Arte Cearense

Pintura de José Mesquita

Sem título

O artista plástico José Mesquita dedica-se à pintura, sendo também escultor, gravador e "designer". Bacharel em administração e bacharelando em Direito. Participou de mais de 150 exposições, individuais e coletivas, no Brasil e no exterior.

 

Poemas de Francisco Ari de Andrade

Herói livre

Herói! Prometeu livre consagrado

Voo da pomba voraz em amplitude

Pois que o semblante não seja finado

Pelo ideário de espectro finitude

Voo da pomba leva meu canto ato sagrado

Percorre a espiral seta no espaço

Na dimensão atroz tão separado

Da piedade atroz do nosso passo

Ressuscito as ideias deste pó

Alguém vela não me acho agora só

Pra soar o meu canto livremente

Pelos cantos retiro o contracanto

Pro infinito meu canto canto

É meu brado sincero simplesmente.

A paixão na carne

As palavras se fazem guiar

Na lâmina de papel vazia

Eleva o sentimento a expirar

O canto rude d'alma vadia

A voz se faz carne na paixão

Ardente no acaso sombrio

Emudece a dor sofreguidão

Errada nas linhas do vazio

Pesar que a luz do tempo esmera

A tez recôndita que encerra

No papel o traçado canto

Verso ao vento solto ecoa

Tangida a brisa ao longe soa

O sopro que traduz o pranto

Alma sentida

Palavras sentimentos rotos

Escorregam na boca o canto

Passado livre versos soltos

No tempo veloz desencanto

Lembranças de outrora saudades

Murmuram no fundo a ferida

Pegadas nas nossas vaidades

Cruel semblante na partida

Fúria do tempo que em relevo

Emudece a alma em segredo

A aflição perene aturdida

Desliza no tempo a vida breve

Cala na voz o encanto leve

Da paixão algoz reprimida

A lágrima e o lenço

Do rosto uma lágrima desprende

Pesada no ar na face escorre

A lembrança de alguém ausente

Na frágil alma a dor percorre

A alvura da mão eleva

Um lenço de papel ao rosto

Encharca-se ao toque d'aquela

Algoz do pensamento o roto

Consumindo a vida carrega

As horas o tempo esmera

A glória e o louvor da partida

À pressa de chegar aumenta

O tempo que a dor atormenta

Borra o lenço na despedida.

Sobre o Autor

Professor da pós-graduação da Faculdade de Educação da UFC. Pesquisador, ensaísta e poeta.