ética

Evento discute uso da internet por profissionais da saúde

As redes sociais e os dilemas éticos em possíveis exposição de prontuários de pacientes foram citados

O VI Seminário Internacional em Promoção de Saúde foi idealizado pelo Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Unifor ( Foto: Fabiane de Paula )
01:00 · 07.10.2017

Sem dúvida, a internet se tornou uma ferramenta útil para realizar diversas atividades do dia a dia. Contudo, as formas como os usuários a utilizam podem levar a discussões éticas, que atingem ainda o âmbito do trabalho. Os profissionais da saúde, por exemplo, precisam lidar com diversas situações capazes de expor pacientes que se encontram em vulnerabilidade. O tema foi um dos discutidos durante o VI Seminário Internacional em Promoção de Saúde, idealizado pelo Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade de Fortaleza (Unifor).

Segundo o palestrante Vencelau Pantoja, membro do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), diversas denúncias de violação ao Código de Ética da categoria chegam à ouvidoria da entidade todos os meses; em especial, casos de enfermeiros que vazam informações as quais se cobra sigilo profissional - como prontuários de pacientes.

"A intenção pode até ser boa, de pedir conselhos a um colega, mas não é uma conduta correta", afirma Pantoja. Dentre acontecimentos relacionados à ética profissional e ao uso de redes sociais, ele destaca o vazamento de uma tomografia e do estado de saúde da ex-primeira-dama Marisa Letícia, falecida em fevereiro último. De Fortaleza, menciona o caso da enfermeira que compartilhou, nas redes sociais, um vídeo do jogador Neymar chegando a um hospital, numa maca, após ter sofrido lesão na Copa do Mundo de 2014.

"O profissional tem que ter, nas redes sociais, a mesma postura do ambiente físico. Não adianta achar que não se está sendo observado porque não temos controle sobre a internet", diz. Como orientações, os profissionais de enfermagem devem seguir o Código de Ética e a Resolução nº 554/2017, do Cofen, que veda, dentre outros atos, a exposição de imagens que possam trazer consequências negativas aos pacientes e o oferecimento de consultorias por mídia social.

Durante os últimos três dias, o VI Seminário Internacional discutiu o tema "Promoção da Saúde e os Desafios para o Desenvolvimento Sustentável" com base nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, organizados pela Organização das Nações Unidas (ONU). Cerca de 600 pessoas participaram das atividades, que contaram com palestrantes da França, do Reino Unido, de Porto Rico e de Portugal.

Selo

Mirna Frota, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, avaliou o evento de forma positiva. Segundo ela, a expectativa é que a Unifor possa receber, em breve, a certificação de Universidade Promotora da Saúde, selo concedido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O coordenador da Rede Iberoamericana de Universidades Promotoras de Saúde, Hiram Acevedo Arroyo, destaca que as universidades desse perfil precisam desenvolver atividades que saiam das salas de aula e dos laboratórios de pesquisa. "A Unifor está trabalhando, nos últimos anos, com as redes internacionais de promoção da saúde de uma maneira importante. Felicitamos a Universidade por ter uma unidade em saúde coletiva a nível de mestrado e doutorado, que ajuda na formação de talentos e recursos humanos nesse campo. Ela já é parte da Rede e o selo é mais um compromisso firmado pela gerência acadêmica", destaca Arroyo.

Doe Sangue

Para subsidiar a promoção da saúde, conforme a professora Mirna Frota, a Pós em Saúde Coletiva já oferece projetos como o Doe Sangue, aplicativo que foca no envolvimento de pessoas para coletas de sangue; um aplicativo para monitorar denúncias de casos de bullying em escolas e prevenir a violência; e trabalhos de pesquisa relacionados à depressão infantil.

"São trabalhos tecnológicos, mas que sempre utilizam um olhar de humanização e cuidado com a saúde. Nós temos, hoje, várias ações que atendem à nossa futura participação no selo de Universidades Promotoras de Saúde. Em breve, vamos formalizar a submissão do selo. A nossa proposta é recebê-lo em 2018", espera Frota.