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CÓLERA E DENGUE

Doenças denunciavam falta de saneamento

30.12.2006

Duas doenças atormentaram os cearenses na virada das décadas de 1980 para 1990: cólera e dengue. O dengue acometeu os cearenses em 1986, atingindo o tipo hemorrágico em junho de 1994, quando a doença foi considerada fora de controle pelas autoridades.

Em 1991, foi a vez da cólera, doença hídrica e de alta letalidade. A epidemia se instalou no Brasil em 1992, durando até 1994, época em que Fortaleza registrou 70% do total nacional dos casos da doença - 9.970, contra 13.679 registrados no País, até fevereiro daquele ano.

O vibrião colérico encontrou terreno fértil no País, devido à falta de saneamento básico nos centros urbanos, tendo como principal porta de entrada a região amazônica. Em maio de 1994, surgia o primeiro caso suspeito de cólera no Nordeste, sendo confirmada em dezembro uma epidemia, registrando seis mil casos com 54 óbitos.

No dia 24 de dezembro, dois cearenses têm diagnósticos confirmados de cólera. A situação se torna ainda mais grave com a descoberta de 43 casos da doença entre detentos do IPPS.

DADOS

70% de casos de cólera do País aconteceram em Fortaleza no ano de 94

OPINIÃO DO ESPECIALISTA
ANASTÁCIO DE QUEIROZ SOUZA *

O dengue vai continuar por muitos anos

O desafio de conter o dengue, doença que se arrasta no Estado desde 1986, é grande. Diferente da epidemia da cólera, cujo surto aconteceu em 1992 e foi contido de maneira relativamente fácil.

As duas doenças dependem das condições de vida da população e têm relação com a água. O dengue, doença que apareceu sob forma hemorrágica em 1994, promete permanecer por muitos anos. No caso da cólera, sua entrada foi súbita, pelo Interior, mas é preciso ficar sempre vigilante. O cuidado com a água é a principal medida profilática. O controle da cólera mostrou que, apesar dos problemas de abastecimento no Estado, a água consumida pela população é de boa qualidade.

*Ex-secretário de Saúde do Estado




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