Sobre “Elis e Tom”

Em janeiro de 1974, quando a proposta de um disco com Elis Regina foi feita a Tom Jobim por André Midani (presidente da antiga Philips, hoje Universal), a Pimentinha estava completando 10 anos de carreira na dita “MPB”.

Além do pianista e arranjador César Camargo Mariano, marido de Elis, participaram das gravações os músicos que já se apresentavam regularmente com a cantora: Hélio Belmiro (violão e guitarra), Luizão (baixo) e Paulinho Braga (bateria), bem como o compositor, arranjador e violonista Oscar Castro Neves. O disco contou ainda com uma orquestra de cordas, regida pelo maestro Billy Hitchcock.

O disco foi gravado nos estúdios da MGM, em Los Angeles, e os trabalhos foram finalizados em 9 de março de 1974. Sobre o projeto, Elis comentou: “Tom me assusta um pouco. Mas é importante demais conviver com esse monstro sagrado da nossa música, e a responsabilidade de gravar a seu lado balança um pouco qualquer pessoa”. Depois das gravações, declarou: “Foi maravilhoso, e Tom é divino. Nunca vi pessoa mais simples e encantadora” (Folha de S. Paulo, 17/04/74). Nem sinal das diferenças ocorridas durante as gravações.

Além de cantar com Elis em três faixas do disco (“Águas de março”, “Chovendo na roseira” e “Soneto de separação”), Tom Jobim fez vocais em “Corcovado” e “Inútil paisagem”. O disco “Elis e Tom” teve shows de lançamento no Rio de Janeiro e em São Paulo.

No próximo dia 8 de dezembro, completam-se 10 anos desde a morte de Tom Jobim, ocorrida no hospital Mount Sinai, em Nova Iorque. A causa mortis foi uma parada cardíaca, dois dias depois de o músico se ter submetido a uma cirurgia para extração de um tumor na bexiga. Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim nascera em 25 de janeiro de 1927, no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Já Elis Regina, nascida em Porto Alegre aos 17 de março de 1945, faleceu aos 19 de janeiro de 1982, em São Paulo.