Arte Cearense

Pintura de Fernando França

Sem Título

O artista plástico percorre, com a mesma desenvoltura , os desafios do desenho e da pintura. Desenhista e pinto. Dono de uma expressão substancialmente diversificada, sempre surpreende por seus desafios. É, também, mestre em literatura brasileira pela UFC

Poemas de Virgílio Maia

Soneto 18

Ao primeiro propor de passarinho,
Rosando a aurora se anuncia prosa
Às Gerais todas que é o sol agora
Delta de fogo sobre campo branco.
Estala, sã romã, quando é a pino
Na sementeira arcaica da risonha
Vila da Manga onde ainda sonha
Um trisavô titã calado e franco.
Aquenta o pequenino Cambuí,
Polindo metonímias nas sublimes
Alturas gaviãs dessas montanhas.
Baixa, depois, aos adros do nadir,
Para atestar as meio inverossímeis
Caravelas-de-bois de Mar de Espanha.

Soneto 19

São óleo sobre tela as cores mil
Que habitam cada canto da Canastra;
Aram vindo e voltando essas araras
Imaginado alqueire rente ao rio.
Àquela altura se despedem as águas,
Frondosas chuvas sobre chão mineiro;
Apruma rumo à sede o Chico velho
E vai o Araguari crescer o Prata.
O azul tonteia fundo na aquarela
Posta postal nos panos da paineira
Desde o encanto europeu de Saint-Hilaire.
Aos olhos para ver a Serra brinda
Vertente após vertente a quem quiser:
Os belos horizontes miram Minas.

 

Soneto 20

Dizer, de nós, a perda da safira,
Pedra de nosso par naquele vau,
Quando mão pegou mão e cada qual
Para o outro foi festa e fantasia.
O teu mapa foi meu na travessia,
Mas teu fitar de verde e reservado
Foi para mim apenas desnudado
Num papel da matriz de Itacambira.
De lá, de ti doçura de certeza
Louvo no escapulário onde carrego,
Exibindo e escondendo, pra depois,
O brinquedo da caça mais a presa,
Danados danos que me deixam cego:
Por inteiro ser teu, mas ora pois.

Soneto 21

Num formoso recanto das Gerais,
Famoso para além do Sul de Minas,
Em Pouso Alegre há verdes sem iguais
Estampados no verde das colinas.
Risonhos rios rumam mansos quais
As procissões mineiras peregrinas:
Sobe o Sapucaí aos cafezais
Entre manhãs rendadas e neblinas.
À moda dos avós, em contrição
Se benze ainda Pouso Alegre com
Toda fé e fervor postos a nu.
E às contas do rosário uma canção
Debulha e eleva consagrada ao Bom
Jesus do Matosinhos do Mandu

Sobre o autor
Membro da Academia Cearense de Letras, dedica-se, também, ao gênero crônica a ensaios