Os contos de fadas na contemporaneidade

O conto, gênero literário, apresenta unidade dramática - tempo, espaço e personagens reduzidos

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Facilmente, podemos perceber que, de fato, os contos de fada continuam atuais. Incrível como eles sempre conseguem atender a todos os públicos desde que surgiram até os tempos de hoje. O que contribui para tal fato são adaptações. Obviamente que as crianças de antes não são como as do tempo de agora, por isso, os contos também não podem ser e precisam sofrer algumas alterações para que estejam sempre em alta.

As principais princesas são Branca de Neve, Cinderela e Aurora (mais conhecida como Bela Adormecida). As primeiras a serem criadas.

Três princesas

Branca de Neve, com todo seu romantismo e doçura, foi a primeira princesa. Fala com os passarinhos, sonha com o príncipe encantado, tem um gosto especial pela limpeza e pelo cuidado. Por outro lado, passa pelo deslize de morder uma maçã envenenada e permanece, então, desacordada, até o dia em que o príncipe venha salvá-la.

Cinderela era explorada pela madrasta e suas duas irmãs, mas com a ajuda de uma fada madrinha, consegue ir a uma festa no palácio, onde conhece o grande príncipe encantado. Porém, após uma noite de sonhos, precisa provar quem realmente é, calçando um sapatinho de cristal. Aurora (ou Bela Adormecida) é uma princesa que já nasce com um casamento arranjado, mas, ao espetar o dedo em uma roca de fiar, é submetida a uma maldição de dormir até que o beijo de amor verdadeiro a acorde.

Recriação

Desde o final dos anos 80, a Disney tem recriado heroínas mais aventureiras, que fazem coisas que as três personagens clássicas (Branca de Neve, Cinderela e Aurora) jamais ousariam: ou seja, elas se rebelam contra o que as oprime: o pai, a madrasta, uma fera ou a ordem social.

A pequena sereia Ariel é desobediente e corajosa; Bela não se conforma com a vida provinciana de sua cidadezinha; Jasmine recusa os pretendentes trazidos pelo pai; Pocahontas desafia sua sociedade por amar um europeu; Mulan foge de casa para entrar no exército e Tiana trabalha sem parar para conseguir o que quer.Mesmo assim, não foi o suficiente. Os anos 2000 exigiam ainda mais dessas personalidades, muita astúcia e determinação, como possuem as novas mulheres deste século. Eis que surgem, então, as novas princesas: Merida (a princesa Valente), a nova Rapuzel (de Enrolados), Elsa e Anna (de Frozen).

Rapunzel herda um pouco de cada predecessora. Como Mulan, ela sabe se defender. Como Bela, também quer conhecer o mundo. Como Jasmine, ela se apaixona por um fora da lei. Mas, como Ariel, ela tem que abrir mão de algo muito valioso para poder viver seu grande amor. Ela sabe defender sua torre de invasões e, para isso, pode usar as madeixas como arma. O "príncipe encantado" é, na verdade, o maior ladrão do reino. Com a ajuda dele (e por meio de uma barganha), ela chegará aonde quer. Mas seu nome não consta no título do filme, "Enrolados", a fim de suavizar o aspecto "conto de fadas" e dar destaque também ao "príncipe". Apaixonada e cheia de energia, Merida é uma adolescente obstinada de ascendência real, que luta para ter o controle sobre seu próprio destino. Se sente bem ao ar livre, aprimorando suas impressionantes habilidades e montando seu fiel cavalo, Angus, pelas colinas escocesas. Com um espírito tão vibrante quanto seu indomável cabelo, Merida tem um bom coração, especialmente quando se refere aos seus irmãozinhos trigêmeos. Por ser a filha do rei e da rainha, sua vida é cheia de responsabilidades e expectativas, que só despertam nela o desejo de preservar sua liberdade e independência. Assim, ao desafiar uma antiga tradição, as consequências de suas ações são desastrosas para o reino. Assim, ela deverá agir de modo a corrigir o resultado de sua conduta imprudente, realizando uma viagem que a obrigará buscar, dentro de si mesma, o significado de bravura e revelar, portanto, o seu verdadeiro destino.

A princesa Anna de Arendelle é desajeitada e pode fazer as coisas antes mesmo de pensar direito, mas quando sua irmã mais velha (Elsa) com sua habilidade secreta de criar gelo e neve, acidentalmente, no dia de sua coroação, coloca uma maldição gelada sobre seu amado reino: ela sai em uma aventura para trazê-la de volta para casa e acabar com a maldição. (Trecho I)

Trecho

TEXTO I

As novas princesas, que são justas herdeiras de seus reinos (sem precisar casar para serem coroadas) e não ficam à espera dos príncipes ou à mercê da vontade de seus pais-reis, são excelentes exemplos de figuras femininas atuais que gostaríamos que inspirassem nossas filhas. "Frozen", adaptação do conto de fadas "A Rainha da Neve", de Hans Christian Andersen, contada como uma história estrelada por duas princesas fortes e decididas, me fez crer que os filmes de menina podem ganhar um viés contemporâneo e que os ícones femininos da geração da minha filha podem ser exemplos de proatividade, decisão, empreendedorismo e autonomia. (SHIRAISHI, blog Disney Babble).

FIQUE POR DENTRO

A construção das princesas ao longo do tempo

Não somente há mudanças de atitude. Até mesmo nas vestimentas podemos notar com clareza esse "antes e depois". Antigamente, as fantasias eram repletas de tecidos, babados, véus, anáguas, dentre outros. Hoje, as roupas estão cada vez mais práticas, devido não somente à sensualidade que se desperta no tempo em que vivemos, mas também à falta de tempo para costurar, lavar e engomar. Afora isso, nem só os humanos vestem, literalmente falando, essas mudanças. Até as princesas chegaram a ser redesenhadas, como podemos ver na imagem anterior. Contudo, para tal nova forma de vestir, devemos ter em mente que as princesas são universais e não seriam todos os países que vestiriam esse novo modelo. Consta apenas de uma nova representação para uma visão moderna a partir de um determinado ponto de vista.

Marina Duarte Ferreira
Especial para o Ler*

*Do Curso de Comunicação Social da Unifor