Garimpados no teatro

Espetáculos de comédia stand up, monólogos, besteirol ou esquetes. Seja qual for a vertente de humor, o teatro é hoje o grande manancial de comediantes para a TV, um papel que já foi do rádio

Pelo menos é o que afirmam Maurício Sherman, diretor do ´Zorra total´, e Carlos Alberto de Nóbrega, apresentador do ´A praça é nossa´. Em busca de novos talentos, Sherman assiste a duas ou três peças por semana. Um trabalho de garimpagem que tem garantido a renovação do elenco do programa.

´Teatro é a minha praia. Já fui ator. Gosto de dar oportunidade aos mais novos porque também tive ajuda´, diz o diretor, que comandou espetáculos do Teatro de Revista e humorísticos como ´Faça humor, não faça guerra´ e ´Chico Anysio show´. ´Hoje, há um pessoal que faz teatro por prazer, sem medo de se expor, de ficar caricato, ridículo ou feio´.

Sherman, de 76 anos, também costuma viajar atrás de novas caras. Foi assim que descobriu, em Brasília, os protagonistas do quadro ´Jajá e Juju´, Welder Rodrigues e Adriana Nunes, que fazem parte do grupo teatral Os Melhores do Mundo. Além de ter seu próprio quadro, a dupla colabora na criação de esquetes. ´Acho bacana que o programa dê espaço para artistas de diferentes tipos de humor´, afirma Leandro Hassun.

Adolescentes

Thaís Miller e Josie Pessoa ganharam uma chance no ´Zorra´ depois que Sherman as viu na peça ´Fala sério, mãe´. Criado pelos redatores do programa, o quadro da dupla, ´Adolescentes´, é focado nas gírias e no universo dos jovens. ´Comecei há dois meses e estou achando um barato. Fazer humor na TV é bem diferente do que no teatro, porque você não vê a reação do público´, diz Thaís, de 14 anos, que faz teatro desde os 3.

Testes

Para preencher as vagas da ´Praça´, Carlos Alberto e seu filho, o diretor Marcelo de Nóbrega, também percorrem os teatros de São Paulo. Bem que o apresentador tentou uma fórmula mais democrática de seleção, mas o processo foi um fiasco: ´Fiz testes com atores. O problema é que todo mundo fazia a mesma coisa. Eram imitações do Pelé, do Papa, do Silvio Santos...´, diz.

Marcelo Médici, que participou da ´Praça´ e hoje faz o Antero, de ´Sete pecados´, se destacou num dos maiores fenômenos teatrais dos últimos anos, o ´Terça insana´. O espetáculo também exportou para a TV nomes como Luís Miranda, que viveu o Moreno de ´Sob nova direção´, e Guilherme Uzeda.

Crias do rádio

Mas dois dos humoristas da ´Praça´ ainda são crias do rádio: o paulista Alexandre Porpetone, que encarna o Carbrito Tevez, e o carioca Maurício Manfrini, intérprete do malandro Paulinho Gogó. ´Criei o personagem para um quadro do programa ´Patrulha da cidade´, da Rádio Tupi. Quando fui para a TV, tive que fazer a caracterização, porque só tinha a voz ´, conta Manfrini, que é radialista da Tupi há 12 anos, trabalha na ´Praça´ há três e teve uma rápida passagem pela extinta ´Escolinha do professor Raimundo´, na Globo.

Mais teatro

Ainda sem data de estréia, o ´Câmera café´, novo humorístico do SBT, também foi buscar no teatro atores para compor seu elenco: Ariel Moche, Carlos Mariano, Sérgio Ruffino e Marta Volpiani, entre outros. O programa segue o formato de uma produção francesa, com piadas sobre o ambiente de trabalho. São esquetes, de três minutos, que serão exibidos ao longo de toda a programação.

´Novos´ talentos

Alexandra Richter
levou para o ´Zorra´, quando estreou há dois anos, a mesma personagem que fazia no monólogo ´Uma loura na lua´, a atendente de telemarketing Viviane Viva Voz. De lá para cá, a atriz já fez a secretária tresloucada Selma e agora vive a vigarista Elza, do ´Casal trambique´. Com 15 anos de profissão, a humorista também participou de ´Os normais´ e novelas.

Evandro Santo tentou ser cabeleireiro, bailarino e modelo. Depois de participar de um concurso para comediantes desconhecidos, promovido pelo ´Pânico´ na rádio Jovem Pan, acabou convidado por Emílio Surita para o programa da TV. Há dois meses, é a estrela do quadro ´Meda´, em que vive Christian Pior, um estilista desbocado que alfineta a roupa de famosos e anônimos.

Otávio Mendes conta que caiu de pára-quedas em ´A praça é nossa´. Em dezembro, foi ao programa divulgar seu espetáculo, ´Humor de quinta´, e uma semana depois entrava para o elenco fixo com o mesmo personagem que no teatro já provocava risos: Valmir, o ex-gay. ´Achava que seria discriminado pelo público heterossexual. Mas não, os homens adoram, e os gays também´, garante.

Alexandre Porpetone pensou que sua imitação do argentino Carlito Tevez (ex-jogador do Corinthians) tinha chegado ao fim, em ´A praça é nossa´. A saída foi criar disfarces para o personagem Cabrito Tevez, que entra em cena segurando sempre uma boneca, representando a filha do atleta. Há 11 meses no ar, Porpetone se tornou um dos mais populares do programa.

Curiosidade

O programa ´A praça é nossa´, sob o comando de Carlos Alberto de Nóbrega, está no ar há 20 anos com uma fórmula antiga - a mesma de ´A praça da alegria´, criada nos anos 50