Ex-espião envenenado

Reino Unido pode retaliar a Rússia

Brigadistas, protegidos por macacões contra materiais perigosos, inspecionaram a praça de Salisbury, onde as vítimas do ataque químico desmaiaram ( Foto: AFP )
00:00 · 14.03.2018

Londres/Moscou. O governo britânico aumentou a pressão, ontem, sobre Moscou para que dê explicações sobre seu suposto envolvimento na tentativa de assassinato de um ex-espião russo em solo britânico, usando a arma química "Novichok".

Hoje, após nova reunião do Conselho Nacional de Segurança (NSC), a premiê britânica Theresa May comparecerá ao Parlamento e poderá revelar o pacote de medidas contra a Rússia.

Entre as possibilidades de Londres, estão a expulsão de diplomatas, o lançamento de um ciberataque ou a apreensão de bens dos membros do círculo de Vladimir Putin suspeitos de violação dos direitos humanos. Também pede-se o bloqueio das transmissões no Reino Unido da RT (a rede de televisão pública russa) ou o fechamento de sua sucursal em Londres, mas Moscou já avisou que, neste caso, responderia com a proibição ao trabalho de toda a mídia britânica na Rússia.

"É importante que se entenda a gravidade do ocorrido", disse o ministro das Relações Exteriores britânico, Boris Johnson. Trata-se "da primeira vez que se usam gases neurotóxicos na Europa desde a Segunda Guerra Mundial", acrescentou Johnson.

Considerado um traidor por ter vendido segredos de Moscou ao Reino Unido, Serguei Skripal, de 66 anos, foi encontrado em 4 de março em estado crítico junto com sua filha Yulia em um parque em Salisbury (sul da Inglaterra), onde vivia já anos. Um policial que tentou ajudá-los também se encontra em estado grave. Moscou insistiu, ontem, em sua inocência, atribuiu as acusações a uma tentativa de desprestígio e pediu a Londres amostras da substância usada.

A embaixada russa em Londres pediu uma "investigação conjunta", e advertiu que haverá uma resposta contundente caso Londres aplique algum tipo de sanção. E dirigindo-se à Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), o embaixador russo Alexander Shulgin criticou as autoridades britânicas por seus "ataques mesquinhos" a Moscou. Já May manteve consultas com seus aliados.

A Rússia deve dar "respostas inequívocas" ao ataque, exigiu o presidente Donald Trump após um telefonema a May. A chanceler alemã Angela Merkel declarou que considerava "muito sérias" as acusações britânicas, e o presidente francês Emmanuel Macron condenou o que classificou de "ataque inaceitável".

A crise entre Moscou e Londres pode se agravar após a morte de outro exiliado, Nikolái Glushkov, de 69 anos, que foi encontrado morto em seu domicílio em New Malden, subúrbio de Londres, informou a mídia.

Glushkov, cuja morte ainda não foi confirmada oficialmente, era próximo ao milionário Boris Berezovski, um inimigo do Kremlin, encontrado enforcado em 2013 no Reino Unido.