Gilberto Gil não compõe mais desde que assumiu o Ministério da Cultura

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MADRI, ESPANHA - A criação musical e um cargo governamental são pouco conciliáveis. É o que revela um dos maiores expoentes da MPB, o cantor e compositor Gilberto Gil, que esta semana está em turnê pela Espanha, e que confirmou não ter composto praticamente depois que se tornou ministro da Cultura.

No entanto, o fundador do Tropicalismo ao lado de Caetano Veloso, no fim dos anos 1960, continua a cantar e apresenta na Espanha seu novo disco, "Gil, o luminoso".

Mas ele reconheceu que desde 2003, seu trabalho à frente do ministério no governo Lula limitou sua inspiração. Segundo declarou a meios de comunicações espanhóis, ele só escreveu duas canções em quatro anos, alegando não ter mais o tempo "físico ou psicológico" para compor.

Aos 65 anos, Gilberto Gil, que gravou 30 álbuns com milhões de exemplares vendidos, declarou ao jornal El Periodico, de Barcelona, que de qualquer modo, preferiria "tocar e cantar", atividades para as quais "felizmente" ainda tem tempo de se dedicar.

Cansado por sua dupla carreira, o cantor baiano considerou, no fim de 2006, deixar o cargo à frente do Ministério, mas o presidente Luis Inácio Lula da Silva o convenceu em dezembro, após sua reeleição, a permanecer no governo.