Arte Cearense

Pintura de Cláudio Cesar

Sem Título

Cláudio Cesar dedica-se à pintura, à escultura e ao desenho. Reside em Fortaleza desde 1994, ocasião em que abandonou a advocacia para dedicar-se, integralmente, às artes plásticas. Uma de suas singularidades é a busca permanente da pesquisa estética

Poemas de Carlyle Martins

A Ninfa

No bosque silencioso em que se inflama

O alto sol e onde as árvores em torno

Se condensam, formando implexa rama,

Passa um corpo de Ninfa, esbelto e morno.

É noite. Um luar de opala se derrama...

Nas clareiras, a Ninfa, - excelso adorno - ,

Teme um Sátiro audaz, de olhar em chama,

Que a persegue dos lagos no contorno.

Corre a Ninfa sutil no ermo do bosque

Através da intrincada ramaria,

Embora o mato às pernas se lhe enrosque,

Fugindo ao capro, célere recua:

- Do olhar mostrando a fulva pedraria

E o sereno esplendor da carne nua.

A Loucura do Nosso Amor

"Áurea! Vamos andar pelos caminhos,

Por entre o matagal aberto em flor,

Escutando as canções dos passarinhos

E entoando os madrigais do nosso amor.

Vamos ouvir a música dos ninhos,

Diante de um céu de vívido esplendor,

Sempre a evitar as serpes dos espinhos

Na doçura de um sonho encantador

Ainda que um dia fuja, seguiremos,

Unificados dos grilhões supremos,

Sob as bençãos do céu, todo em clarão.

E vendo-nos, ao luar de estranhos brilhos,

De mãos dadas, aos beijos, nossos filhos

Dirão que enlouquecemos de paixão."

Boiada

Verde largo é o sertão! No claro firmamento

De um azul de safira, alto, esplêndido e lindo,

O sol é um dardo de oiro. E, num tropel violento,

Passa ao longe a boiada, entre poeira, mugindo.

Tudo quieto ao redor. Em passo tardo e lento,

No áspero desdobrar do caminho ermo e infindo,

À canção do vaqueiro, os bois, em movimento,

Vão vencendo a distância e, em tumulto, seguindo

Ficou longe a fazenda! E os bois, de olhos doridos,

Irmanando-se à paz da imensa natureza,

Têm saudades, talvez: - soltam fundos mugidos...

Vendo-os, quanta amargura o espírito me invade!

- Sinto que esse mugir, de profunda tristeza,

Quer dizer, mas não pode, o que seja a Saudade!

Num lindo sonho

Que mágoa me desperta a visão do sol posto,

Quando o dia começa a desaparecer.

Infinita saudade e profundo desgosto

Invadem, pouco a pouco, as fibras do meu ser!

Vão tremendo, ao palor da tarde azul de agosto,

As rosas do jardim, a murchar, a morrer...

Pressinto então que o pranto escorre no meu rosto,

Ante a Desolação... A Sombra...O Entardecer...

Nessa hora vesperal, em que há treva nos montes,

Vincente de Carvalho, Anto' Nobre e Hermes Fontes,

Como setas de luz, descem por sobre mim...

E eu fico, todo unção, de mãos postos, de joelhos,

Num êxtase de amor, ante os cravos vermelhos,

Como em prece votiva, a sonhar, no jardim.

Sobre o Autor

Carlyle Martins (1899 - 1986) cultivou a estética parnasiana, destacando-se como pintor de paisagens