Articulação

Debates abordam protagonismo feminino

00:00 · 13.03.2018
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A bailarina Wilemara Barros, uma das convidadas para a série de debates promovida dentro da programação especial "Bárbaras" ( Foto: ERIKA FONSECA )

A pernambucana Bárbara de Alencar, ainda adolescente, mudou-se para o Crato, região sul do Ceará. Conhecida como uma grande ativista política, chegou a ser presa e foi considerada heroína da Revolução Pernambucana e da Confederação do Equador.

Mãe de José Martiniano Pereira de Alencar e Tristão Gonçalves, e avó do escritor José de Alencar, Bárbara é a representação da importância da mulher na história cearense.

Seguindo as comemorações do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC) realiza ao longo do mês a programação especial "Bárbaras: Mulheres do Ceará" - que homenageia figuras femininas marcantes na história do Estado, até hoje referência em diferentes campos da cultura, dos movimentos sociais e da política. O evento traz debates, shows, exposições, espetáculo e exibições de filmes.

Hoje (13), as rodas de debates iniciam com o tema: "O Protagonismo feminino e a invisibilidade da mulher na História", com a participação de Maria Luiza, ex-prefeita de Fortaleza (1986-1989), e Irlys Barreira, pós-doutora na École des Hautes Études en Sciences Sociales (Paris) e no Instituto de Cências Sociais ICS da Universidade de Lisboa e pesquisadora de gênero e movimentos sociais.

"Com relação aos movimentos mais clássicos, de bairros, as mulheres tiveram papel de protagonismo de muito forte, justamente por esses movimentos tratarem de questões como educação e saúde. Foi um aumento de participação desde as décadas de 80 e 90", explica Irlys.

"Depois houve um aumento na participação em outras esferas, não só nos bairros, mas em grupos que trabalham o direito das mulheres, questão de gênero e grupos feministas, os mais clássicos, de ordem mundial", conclui Irlys.

A pesquisadora ainda comenta que os movimentos conhecidos por serem mais masculinizados, como os de luta por terra, estão com mulheres na liderança, mostrando uma mudança na representatividade.

A mediação do debate fica a cargo da socióloga, professora e pesquisadora Paula Vieira, doutoranda pela Universidade Federal do Ceará, com linha de pesquisa em política. O encontro é aberto ao público, sujeito a lotação do local, às 19h, no Auditório do Dragão.

Mulheres na política

Outro ponto a ser abordado na discussão é o papel da mulher na política. A Constituição Federal diz que homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações (artigo 5º), porém, com a pouca participação feminina na política, em 1997, surgiu a Lei das Eleições (Lei 9.504/1997), que estabelecia a cota mínima de 30% dos candidatos do sexo feminino.

Na última quarta-feira (7), véspera do Dia das Mulheres, o IBGE divulgou o relatório "Estatísticas de Gênero: Indicadores sociais das mulheres no Brasil". Em 2017, 10,5% dos assentos da câmara dos deputados eram ocupados por mulheres; no mundo, esse número é de 23,6%.

Na participação feminina em cargos ministeriais, esse número é menor ainda, com representação ínfima de 7,1%. Com dados colhidos no dia 13 de dezembro de 2017, dos 28 ministros de estado, apenas duas eram mulheres - uma do Ministério o dos Direitos Humanos; outra da Advocacia-Geral da União (que tem status de ministério).

No mesmo relatório um dos principais motivos para a mulher não se inserir no mercado é a carga horária. "Para a mulher assumir o Senado, por exemplo, ela tem que sair da sua cidade para morar em outro Estado, é muito complicado ", pontua Irlys. "A domesticidade complica muito. Não basta dizer: vai, você consegue. O problema está na divisão do trabalho social e não só na questão de igualdade de gênero", finaliza.

Programação

Na quinta-feira (15) o protagonismo da mulher na política segue no centro. Também às 19h, o Auditório do Dragão recebe a líder indígena Cacique Pequena e a ativista Karla Alves, do Pretas Simoa, Grupo de Mulheres Negras do Cariri.

O Pretas Simoa é pioneiro no Interior na luta das mulheres negras (e inclui uma mulher trans), nascido com o objetivo de "enegrecer o feminino e feminilizar o movimento negro". No debate, Karla também irá debater o protagonismo das mulheres nos movimentos sociais.

Cena artística

Nos dias 20 e 22 o tema será "Mulheres na produção de narrativas nas artes". Na terça (20), quem participa é a historiadora Adelaide Gonçalves e a escritora Socorro Acioli, com mediação da também escritora Isabel Ferreira Lima.

Na quinta (22), encerra a programação de debates Fran Teixeira, atriz e diretora do Grupo teatro Máquina, e Wilemara Barros, bailarina e coreógrafa. As duas conversam sobre a participação das mulheres nas artes.

Mais informações:

"Bárbaras: Mulheres do Ceará" - As mulheres que fazem nossa história". Hoje (13) e quinta-feira (15) e nos dias 20 e 22 de março, às 19h, no Auditório do Dragão do Mar (R. Dragão do Mar, 81, Praia de Iracema). Acesso gratuito. Contato: (85) 3488.8600