Crônicas da vida

O escritor Ricardo Kelmer faz palestra, hoje, no espaço Lumen sobre “A Loucura que liberta”. Amanhã, lança dois novos livros, “Blues da Vida Crônica” e “Guia do Escritor Independente”

Enquanto negocia com uma nova editora, o cearense Ricardo Kelmer publica seus livros pelo selo independente Miragem, criado por ele mesmo. As obras têm formato de bolso e são vendidas pela internet e nos eventos dos quais participa. Kelmer está de volta a Fortaleza - ele está radicado em São Paulo - para lançar dois novos livros, “Blues da Vida Crônica” e “Guia do Escritor Independente”, amanhã, às 20 horas, no Bar do Papai. Ele também aproveita o retorno à capital cearense para fazer, em cima do tema “Profissão Escritor”, uma palestra, hoje, às 19h30, no Espaço Lumen, e uma oficina, no dia 20 de março, no curso de Letras da UFC.

O humor é recorrente em “Blues da Vida Crônica”. Ricardo Kelmer aproveita situações do cotidiano para criar estórias temperadas com muita graça. O leitor, certamente, vai se divertir com situações como a que narra a estória do amante traído que manda recado do além para salvar sua mulher, que é a principal acusada de tê-lo assassinado. Como a do sujeito que vira objeto de “arqueologia jornalística”. Como a do vizinho que vive manifestando, aos gritos, o ódio que sente pela ex-mulher. Como a do escritor - o próprio Kelmer - que se despe para as lentes de uma amiga na comemoração dos 40 anos dele.

“Blues da Vida Crônica” é uma seleção de 46 textos escritos entre 2003 e 2006. A maioria é inédito, mas alguns já foram reproduzidos em sites e em diversas comunidades na Internet. Entre as crônicas mais populares está “Queremos Mulher Carnuda”, escrita no ano passado, logo após a morte de modelos vítimas da anorexia. “É um manifesto em prol das mulheres gostosas e contra a tendência esquelética do mundo da moda. Esta crônica teve um retorno enorme por parte dos leitores e, desta forma, dei minha contribuição pra ajudar a desfazer o engano de que mulher tem que ser magríssima para ser bonita”.

No “Guia do escritor independente”, livro que também será lançado amanhã, Ricardo Kelmer passa sua experiência para escritores que ainda não têm a sua estrada. “O livro é um resumo da minha oficina, ‘Profissão Escritor’, que vou ministrar na UFC, no dia 20 de março”, explica. O “Guia...” e a oficina ensinam os autores a publicar, divulgar e vender seus livros sem estarem necessariamente ligados a alguma editora, mas aproveitando meios alternativos, como a Internet. “Tenho 16 anos de experiência no mercado editorial oficial e no mercado independente”, avisa.

Segundo ele, o objetivo não é ensinar a escrever mas mostrar como é o ofício de escritor e como o autor pode desenvolver uma carreira literária mesmo sem ter uma editora. Kelmer mostra que é possível para qualquer autor publicar seus livros, desenvolver uma carreira literária e conquistar seu próprio público. O sucesso de Kelmer, conquistado nos meios alternativos, é a prova de que existem outros caminhos para se vencer como escritor. No currículo, estão outros cinco livros: “O Irresistível Charme da Insanidade”, “Baseado Nisso”, “Guia Prático de Sobrevivência para o Final dos Tempos”, “A Arte Zen de Tanger Caranguejos” e “Matrix e o Despertar do Herói”.

DÉLIO ROCHA
Repórter

FIQUE POR DENTRO
´Queremos Mulher Carnuda

Quem disse, minha querida, que homem gosta de esqueleto? Não gosta. Com exceção de antropólogo. Homem gosta é de mulher carnuda, mulher gostosa. Nós gostamos de pegar, apalpar, apertar, agarrar, espremer. Homem é parente do polvo, tem oito mãos, e todas elas, vem cá, deixa eu te dizer, todas elas amam deslizar assim, ó, pelo relevo ondulante do teu corpo, sabia:... subir e descer as protuberâncias... se enxerir nas reentrâncias... Ops, mas não tem carne. Onde eu vou pegar? Mulher é como abismo de filme de ação: tem que ter um lugarzinho pra segurar senão adeus mocinho.

Ultimamente as mulheres só querem ter ossos. Suam, gastam fortunas, fazem dietas impossíveis, ficam mal humoradas, adoecem, morrem... Pra quê? Pra extirpar as deliciosas saliências com que a natureza lhes brindou e que tanto nos fascinam. Enlouqueceram? Não sei, isso tudo tá muito estranho...

Essa paranóia é ridícula. Sei que vaidade é algo natural da espécie: o Homo Sapiens se embeleza pra conquistar um bom parceiro. Mas como vocês esperam nos seduzir com ossos? Magra tudo bem, dá pra ser uma magra gostosa. Mas magrela não. Aliás, o magrelismo feminino exclui automaticamente a possibilidade de protuberância glútea, que, você sabe, nós amaaamos...