Longe do estúdio, a amizade

Ele chegou pontualmente às 9h30min; ela estava atrasada. Dez minutos depois, tocou o celular dele. Era ela. “Ainda estou em casa, mas estarei aí às 10h30min, na hora marcada!” “Não faz isso comigo! Marcamos às 9h30min e eu já estou aqui...” Ele estava preocupado. Precisava estar no estúdio às 10h30min. Dois minutos depois ela apareceu, saltitante. “Isso é bem a cara dela”, disse ele, ao ver que ela o tinha enganado.

O tal encontro era para esta entrevista. Ele é Eriberto Leão; ela, Vanessa Giácomo. Apaixonados em “Sinhá Moça” e amicíssimos na vida real. Daí a química entre Dimas e Juliana. “Quando você já trabalhou com aquela pessoa, tem uma certa intimidade e gosta dela... Não tem como não dar certo”, garante Vanessa. “Eu e Eriberto fizemos “Cabocla”, depois encenamos uma peça juntos, apresentamos um prêmio da Globo e agora estamos em “Sinhá Moça”. Nem acreditamos quando nos chamaram para fazer par romântico. Há uma troca grande. Eu brinco com o Eriberto o tempo todo, ele é pilhado”.

Mas, pilhado como? “Ele me ligou ontem à meia-noite e 22 minutos para me lembrar do horário da entrevista. Eu estava dormindo”, reclamou ela, de brincadeira. “Como assim? Ninguém no mundo já está dormindo à meia-noite! Só você”, implicou ele.

Como não estavam caracterizados como Dimas e Juliana, os dois ficaram preocupados na hora de fazer as fotos. “ Não é esquisito? Somos um casal só na novela”, disse ela. “Não fica assim, o Daniel deixa”, retrucou Eriberto, referindo-se ao ator Daniel de Oliveira, marido de Vanessa. “Aliás, eu sou o único ator da Globo que pode. Daniel me disse isso outro dia. Ele confia em mim!”.

Depois de tamanha descontração (como ela ter implicado com o casaco de forro colorido dele, e ele ter adivinhado que ela apareceria de vestidinho), começou a hora séria de falar de trabalho. E de amor, é claro.

“Dimas é uma pessoa amargurada, sente-se rejeitado. Tem problemas que a psicologia desvendaria com facilidade. Mas direcionou esses problemas para um propósito: a abolição. Ele mergulhou nesses textos abolicionistas e iluministas. Dimas faz parte da linhagem de revolucionários”, conta Eriberto. “Mas revolucionários que são sensíveis ao ponto de se emocionarem com uma poesia, com o amor de uma mulher. Que é o caso da Juliana na vida dele”.

Mas, nas ruas, as pessoas ficam indignadas pelo fato de o personagem trocar este amor pela vingança. Para o ator, este é o exemplo do amor sublime. “Como ele ama Juliana de verdade e sabe que vai ser preso ao cumprir sua missão, quer que ela seja feliz. Esse amor é muito mais bonito e digno. É a entrega por um ideal que vai além das questões pessoais. É extremamente generoso, altruísta. Isso não existe mais”, opina o ator. “Hoje é assim: “Eu amo Juliana, sei que vou lhe fazer mal, mas vou ficar com ela assim mesmo”. Confunde-se amor com posse. Tem uma frase do Los Hermanos que é a maior sacada do mundo: “É um doce te amar; amargo é te querer para mim”. A posse é amarga, ninguém é de ninguém!”, afirma.

Vanessa pensa igualzinho ao amigo. E diz que Juliana não ficará chorando pelos cantos. “As pessoas hoje confundem paixão com amor. No amor verdadeiro, você não vê o outro com o olhar de “Eu preciso”, não fica tão egoísta”, acredita ela. “Juliana é romântica, mas também é prática. Dimas não a quer? Pois tem quem a queira!”.

Mas os fãs do casal não precisam perder as esperanças. O final será feliz, como na primeira versão, que foi ao ar em 1986.

Por um triz

Uma quase tragédia acontecerá esta semana em “Sinhá Moça”. Acreditando estar atirando no Irmão do Quilombo, o Barão de Araruna (Osmar Prado) atingirá a própria filha. Com isso, Sinhá Moça (Débora Falabella) ficará entre a vida e a morte. Mas sobreviverá. E vai enfrentar o pai contando que se casou com Rodolfo (Danton Mello).

Enquanto isso, Juliana (Vanessa Giácomo) começará a ter sentimentos mais, digamos, lisonjeiros por Mário (Caio Blat). Nos próximos capítulos, ela dirá a ele que está se apaixonando. “Mario é um cara que bota Juliana lá para cima, fala coisas que ela gosta de ouvir e a enxerga como uma mulher. É claro que ela vai ficar mexida com isso”, conta Vanessa.

Eriberto Leão acha que Juliana até pode olhar Mário com outros olhos. Mas o ator confia no taco de seu personagem, Dimas. “Dizem que a gente aprende a amar, não é? Eu não acredito, de maneira nenhuma”, diz ele. “A principal coisa na vida de Dimas é a vingança. Mas o amor pela Juliana é páreo total. Só que ele não permite isso. Essa luta que ele trava é que causa o sofrimento. Ele está morrendo de ciúmes do Mário!”