Dia das Mães

União de amor

Doula, fotógrafa de parto e voluntária num grupo de adoção revelam os prazeres e as alegrias em ajudar mulheres a se tornarem mães. A ação envolve muito afeto

O trabalho da doula envolve dar apoio à mãe durante a gravidez, na hora do parto e nos primeiros meses do bebê ( Foto: Roberta Martins )
00:00 · 13.05.2017 / atualizado às 01:19 por Carol Kossling - Repórter
A fotógrafa Roberta Martins registra os primeiros momentos de vida do bebê ( Foto: Roberta Martins )

Na maternidade há muito amor envolvido e não apenas entre as mães e os filhos. Algumas pessoas optam, de forma profissional ou voluntária, por dar apoio e assistência para mulheres que querem se tornar mãe biológicas ou adotivas. São lembranças e afetos que ficam guardados para sempre na memória e, também, no coração.

Há três anos a psicóloga, Krys Rodrigues, decidiu ser doula, uma assistente de parto que acompanha a gestante durante a gravidez e os primeiros meses do pós-parto com o objetivo de proporcionar bem-estar à mulher nesta ocasião ímpar. 

“É um trabalho que exige vocação e disponibilidade. Nunca se sabe a hora que começa e nem quando termina um parto”, destaca.

Ser doula também exige esforço e equilíbrio, tanto físico quanto emocional. Ela promove encontros individuais e coletivos com a mulher e a família antes do parto. 

“Fico disponível nos meios online para dúvidas e desabafos. No dia do trabalho de parto uso os métodos não farmacológicos de alívio da dor para diminuir os desconfortos e também o apoio emocional para a parturiente e seus familiares”, conta. 

E após o bebê nascer, ajuda no primeiro vínculo, estimulando o contato pele a pele e a também a mamada na primeira hora de vida. 

Ela escolheu a atividade pelo seu próprio processo de gestar e parir. Krys é mãe do Iago de quatro anos. 

“Na gestação conheci a realidade obstétrica do nosso País, especialmente do Ceará. Tive muita dificuldade em encontrar um obstetra que apoiasse o parto normal e precisei utilizar um hospital da rede pública. Consegui parir meu filho com o mínimo de dignidade por estar bem informada. Meu parto despertou o desejo de ser doula e contribuir para a mudança dessa realidade”, descreve.

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Elaine Oliveira, da ONG Acalanto Fortaleza, ajuda mulheres a se tornarem mães por meio da adoção

Hoje, para dar apoio às mulheres que desejam se tornar mães, realiza com outras pessoas rodas de gestantes e famílias de forma gratuita e aberta que acontecem todo primeiro domingo de cada mês no Instituto Gaia. Ela também é moderadora dos grupos de parto humanizado no Ceará e do Grupo Criação com Apego em Fortaleza. 

Entre os casos que acompanhou e ficaram marcadas na sua mente e no coração é de uma família na qual ela acompanhou o parto domiciliar da mãe, meses depois o parto hospitalar da filha dela de 15 anos e alguns meses depois da outra filha de 18 anos. 

“Esta pariu no hospital em que eu pari meu filho, mas não permitiram minha entrada como doula. Porém ela foi respeitada e teve seu parto humanizado. Ver isso acontecendo após meu parto, me deixou muito feliz”, conta

Imagens

Roberta Martins também é doula, mas optou por ser fotógrafa e vídeomaker de partos e de família. 

Ela decidiu por ter sua filha, Teodora, de parto normal e começou a se interessar pelo parto respeitoso. Pesquisou e todas as fotos que encontrou sobre o tema eram produzidas no Sul e no Sudeste. “Não vi nada similar no Ceará. Tinha a fotografia como hobby, me especializei e desde 2014 registros os partos”, declara. 

Roberta faz parte de um pequeno grupo de fotógrafas no Brasil que se especializou na área e é membro do Portal Hora Dourada e da International Association of Professional Birth Photographers.

Ela considera indescritível o trabalho de registrar partos. “É a pessoa poder saber, no futuro, como chegou ao mundo. São muitas energias envolvidas, é uma explosão de amor”, ressalta. 

Além de acompanhar partos normais, ela também fotografa cesarianas. “Respeito a escolha da mulher e ela que decide como quer receber o filho”, afirma. 

Roberta consegue captar e deixar gravado sensações e sentimentos, como as dores, as contrações, o primeiro olhar, o cheiro, o abraço, e o alivio de ter que conseguido trazer a criança ao mundo.

“Toda vez que faço as fotos me emociono. Quando parar de me emocionar eu desisto. Tem muita coisa envolvida. O engraçado é que as mães comentam que não me enxergam na sala”, diz. 

Nestes três anos, já foram mais de sessenta partos. Entre eles um bem especial de uma cliente que virou amiga. 

“Ela olhou para mim e, diferente da maioria, me viu. Pegou na minha mão, pois a doula tinha se afastado, e ela me abraçou, eu segurei firme e dei apoio como mulher, como doula”.

Filho do coração

A fundadora da Acalanto, organização não-governamental que auxilia no processo de adoção, Eliane Oliveira, teve a iniciativa de apoiar pessoas interessadas na adoção quando estava adotando sua filha Raissa.

“Na época que iniciei a jornada não encontrei em Fortaleza apoio nem informações seguras dos profissionais ligados a ação. Por meio da amizade que nasceu com uma mulher solteira, que pleiteava uma adoção também e outras duas voluntárias da instituição de acolhimento de minha filha, fundamos a Acalanto Fortaleza”, informa.

Eliane conta que o grupo entendeu que tinha que se empenhar. Então, por outras pessoas que desejavam colaborar com a causa ou que desejavam formar uma família por meio da adoção. E a quatro anos surgiu a entidade.

“Trabalho voluntariamente atendendo de forma acolhedora também mulheres que expressam seu desejo de adotar um filho mediante as exigências da lei para ter a garantia e segurança necessária para nunca mais se separar de seu filho”, conta. 

Elas recebem mulheres com dúvidas, com fantasias, com medos, com expectativas e vão, por meio do diálogo fraterno, buscar tornar realidade o desejo de ser mãe.

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