Uma pincelada sobre as artes visuais brasileiras em 40 obras

Galeria Multiarte abre, nesta sexta-feira, exposição sobre a arte contemporânea produzida no Brasil

No trabalho de 27 artistas nacionais, um panorama do que seria a identidade da arte contemporânea brasileira. Essa é a proposta da abrangente exposição "Arte Contemporânea Brasileira - Dos anos 1950 aos dias atuais", em cartaz na Galeria Multiarte, dirigida por Max Pelingeiro.

Espaço da Galeria Multiarte com exposição ainda em processo de montagem FOTO: JÔNIA TÉRCIA BEZERRA

"São 40 obras e abrangem um período amplo, desde a primeira concepção de contemporaneidade, ditada por Mario Pedroza, durante a Bienal da Bahia, em 1966; até os neoconcretos cariocas, Ligia Clark, Hélio Oiticica... Somente os neoconcretos, aliás, já garantiriam uma exposição muito rica. Então, é uma excelente oportunidade de saber sobre a arte dos nossos tempos", afirma Max Pelingeiro.

Ao citar Mario Pedroza, o diretor faz referência ao artigo publicado pelo crítico de arte em ocasião da Primeira Bienal de Artes Plásticas, em dezembro de 1966. Entre outros, Pedroza observa: "O Brasil artístico cultural tende, com efeito, a ser cada vez menos um mosaico de regiões para ser um todo cultural, um complexo nacional vivo em formação".

A coleção é representada por expoentes de tendências artísticas brasileiras, como os neoconcretos Amílcar de Castro (1920-2002), Decio Oliveira (1922-1988), Ivan Serpa (1923-1973), Franz Weissmann (1911-2005), Hélio Oiticica (1937-1980), Lygia Clark (1920-1988) e Lygia Pape (1927 - 2004). Os paulistas neoconcretos: Hércules Barsotti (1914-2010) e Willys de Castro; e os concretos, Lothar Charoux (1912-1987) e Judith Lauand (1922). Além de artistas geométricos não vinculados a grupos, como Mira Schendel (1919-1988) e Sergio Camargo (1930-1990). Representando a segunda geração construtivista, haverá Antonio Dias e Luciano Figueiredo.

Complementando, integram a seleção Adriana Varejão, Beatriz Milhazes, Cildo Meireles, Ernesto Neto, Ione Saldanha (1919-2001), Jaildo Marinho, Marçal Athayde, Sérvulo Esmeraldo e Waltercio Caldas. Já a fotografia será representada por Miguel Rio Branco, Rosangela Rennó e Vik Muniz.

Em destaque: Coluna neoconcreta III, de Weissmann, 1957-2000. Ao lado, outras peças da mostra-

Panorama

"Essa semana, vi uma matéria de televisão sobre uma exposição que está abrindo em Nova Iorque, justamente sobre arte contemporânea. E o elenco de artistas deles é muito parecido com o nosso. Muitos nomes se repetem. Então, essa mostra que vamos abrir é uma oportunidade de ver, em um mesmo ambiente, o que está acontecendo no mundo", comenta Pelingeiro.

Segundo Max, nomes tão distintos, de técnicas e escolas tão diferentes são capazes de compartilhar o espaço simbólico e físico de uma mesma exposição pela mesma razão apontada por Mario Pedroza: "O momento por que passa a arte brasileira é este, de globalização. Temos uma arte global, por si só panorâmica", opina.

Também por isso "Arte Contemporânea Brasileira - Dos anos 1950 aos dias atuais" opta por apresentar a maior diversidade possível de técnicas e processos: objetos, fotografias, pinturas, esculturas. "Temos uma famosa instalação de Cildo Meireles, da década de 90, chamada ´Camelô´, produzida com alfinetes. Temos também um tríptico de Miguel Rio Branco, chamado ´Santiago de Compostela´, com cenas importantes de obras barrocas", adianta o diretor.

Extra

Utilizando a tecnologia em favor da arte, a galeria disponibilizará qr codes com informações adicionais - seja sobre os processos de produção das obras, seja sobre a biografia dos artistas, acessadas por meio de registro fotográfico, por qualquer smartphone ou tablet. No qr code desta página, o leitor poderá ver alguns dos vídeos disponíveis em espaços da galeria.

Planejada para ir até o dia 29 de junho, a mostra, justamente por sua abrangência, deverá servir de ponto de partida para outras ações e produtos. A primeira das iniciativas é a edição de um catálogo bilíngue da mostra, com textos de Mario Pedroza e Fernando Cocchiarale, especialista em arte brasileira contemporânea. Além disso, a galeria pretende ainda promover um seminário, com a presença de críticos e artistas, e a exibição de filmes produzidos sobre artistas representados nesta exposição.

Confira entrevista com Adriana Varejão




"Os desdobramentos certamente foram tão maiores quanto a própria exposição. Queremos fazer uma mostra audiovisual em julho, com dez filmes, pelo menos duas produções por semana, seguidas de um bate papo com especialistas. Há filmes sobre Waltercio Caldas, Sérgio Camargo... E ainda uma montagem chamada ´Neoconcretos´, feita a partir de entrevistas com os próprios artistas. Tudo isso deve somar muito com a exposição", acrescenta Pelingeiro.

Mais informações

Exposição "Arte Contemporânea Brasileira". De 17 de maio a 29 de junho, na galeria Multiarte ( R. Barbosa de Freitas, 1727 - Aldeota). Contato: (85) 3261.7724 Funcionamento: de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h. Aos sábados, das 14h às 18h.

MAYARA DE ARAÚJO
REPÓRTER