No Sertão, todos os dias, bebês seguem aos montes o duro caminho do útero para a cova rasa. A dor do parto dá passagem à da partida, maior e sem nome. Mães e pais tentam conviver com a presença da ausência, saudade do que não deu tempo de viver porque no meio do caminho havia outras ausências: de profissionais e infraestrutura hospitalar.

A cada sete horas, uma criança morre no Ceará antes de completar um mês de vida. Bem menos que 20 anos atrás, mas para quem testemunha o caminho do útero para a cova rasa, é uma dor sem nome, nem fim. No Sertão, mães e pais cortam a mortalha com os corações partidos. E cemitérios clandestinos são povoados por um mar de cruzes. Testemunhas finais do parto dos anjos.

Ganhei de tudo. Já estava tudo preparado. Tinha lavado, engomado tudinho. O médico disse que eu só perdi porque passou da hora. Foi a negligência.”
Maria Francedilza (Dilce)

Passei o meu resguardo com ele na UTI durante dois meses. Vem tudo na minha cabeça o que eu passei. Quero ter outro filho, mas tenho medo."
Judite Rodrigues

Antigamente, morria muita criança de diarreia. Eu fazia oração, pedia aos santos e dizia para dar o soro caseiro. Salvei muito bebezinho. Outros, não consegui."
Maria Odília

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