Arte Cearense

Pintura de Claudionor

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Sem Título

José Cláudio (Claudionor) Nogueira tem sua origem artística na chamada Escola do Pirambu, grupo artístico que seguiu os passos de Chico da Silva e que movimentou o cenário cultural do Estado nos anos 1970, além de conseguir repercussão internacional

Sobre o autor

Nasceu em Limoeiro do Norte. É membro da Academia Cearense de Letras e pesquisador cultural

Poemas de Virgílio Maia

Alvenaria

Sobre pedras se eleva este soneto,

Em trabalhosa faina alevantado,

As linhas definidas no traçado

Da perfeição do prumo e nível reto.

Dentre tantos eleito, põe-se ereto

Rima por rima, embora recatado;

Ao martelar do metro faz-se alado,

Opondo ao som a luz deste quarteto.

Sobre andaime de verso e de ciência

Necessário a erguer prova tão dura,

Deixa o pedreiro, alçado, o rés-do-chão.

E sobranceiro ao mundo, àquela altura,

Vai concluir, com brava paciência,

A obra em que balança o coração.

Cata-vento de brinquedo

De extinto cacimbão o cata-vento

Puxa ao meu rosto as águas de outra idade.

Ele é só um brinquedo, mas vale

Pelas recordações que guardo dentro

Do menino que mora aqui ao lado,

E sabendo de cor a cor dos ventos,

Tem na ponta da língua, decorados,

Uns gestos infantis de cata-ventos.

Flandre e ferro somados pela solda:

Sendo brinquedo, brinca no jardim,

À brisa mais maneira já se alegra.

Brinca sem compromisso, roda e roda,

Se fingindo irrigante desta terra,

Num faz-de-conta de aguar jasmins.

Fotos

Deste antigo retrato, com firmeza,

Meu avô me interroga bem de perto,

Com aquela usual branda aspereza

Que criança, me punha em desconcerto.

Na lapela, uma flor, que ele por certo

Deixou emurchecida sobre a mesa

E do alto colarinho o branco aperto

Incomodava-o um pouco, com certeza.

Tendo ao lado meu pai, que é filho seu,

Certamente renovam velhos planos

De terra e gado, açudes e destino.

No fervor de seus vinte e tantos anos,

Miram-me, mais novos do que eu,

E assim mesmo, para eles sou menino.

Ilumiara

Quem pintou essas pedras no Sertão,

Nessa tinta que nunca mais se apaga?

E para quem nosso ancestral pintava

Brutas cenas de caça e aquela mão?

Tais secretos mistérios estarão

Insondáveis nas cores dessas aras:

Candelabros ou onças vermelhadas,

Mais figuras que seguem em procissão.

Contou-me um dia uma mulher velhinha

Que numa noite escura el a passou

Se benzendo de medo pela Pedra.

E viu, jurou que viu, vinha sozinha,

Que o enorme Gavião se desgarrou

Da pintura, gritando feito a Fera