Arte Cearense

Pintura de Alano Freitas
 
Sem Título

Poeta, pintor, desenhista. Autodidata. Nasceu em Fortaleza,- CE, em 1950. Participou de várias mostras coletivas, destacando-se: Salões de Abril de 1974, 1976, 1978, 1991. V Salão Nacional de Artes Plásticas do Ceará de 1976. Unifor Plástica de 1985. Individualmente, o artista Alano Freitas expôs em Fortaleza, Brasília e Teresina

Poemas de Sérgio Macedo


Para Francisco Carvalho

Poetas são seres estranhos

Afogam-se em pires de lágrimas , bebem oceanos

Escondem a alma apequena atrás do capim seco

Depois, caminham pelas estradas como se nada ocorresse

Criam estradas verdadeiras do nada

No dia da morte anunciada

A calma espera o último suspiro

Abraça-se outros amigos

E se chora pela ruptura natural, permanente criada

Mas a morte só virá amanhã quando a ressurreição

Não mais puder ser anunciada.

Quando outras vidas já se iniciam

A partir daquela

Mas sua alma não morrerá

Mas seu espírito não morrerá

Mas sua obra não tecerá fios de morte

Começa a viver sua obra, agora órfã,

Agora imutável, universo em forma pura,

misto de sentimentos e medo

Medo da viagem, medo das paragens, medo de bem não ir, medo do outro lado, se haverá outro lado,

Mas o nada pleno lhe incomoda menos

Que o infortúnio da passagem

As últimas missões desse piloto de guerra

não serão possíveis, as últimas guerras serão falsas

As ultimas verdades soaram como veleidades,

fúteis pensamentos adolescentes

Ventos fracos que não empinam mais as pipas coloridas

Não secam mais os suores do medo

Ventos que sequer agitam

As águas das lagoas quase secas


Acontecimentos

A pele do velhos , não enruga

Apenas se esvazia de tempo

O cabelo dos velhos não embranquece

Adquire a mistura de todas as cores

A memória dos antigos não acaba

Ela apenas não é mais acreditada

Pelos novos

Não é mais valiosa para eles próprios

As folhas metálicas das árvores

guerreiras, fazem de mim um santo,

Consigo dormir em sua sombra

No meio do dia morno de verão

Sozinho, respiro o ar quente que vem dos [vales, angustia-me a falta de sombra

Do lado nascente da montanha

As estações de trem

São refúgios de fugas

Os trens revogam as leis do silencio

Deixam escapar soluços e lágrimas

Esmagam entre as rodas e os trilhos

Encontros, espaços, poemas

Criam estórias,

Contornos malfeitos

De telas, provavelmente belas

Trens, com suas penas nas mãos

Escrevem, sem pena , clássicos trágicos

Os olhares vagos nos vagões

Os bancos vazios de espera

E os pântanos de nossas cabeças

Deslizam céleres com o trem

O sol se põe junto com o medo

Sobre o Autor:
Sérgio Macedo é médico cardiologista. Dedica-se, de há muito, à composição de poemas