Políticos cearenses

Delatores da JBS citam propina de R$ 20 milhões a Cid Gomes e de R$ 5 milhões a Eunício

Ex-governador do Ceará teria solicitado 'contribuição' para a campanha de 2014 em troca de abatimento em créditos de ICMS

Ex-governador do Ceará, Cid Gomes (PDT), e o atual presidente do Senado Federal, Eunício Oliveira (PMDB), foram apontados como receptores de propinas oriundas do grupo JBS ( Alex Costa-Arquivo (set/2013) )
15:51 · 19.05.2017 / atualizado às 18:15

Dando sequência à colaboração premiada que firmaram com a Procuradoria-Geral da República (PGR), executivos do grupo JBS citaram o ex-governador do Ceará, Cid Gomes (PDT), e o atual presidente do Senado Federal, Eunício Oliveira (PMDB), como receptores de propinas oriundas da empresa. Conforme a delação, os políticos cearenses receberam, respectivamente, R$ 20 milhões e R$ 5 milhões.

A acusação contra o ex-governador do Estado foi feita por Wesley Batista, empresário e um dos proprietários da JBS. Segundo o delator, em 2014, Cid Gomes foi pessoalmente ao escritório do grupo, em São Paulo, e solicitou uma 'contribuição' de R$ 20 milhões à campanha de 2014. Como o Estado devia mais de R$ 110 milhões à empresa em restituições de crédito do ICMS, o empresário teria respondido que a 'doação' seria difícil.

Alguns dias depois, porém, Cid teria enviado o deputado federal Antônio Balhmann (PROS-CE) e o atual secretário de Turismo do Estado, Arialdo Pinho, com uma proposta de abater os R$ 20 milhões soliciados no valor devido em restituições do ICMS, algo que foi aceito pelo empresário. Dessa forma, o Estado teria pago apenas R$ 90 milhões ao grupo JBS e ficou com os outros R$ 20 milhões para si, de acordo com a delação de Wesley Batista.

"R$ 9,8 milhões se referem à propina na forma de pagamento de notas emitidas contra a JBS sem contrapartida em prestação de serviços e os outros R$ 10,2 milhões se relacionam à propina dissimulada sob a forma de doação oficial”, diz o termo de colaboração premiada nº 15, feito pelo empresário Wesley Batista.

Em nota, Cid Gomes afirmou que repudia "referências em delação que atribuem a mim o recebimento de dinheiro. Nunca recebi um centavo da JBS. Todo o meu patrimônio, depois de 34 anos trabalhando, é de R$ 782 mil (IRPF2016), tendo sido duas vezes deputado, duas vezes prefeito e duas vezes governador".
 

Assista à delação em que cita Cid Gomes

Eunício

A acusação contra Eunício Oliveira, por sua vez, foi feita pelo diretor de relações institucionais da JBS, Ricardo Saud, o mesmo que realizou a entrega dos R$ 2 milhões solicitados por Aécio Neves. Segundo o delator, o atual presidente do Senado, derrotado por Camilo Santana nas eleições estaduais de 2014, teria recebido R$ 5 milhões pela atuação em uma Medida Provisória que disciplinava créditos de PIS/Cofins.

Em nota, Eunício Oliveira afirmou que os diálogos relatados pelo delator nunca aconteceram. "São mentirosos, como é possível constatar na prestação de contas do diretório nacional de PMDB ao TSE. No ano de 2013 não há doações ao partido conforme diz o delator, como é possível constatar nas prestações de contas do diretório nacional, que são públicas e podem ser verificadas nas declarações ao TSE.", destaca.

O senador completa ainda que não usa e nunca usou suas funções legislativas para favorecer empresas públicas ou privadas. "Como relator revisor, o senador recebeu representantes do setor sim, como é absolutamente normal em casos de relatoria", ressalta.

"As contribuições eleitorais do grupo JBS para a companha de 2014 aconteceram sim, e estão devidamente declaradas à justiça eleitoral na prestação de contas do candidato Eunício Oliveira", finaliza a nota.
 

Assista à delação em que cita Eunício Oliveira 

 

Íntegra do documento da PGR com delação que cita Cid Gomes

foto

Íntegra do documento da PGR com delação que cita Eunício foto

Íntegra do documento completo da PGR