'por um mundo melhor'

Biblioteca como instrumento de fomento à cultura

As comemorações do Dia do Bibliotecário serviram para debater a função social dos profissionais

Apresentações musicais e a palestra, "Agenda 2030: Bibliotecas por um mundo melhor", foram realizadas no Theatro José de Alencar ( Foto: Yago Albuquerque )
01:00 · 13.03.2018

O Dia do Bibliotecário, celebrado ontem (12), é comemorado na mesma data do nascimento do bibliotecário, escritor e poeta pernambucano Manuel Bastos Tigre. Além dos festejos, a data serve como um rito para atualizar discursos e discutir o papel da profissão nos dias atuais. Em atividade realizada no Foyer do Theatro José de Alencar (TJA), o tema "Agenda 2030: Bibliotecas por um mundo melhor", ministrada pelo professor Luiz Tadeu Feitosa, da Universidade Federal do Ceará (UFC), trouxe a discussão sobre as bibliotecas como um instrumento de fomento ao desenvolvimento sustentável.

A Agenda 2030 representa um conjunto de programas, ações e diretrizes que orientam os trabalhos da Organização das Nações Unidas (ONU) e de seus países membros. Implementada em 2016, o documento propõe 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e 169 metas correspondentes, frutos do consenso obtido pelos delegados dos Estados-membros da ONU. Conforme a Federação Internacional das Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA, na sigla oficial), bibliotecas podem servir de apoio no plano por serem instituições públicas chave e terem um papel importante no desenvolvimento social.

Luiz Tadeu Feitosa explica que o atual momento é oportuno para retomar as discussões sobre a agenda no âmbito do entendimento conceitual, com o intuito de traçar metas e promover ações no uso das bibliotecas em geral (escolares, públicas, especializadas, universitárias, dentre outras). Para o professor, os empecilhos relacionados à difusão da cultura são decorrentes do descaso crônico a políticas públicas e que esta situação precisa ser revertida. "Por se tratar de uma instituição cultural, nós precisamos tratar de cultura no cotidiano. E as instituições mais ligadas nesse sentido são as bibliotecas comunitárias, pensadas, feitas e geridas pela comunidade. Não podemos falar da cultura como algo inatingível, mas sim o processo em que o homem coloca algo de bom onde antes imperava o nada", afirma.

Qualidade de vida

Instituições como a Federação Brasileira de Associação de Bibliotecários (Febab) acreditam que o crescente acesso à informação e ao conhecimento por meio das diversas tecnologias de informação (TICs) auxilia na qualidade de vida das pessoas.

Teresinha Vieira, ex-presidente da Associação dos Bibliotecários do Ceará, explica que a agenda vem sendo discutida no Ceará com maior ênfase desde o 27º Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação, realizado em julho último em Fortaleza. Entretanto, Teresinha explica que as deliberações e as ações devem ser contínuas e que envolvam pessoas de diversas áreas de atuação.

"Esse é um assunto que não se resolve de um dia para o outro. Isso demanda cultura, responsabilidade, compromisso de todos nós. A condição atual preocupa a gente, principalmente a pobreza, mas a biblioteca tem espaço para tratar dessas questões, através da leitura, que mostra como é importante a participação da sociedade em causas importantes", diz.

O evento contou com o apoio da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult), Theatro José de Alencar, Universidade Federal do Ceará (UFC), do escritor Alan Mendonça e do músico Edinho Vilas Boas, que realizaram sarau lítero-musical antes do evento. Também foram sorteadas assinaturas do Diário do Nordeste para os presentes.