Nicolás Maduro chama Bolsonaro de "Hitler dos tempos modernos"

O presidente da Venezuela prometeu ainda castigar traidores com 'mão de ferro'

Escrito por Redação ,

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, voltou a condenar os líderes regionais que o criticam e chamou o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, de "Hitler dos tempos modernos". Na semana passada, ele já tinha chamado Bolsonaro de "fascista". 

"Lá temos o Brasil nas mãos de um fascista – Bolsonaro é um Hitler dos tempos modernos!”, disse Maduro em pronunciamento à nação. "Vamos deixar o tema Bolsonaro para o lindo povo do Brasil, que lutará e se encarregará dele".

Além da retórica agressiva, Maduro prometeu também resolver a crise que afeta a Venezuela desde o início de seu governo, em 2013. "Vou dar uma sacudida completa nas empresas estatais. Uma sacudida organizacional, política e econômica", prometeu. "Elas têm de estar a serviço do país, não da corrupção."

O líder bolivariano reconheceu que a corrupção é um dos principais problemas da Venezuela. "Há de se fazer uma retificação histórica da revolução bolivariana. Mas não vamos privatizar nada", afirmou. "Não sou ator, nem neoliberal, mas também não sou nenhum burro."

Em seu discurso, ele volto a utilizar retórica agressiva contra a oposição. "Castigaremos com mão de ferro a traição de funcionários públicos", disse Maduro ao comentar a ação de membros do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin), que no fim de semana prenderam o deputado opositor Juan Guaidó.

Em pronunciamento na Assembleia Constituinte - que desde 2017 assumiu a competência legislativa do Parlamento controlado pela oposição, Maduro afirmou que a prisão de Guaidó, no fim de semana, foi um "conluio" entre agentes do Sebin e dissidentes opositores para prejudicá-lo. 

"Que coincidência", ironizou Maduro. "Uma câmera que grava o exato momento em que o deputado foi detido. Muito estranho!" Ainda de acordo com ele, os agentes envolvidos já foram afastados. "É assim que vou atuar contra qualquer funcionário que traia seu dever."

É a segunda vez em poucos dias que Maduro responsabiliza a oposição por problemas de seu governo. No sábado, 12, o Hospital Universitário de Caracas ficou sem luz por várias horas e dois pacientes morreram. O presidente disse que o blecaute foi obra de "um ataque terrorista a mando da oposição". Especialistas do setor, no entanto, dizem que os apagões resultam da falta de investimento em infraestrutura no setor elétrico.