Projeto fraudado

Lava-Jato mira presídios no Rio

O delegado Marcelo Martins, atual diretor-geral de Polícia Especializada, foi conduzido por policiais ao ser preso, na capital fluminense ( Foto: Ag. Estado )
00:00 · 14.03.2018

Rio de Janeiro. A força-tarefa da Operação Lava-Jato, no Rio, afirma que um projeto de ressocialização de presos do Sistema Penitenciário fluminense "foi usado como instrumento para o cometimento de crimes licitatórios e de lavagem de capitais". A Operação Pão Nosso, deflagrada ontem, prendeu sete investigados - dentre eles o ex-secretário de Administração Penitenciária César Rubens Monteiro de Carvalho (Governos Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão) e o diretor do Departamento Geral de Polícia Especializada do Rio, delegado Marcelo Luiz Santos Martins.

As investigações partiram de irregularidades no projeto Pão-Escola, cujo objetivo é a ressocialização dos presos.

A empresa Induspan, vinculada ao empresário Felipe Paiva, foi inicialmente contratada para executar o projeto, mas o contrato foi rescindido porque havia desequilíbrio financeiro.

O Estado fornecia insumos para a produção dos pães, os presos forneciam a mão de obra, com baixo custo para a empresa, que fornecia lanches para a Secretaria a preços acima do valor de mercado. O prejuízo causado soma R$ 23,4 milhões.

A PF informou que os investigados serão indiciados por corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Um efetivo de 120 policiais federais e servidores da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do Ministério Público Federal, do Rio, e da Receita foi às ruas para cumprir 14 mandados de prisão preventiva, dez mandados de prisão temporária e 28 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal. A ação ocorre nos municípios do Rio de Janeiro/RJ, Mangaratiba/RJ, Niterói/RJ, Duque de Caxias/RJ e Araras/SP. Os citados na Operação não se pronunciaram até o fechamento desta edição.