Mais 28 salas até 2016

Quatro novos shoppings de grande porte em construção na cidade vão expandir, para diversos bairros, o parque de cinemas de Fortaleza, que terá mais 28 salas agregadas em conjuntos multiplex até 2016. No Interior do Estado, Sobral ganhará mais três cinemas

Confirma-se a nova tendência do mercado cinematográfico de exibição: os cinemas estão voltando aos bairros. Mas, segundo as regras de um contexto dos novos tempos, saiu definitivamente de cena o formato do "cinema de rua" e em seu lugar surge a irrefreável categoria do "cinema de shopping", identificado como multiplex - o conjunto agregador de várias salas em um mesmo espaço físico.

Imensos e deficitários, os cinemas de rua começaram a perder a competição com a modernidade, nos anos 60, quando as salas de bairros começaram a fechar, em um processo irrefreável, o qual, gradativamente, foi desativando, também, os cinemas do Centro da cidade ao silencioso fenômeno mundial de esvaziamento das áreas centrais das grandes capitais.

Um conjunto de fatos, apontam os analistas, direcionou o progressivo fechamento do cinema de rua. Primeiro, o seu gigantismo o tornou um dinossauro. O antigo modelo de oferecer centenas de cadeiras decretou-o como financeiramente deficitário e, portanto, inviável.

Havia, igualmente, outras razões para a crise. A programação televisiva, o advento do videocassete, e, preponderantemente, o aumento da produção de filmes e a chegada dos canais por assinatura foram algumas delas. De repente, o mercado tinha muitos filmes e poucos cinemas. O setor de exibição precisava de remanejamento e o shopping center, com sua garantia de comodidade, segurança e estacionamento, atraiu o público e o novo modelo, o do multiplex, ofereceu-lhe diversidade de filmes em cartaz.

Como resultado, ao final da última década do século passado, apenas o Cine São Luiz resistia, insolente, a uma dupla decadência: a sua, como cinema, e o Centro da cidade como ambiente social.

Canto do último pássaro de um tempo do cinema clássico, o Cine São Luiz, de monumental beleza arquitetônica, saiu de cena. Adquirido pelo governo do Estado, se aguarda que o ressurgimento do histórico cinema fundado pela família Severiano Ribeiro seja de forma tão gloriosa quanto a da Fênix mitológica - dotada de um projeto cultural capaz de reerguer a sua grandeza e voltar a atrair público.

O cinema ganhou a pompa de "âncora" nos modernos shoppings centers, estabelecido sob um novo conceito: o de multiplex. Agregados em um espaço no qual cada sala tem a capacidade mínima para 120 e a máxima para 440 poltronas (modelo do Multiplex UCI Ribeiro, o maior da cidade, no Iguatemi), o multiplex tem o mínimo de seis salas. Para os entendidos no mercado cinematográfico, o novo modelo de multiplex exige, agora, que o mínimo seja de 12 salas.

Já estabelecidos nos bairros da Aldeota (o mais privilegiado), Benfica, São Gerardo (área norte) e José de Alencar (área sul), o multiplex vai chegar aos bairros da Parangaba, Papicu e José Walter. Serão 28 novas salas de cinema distribuídas em quatro novos shoppings.

Atualmente, Fortaleza dispõe de 35 salas de cinema, espalhadas em oito shoppings centers. Até 2016 a cidade contará, ao total, com 63 salas. Os bairros serão mais os privilegiados, pois quatro outros projetos de shoppings estão sendo devolvidos, mas sem definição de quantas salas ofertarão.

Do Papicu ao José Walter

Investimento de R$ 600 milhões, o RioMar Shopping Fortaleza, que será o terceiro maior do País, aguarda a liberação de seu projeto, em poder da Prefeitura, para iniciar a sua construção, a cargo do grupo do empresário João Carlos Paes Mendonça. Localizado no bairro do Papicu, terá 12 salas. O multiplex será disputado numa briga de foice pelos maiores grupos exibidores do País: UCI Ribeiro, Cinepolis, Cinemark, Centerplex, entre outros.

O bairro da Parangaba será outro privilegiado com a inauguração de dois shopping centers no corredor da avenida José Bastos. O primeiro a ser inaugurado será o Shopping Parangaba, previsto para o final de 2012, localizado ao lado do terminal de ônibus. Projeto do Grupo Marquise, terá 6 salas, uma delas em 3D, já fechadas com o Grupo UCI Ribeiro.

O segundo, o North Shopping Parangaba, localizado também na avenida José Bastos, projeto do Grupo North Empreendimentos (o mesmo dos Shoppings North Shopping e Via Sul), ainda está em fase de elaboração. Terá, igualmente, um conjunto de 6 salas, já fechadas com o grupo Centerplex Cinemas (detentor do multiplex do shopping Via Sul e do Shopping Maracanau).

Ainda sem previsão de inauguração, o Reserva Open Mall, localizado na avenida Washington Soares, quase em frente a casa de shows Siara Hall, não terá salas de cinema.

Por último, a construtora LM desenvolve projeto para a construção de um complexo multiuso na avenida Costa e Silva, a Perimetral, entre a Chesf e o conjunto José Walter. No Pátio Arvoredo estão previstas quatro salas, as quais serão oferecidas, prioritariamente, para o Grupo Arco-Íris, o qual tem duas salas de cinema nos shoppings Aldeota e Del Paseo, empreendimentos da construtora.

Outros projetos de shopping centers estão em elaboração e devem ser anunciados no próximo ano, na Capital. Os bairros contemplados já estão definidos: Jacarecanga, Castelão, Messejana e Jóquei Clube. Há, ainda, outros em planejamento, mas contemplando municípios. Os primeiros da fila são Aquiraz, Eusébio e São Gonçalo do Amarante. Não há, porém, confirmação de que serão dotadas de salas de cinema.

O município de Sobral, que já dispõe de duas salas com o nome do humorista Renato Aragão, terá mais três salas no Sobral Shopping, da construtora Cameron, previsto para inaugurar em novembro de 2012. Está aberta a concorrência.

PEDRO MARTINS FREIRE
CRÍTICO DE CINEMA