planalto na tarde da quinta-feira e depois fornecida à imprensa.