Estúdio musical em Fortaleza é o primeiro beneficiado pelo Banco do Nordeste

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Quem passa pela frente do número 55 da tranqüila rua Jaguari, em Fortaleza (CE), pode não perceber o que se passa no estúdio musical Ararena. Há cinco anos, os produtores Amaro Penna e Humberto Pinho resolveram se fixar por ali, depois de 20 anos de estrada, produzindo shows, gravações de CDs e, para complementar a renda, jingles publicitários e material para campanhas políticas. O cantor cearense Fagner já gravou dois discos por lá e acabou se tornando o terceiro sócio do estúdio.

Esta semana, o estúdio Ararena se tornou a primeira empresa cultural a aderir ao programa Cresce Nordeste Cultura, lançado pelo Ministério da Cultura e o Banco do Nordeste (BNB). Pediram muita coisa, muitos documentos. Inclusive, a minha certidão de divórcio, que eu tive que ir atrás porque não tinha. Mas deu certo, a gente conseguiu tudo e vai ajudar bastante, conta Amaro Penna.

O programa oferece linhas de crédito e microcrédito para empresas culturais da região com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), formado por percentuais sobre o Imposto de Renda.

Não tem teto e não problema de disponibilidade de recursos. A demanda será totalmente atendida, garante o gerente de Gestão da Cultura do Banco do Nordeste, Henilton Menezes. Ele explica que o prazo para pagamento é de até 12 anos, sendo os quatro iniciais de carência.

A taxa de juros é anual e diferenciada para as microempresas (7,25%), pequenas (8,25%), médias (10%) e grandes empresas (11 5%). Podem adquirir empréstimos produtoras, distribuidoras, editoras, lojas varejistas, fabricantes de instrumentos musicais escolas culturais e projetos de construção de museus, bibliotecas ou casas de espetáculo, por exemplo.

A empresa precisa estar instalada no Nordeste e trazer benefícios para a região. Quem pagar as prestações em dia tem 25% de abatimento nos juros e, se a empresa se localizar na região do semi-árido nordestino, o abatimento é de 50%.

Os agentes culturais, como pessoas físicas, terão acesso a pequenos empréstimos de até R$ 10 mil, por meio de outra linha também lançada nesta semana, a CrediAmigo Cultural. A linha tem como objetivo atingir a produção cultural informal. Basta comprovar atividade cultural, pode ser um trabalhador informal, explica o gerente do BNB.

Os R$ 30 mil conseguidos por empréstimo no Cresce Nordeste Cultura vão servir para a montagem da segunda sala de gravação do estúdio Ararena. Uma sala só é complicado, porque s vezes você tem outros trabalhos para fazer e não pode porque está ocupado. Tem que mixar um disco e, ao mesmo tempo, fazer uma gravação urgente... Agora vai ser bacana porque vai dar para fazer dois trabalhos ao mesmo tempo, planeja Penna.

A banda Aviões do Forró está finalizando as gravações do novo CD no Ararena e pode ser a primeira a utilizar a nova sala, que deve estar pronta em um mês. A parte física já está pronta, mas tínhamos a carência do equipamento, explica.

O projeto de Penna agora é desenvolver um selo, para lançar ele mesmo os CDs de artistas locais. Por enquanto, é só um sonho: É meio tímido ainda, porque requer investimento muito grande e a gente nem sempre tem capital. Mas, em toda a oportunidade que temos, vamos investindo um pouco, conta o empresário.