Realidade brasileira

Estreando na TV em "Passione", Carol Macedo tem sido bastante elogiada. Na novela, ela é Kelly, jovem que foge das tentativas da avó de levá-la à prostituição. Em entrevista ao Zoeira, a atriz afirmou que, para o papel, fez questão de conversar com meninas que vivenciam terrível drama

Enriquecimento. Essa é a palavra que, para a atriz Carol Macedo, define a fase atual de sua carreira. Ela não só estreia na TV, sonho batalhado por uma gama de novos talentos, como marca o tento em horário nobre e em uma novela do premiado autor Sílvio de Abreu.

Além disso, a sua primeira personagem televisiva, a Kelly, passa por um drama que tem exigido de Carol uma boa dose de carga dramática. A garota é chantageada pela avó Valentina, papel da veterana Daisy Lúcidi, a se prostituir para ajudar nas despesas de casa.

Carol tem sido bastante elogiada nas ruas pela interpretação da menina. "As pessoas admiram a Kelly e têm vontade de cuidar dela. O carinho e o reconhecimento do público são essenciais para o meu trabalho. Funcionam como um combustível para mim", diz.

Para o papel, a atriz considerou essencial fazer um trabalho de pesquisa apurado sobre o universo da prostituição infantil. "Estudei, pesquisei - principalmente na internet - e li muita coisa para entender melhor o universo de garotas como a Kelly. Já que ela mora no Tatuapé, fui conhecer as meninas que vivem na região e acompanhei o dia a dia delas de perto", detalha.

O interessante é que a visão que Carol tinha sobre o cotidiano das meninas de programa mudou, depois que as conheceu de perto. "Após ver o outro lado da vida dessas meninas e o tamanho do sofrimento que passam para sobreviver, comecei a olhá-las diferente. Essa é uma realidade terrível e acho essencial o público poder refletir sobre o assunto por meio da minha personagem", acredita.

Na novela, Kelly passa por muito sufoco quando a sua avó Valentina planeja encontros de homens - no geral bem mais velhos -, com a neta. A garota mora com a avó, a ama, sofre quando tem que dizer "não" a ela, mas resiste aos caprichos da senhora porque sabe que, se aceitar "fazer programa", vai se "auto-mutilar".

Nesse processo, quem a defende é a irmã Clara, por ironia a vilã, papel de Mariana Ximenes. É por Kelly que a antagonista demonstra afeto genuíno. Será que, esse quê de bondade é sinal de que Clara poderá ter o coração purificado ao longo da trama? Sobre o assunto, Carol é enfática: "de verdade, eu não sei. Isso depende da vontade do autor".

Trajetória

Apesar de ter apenas 17 anos (recém-completados no dia 31 de julho), a garota se mostra madura e decidida. Sobre a fase atual, não se considera sortuda e, sim, presenteada. "Eu estudei bastante, fiz vários testes e me dediquei durante anos à carreira. Tudo o que estou alcançando é resultado de muita dedicação".

Desde os sete anos, Carol trabalha alternando comerciais, fotos, desfiles e papéis no teatro. O investimento na carreira sempre recebeu o apoio da família. "Meus pais sempre me apoiaram, principalmente quando resolvi me tornar atriz".

Após a novela, a jovem pretende terminar o curso que começou na Escola de Atores Wolf Maya e investir em outros sonhos. "Quero voltar a fazer aula de violão, balé e cursar cinema".

TICIANA DE CASTRO
Repórter