O processo da percepção sublimar

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A mente cria, por si só, mecanismos de defesa através de situações vividas e memorizadas que por algum motivo devem ser evitadas. Aconteceu isto quando a sociedade percebeu que não era necessário consumir tudo o que lhe era apresentado pela publicidade, e sim somente o que era necessário para a sua existência. A Teoria Hipodérmica começou a ser questionada. A sociedade, portanto, não poderia ser mais tratada como a massa de indivíduos idênticos, atingidos todos da mesma maneira, e sem resistência, pelas informações divulgadas.

O público-alvo começou a ser estudado em grupos separados por interesses, sexo, idade e vários outros fatores. A publicidade teve que se adequar ao que era demandado pelo consumidor e não o contrário, como ocorria antes. Em paralelo, estudiosos começaram a buscar uma forma de chegar aos consumidores sem barreiras. Evitar que sua propaganda ou publicidade fosse questionada e/ou não correr o risco de não ter seu produto/serviço não consumido, ou seja, mostrar a publicidade para o consumidor sem ele perceber que é ação publicitária, chegar direto ao subconsciente: (Texto II)

O ponto de partida

Um case clássico sobre percepção subliminar foi o experimento de Jim Vicary que, em 1953, em um cinema de Nova Jersey, utilizou dois projetores para induzir as pessoas a consumirem mais Coca-cola e pipoca no cinema. Em um projetor, o filme Picnic era transmitido normalmente, enquanto no outro um slide com as frases "Drink Coke" e "Eat Corn" eram transmitidos em um velocidade 1/3000 segundos, tão depressa que a mente consciente do não podia percebê-las sobrepostas ao filme. O caso foi relatado pelo autor J.A.C. Brown no seu livro "Técnicas de Persuasão: da propaganda à lavagem cerebral" (1976). Ele conta ainda que a repetição dos slides causou efeitos nos comportamentos das pessoas a ponto de aumentarem as vendas da Coca-cola em 57,7%. No volume 37 da Revista Advertisign Age, datado de 16 de setembro de 1957, o estudo é explicado mais detalhadamente: os slides foram exibidos em dias alternados no cinema e o os resultados foram o aumento de 18,1% no consumo de coca-cola e a pipoca teria sido consumida 57,7% a mais do que nas noites que as frases não apareciam.

Outra experiência

O mesmo experimento foi realizado por Silvio Santos nos anos de 2012 e 2013. Durante a programação, frames com produtos da Jequiti foram incluídos entre as cenas. A atitude foi bastante criticada, mas o CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) preferiu não se manifestar. A diferença entre Jim Vacary e Silvio Santos foi o tempo de duração do frame. O primeiro exibia o frame a velocidade de 1/3000 segundos, ou seja, a mensagem era totalmente imperceptível a olho nu e só atingia o subconsciente do telespectador. Os frames de Silvio Santos duravam quase 1 segundo inteiro, tornando-se visíveis a olho nu e incomodando os telespectadores porque invadiam a programação sem aviso prévio.

Ao receber uma informação através dos órgãos sensoriais, a mente humana vai identificá-la e, através do cérebro, processá-la. O processamento é a percepção; nesta etapa a mente decide se armazena a informação no consciente, se a descarta ou se a deixa em stand by, ou seja, no subconsciente, ela está armazenada, mas você não tem ciência disso.

No caso de percepção subliminar, os estímulos recebidos pelos órgãos sensoriais são fracos demais para provocar uma resposta consciente. O subconsciente é capaz de perceber, interpretar e guardar uma quantidade muito maior de dados do que o consciente, podemos dizer que: (Texto III)

Com a quantidade absurda de informações a que ficamos expostos, é preciso entender como o cérebro seleciona o que memorizar e o que descartar. A memorização está diretamente ligada aos nossos hábitos e nosso estilo de vida: Nós só percebemos, ou seja, processamos a informação que recebemos, quando há familiaridade com a ela, seja em uma lembrança, seja em uma comparação ou em um hábito de consumo, um produto ou marca com qual já se teve contato.

Considerações finais

A mensagem subliminar tem o poder de disseminar qualquer que seja a ideia: conceitos, ideologias e, claro, produtos e marcas. Alguns pesquisadores, como o próprio Quevedo, apontam a mensagem subliminar como perigosa, porque induz o receptor a perceber somente aquilo que o emissor deseja. Porém, segundo o especialista em psiquiatria Henrique Schutzer Del Nero (1997), o subconsciente não pode levar o consciente a fazer algo que ele julgue errado ou que realmente não queira. No caso de aplicação da mensagem subliminar na publicidade, podemos dizer que os produtos e serviços são apresentados de maneira tão leve ou breve que não é conscientemente percebida e os leva a consumi-los ou usá-los sem ter ciência das razões. O merchandising é uma forma de percepção subliminar e tornou-se a mais utilizada pelos meios de comunicação de massa. 
 

Trechos

TEXTO II

Longe de um comportamento das massas, que antigamente reinava soberano no universo da publicidade, atualmente, torna-se necessário explorar informações mais específicas, como preferências de seus consumidores, pelo que se interessam, que tipos de sites visitam, quais termos procuram nas páginas dos principais buscadores, que tipo de argumentação textual chama atenção e o porquê e, claro, que motivo leva seus compradores a abrirem a carteira e digitar a senha do cartão de crédito. (GONÇALVES, 2013, p.11)

TEXTO III

ele se lembra de tudo, guarda aquilo que é da esfera da percepção subliminar, aprende imediatamente coisas complexas, suas informações não se perdem como o passar do tempo e é mais inteligente e criativo que o consciente" (QUEVEDO apud BAGGIO, 2005, p. 106)
 

Saiba Mais

BAGGIO, Roberson. Investigação sobre a percepção subliminar (sob a ótica da comunicação). Dissertação apresentada para obtenção do título de Mestre em Comunicação.

São Paulo: Universidade de Marília, 2005

GONÇALVES, Lilian. Neuromarketing aplicado à redação publicitária: descubra como atingir o subconsciente do seu consumidor. São Paulo: Novatec, 2013

GONÇALEZ, Márcio. Publicidade e Propaganda. Curitiba:

IESDE Brasil S.A., 2009