Arte Cearense

Pintura de Leonilson
Sem titulo

José Leonilson Bezerra Dias nasceu em Fortaleza, a 1 de março de 1957, tendo falecido em São Paulo, aos 28 de maio de 1993) . Dedicou-se ao desenho, à escultura e à pintura. Cursou educação artística na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), onde foi aluno de Julio Plaza (1938-2003), Nelson Leirner (1932) e Regina Silveira (1939). Seus jogos de cores é uma de suas singularidades

Poemas de Dimas Carvalho

XIII

Era um animal misterioso e puro,

Da cor da neve, branco de luar;

Em um jardim de sonhos foi pastar,

Quando o momento se fez mais escuro.

O Cavaleiro que te cavalgar

Vem navegando as águas do futuro;

E é pelo Vaso Santo que eu te juro

Que um dia ele ainda vai retornar.

Ó animal das acendidas faces,

Que nos vigias passos e tropeços

E que das noites mais antigas nasces,

Sê nosso emblema e nossa força, e vem

Do Cavaleiro dar-nos o endereço

Pra que possamos esperá-lo. Amém.

XV

A casa é uma nau, enquanto a chuva

Molha as paredes de saudade e vento;

Canoa de si mesma órfã e viúva,

Vagueando num mar de esquecimento.

A casa engoliu as gerações

No seu ventre de barro calcinado;

Ouvem-se os passos das assombrações

No convés do navio abandonado.

A casa, feita de areia e espanto,

É uma caravela alucinada

Onde florescem pérolas vermelhas.

Do seu chão de memória emerge o canto

Que arrasta a embarcação desarvorada

E faz vibrar o coração das telhas.

XIV

Essa fazenda antiga é uma arca.

Nela passeiam seres reticentes.

São fantasmas, gnomos, são duendes

Regidos por um velho patriarca.

Esses campos sem fim são uma marca

Semeada por deuses pacientes.

Esses sóis são as sombras indulgentes

Do príncipe que foi da Dinamarca.

Essa fazenda é um navio ao léu;

Pelos caminhos ínvios da comarca

Vejo passar vaqueiros de chapéu.

E esse touro, antípoda da vaca.

Esse touro que bebe o azul do céu

E tem o porte altivo de um Monarca.

XVI

O Rio que me habita e de quem sou

Vassalo, desde antes que nasci,

É o espelho de mármore em que eu vi

A Sombra que o caminho revelou.

No Livro de cristal em que me li,

O reflexo da Sombra retornou;

E o pássaro de fogo que voou,

Foi quando eu dentro de mim desci.

Rio em que nasci e morrerei,

Tua água é a bandeira que levei

Para o Mar, que me espera, a qualquer hora.

E em que enrolei-me assim como em mortalha;

Rio que foi a última batalha,

Quando de mim um dia eu fui-me embora.

Sobre o autor

Dimas Carvalho é professor universitário, na área de Letras; cultiva a ficção, o ensaio e poesia