Prêmios, só para quem não pára de ligar

CID, JACK, Gabriela e Maurício, do “Insomnia”, na RedeTV!: cem mil telefonemas por dia
CID, JACK, Gabriela e Maurício, do “Insomnia”, na RedeTV!: cem mil telefonemas por dia Divulgação
No “Insomnia”, da Rede TV!, o telespectador é incentivado a ligar para um número, responder a um quiz para acumular pontos e concorrer a uma bolada de até R$ 2 mil em barras de ouro. Mas é bom se preparar para quando a conta telefônica chegar no fim do mês

“Este é um modelo de interatividade via telefone, o call TV. A idéia é aproximar o consumidor do conteúdo”, explica Percival Palesel, um dos sócios brasileiros da Cellcast, empresa inglesa que produz o “Insomnia”. “Não é um caça-níquel. A empresa está presente em 22 países, tem ações na bolsa de valores de Londres e conta com auditoria”, acrescenta.

Em parceria com uma operadora, o programa recebe cem mil ligações por dia, já que é possível ligar o dia inteiro, e já distribuiu R$ 50 mil em prêmios. O pico é de madrugada, entre 1h e 2h, quando os apresentadores Jackeline Petkovic, Maurício Mendes, Cid Barros e Gabriela Serafim estão ao vivo.

Segundo Percival Palesel, o sistema é capaz de atender, simultaneamente, 4.500 telefonemas. O tempo médio das ligações varia de três a quatro minutos. Mas não há limite de tempo. Hoje, o programa tem um arquivo de quatro mil perguntas. Quem acumular mais pontos (a média é de 230) pode falar com os apresentadores e tentar o prêmio do dia.

Para fazer um teste, a reportagem respondeu as questões durante 15 minutos, somando 18 pontos. Um viciado em games pode ultrapassar esta marca, mas depois terá problemas na hora de pagar sua conta telefônica (a tarifa é de uma ligação de longa distância para celular).

“Para evitar fraudes e contas caras, nosso sistema inibe a participação depois da 40 ligação”, afirma Palesel. “Queremos que mais gente participe. Por isso, os pontos também são zerados diariamente”, complementa.

Às vezes, o problema não é o tempo que se passa falando, mas o que se perde tentando. Ligar para o concurso Alô Band é um exercício de paciência, porque a linha quase sempre está ocupada (paga-se uma ligação de celular para Belo Horizonte). Onze programas da Band, entre eles o “Boa noite, Brasil”, de Gilberto Barros, e o “De olho nas estrelas”, de Leão Lobo, utilizam esse modelo de interatividade, uma promoção para dar prêmios. Mas tem que responder a uma questão e ser sorteado.

“Após a chamada, pode ser que a linha dê ocupado. O primeiro minuto é o momento de pico. Mas no minuto seguinte a pessoa consegue ligar”, garante Luis Olivalves, responsável pela interatividade do Grupo Band. “É uma ferramenta de fidelização de audiência que satisfaz o espectador”, defende.

O “Pra valer”, de Claudete Troiano, é o campeão de telefonemas, com plataforma diferente do Alô Band. São 400 mil ligações por dia para a promoção “Lance mania”, em que o telespectador pode comprar um lote de produtos oferecendo o menor lance único.

Na Record, o “Tudo é possível”, de Eliana, paga R$ 1 mil para quem acertar qual das três sogras o candidato a namorado vai escolher no quadro “Saindo com a sogra”. Detalhe: o programa é gravado. A emissora esclarece que há uma central telefônica especialmente para esta promoção e uma pessoa da produção acompanha tudo. Após o sorteio, o nome do vencedor é repassado ao gerador de caracteres e aparece na tela assim que Eliana dá a deixa (gravada).