Zona Cyber

Twitter está na roda-viva

01:34 · 24.05.2008
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Da internet direto para a TV. Sob o olhar crítico dos blogueiros, bate-papos online agora acompanham os bastidores do programa Roda Viva (TV Cultura) e criam um jeito diferente de interagir com o público

A multiplicidade de combinações entre interatividade e internet pode causar impacto em muita gente que sofre os efeitos diretos e indiretos da era digital. Foi apostando nessa sintonia que a TV Cultura teve a idéia de convidar ´tuiteiros´ para participar da transmissão do programa Roda Viva, exibido nas segundas, às 22h40.

Ah, você não sabe quem são os ´tuiteiros´? Explico. São pessoas que publicam assuntos variados na net, como em um blog, o Twitter (twitter.com), porém estão limitadas a 140 caracteres somente. Tarefa nada fácil, mas a equipe do Roda Viva aceitou o desafio e, desde o dia 12 deste mês, montou um espaço reservado no estúdio para que esses comentaristas virtuais, além de acompanhar os bastidores das entrevistas, postassem, instantaneamente, todas as impressões que tivessem do programa.

Assuntos de sobra

Tema para bate-papo no twitter é o que não faltou. Lúcia Freitas (ladybugbrazil.com), jornalista aficionada pelo mundo dos blogs, marcou presença na estréia dos ´tuiteiros´ na TV Cultura, juntamente com os colegas de blogagem Pedro Doria e Leandro Gabriel. Ela foi parar nessa aventura inesperadamente. ´Me chamaram e fui´. Lúcia revela que o convite para o programa veio de funcionários da emissora afinados com a comunicação virtual. ´As escolhas são feitas pelos responsáveis do Núcleo Digital da Cultura. Eles estão presentes na roda dos blogueiros e convidam as pessoas que eles conhecem´, revela.

Entrevista com ministro

Quando chega a hora fatídica do ´gravando-ação´, três ´tuiteiros´ já devem estar posicionados e prontos para dar início ao bate-papo na rede. No dia de Lúcia, a entrevista era com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge. ´A TV convida pessoas que participam do Twitter para ficar lá em cima da bancada. A gente não pode fazer perguntas. Só assistimos à entrevista´. E acrescenta: ´não há censura de conteúdo, no entanto, não podemos fazer barulho, tirar fotos durante o programa e nem transmitir a pergunta de quem está conversando com a gente´, explica. A blogueira comentou no Twitter, por exemplo, o desconforto do ministro na cadeira.

Inovação na TV

Sobre a experiência de narrar o Roda Viva, Lúcia mostra a importância dessa inovação para os telespectadores. ´Você não tem só a visão do câmera, mas, sim, três pares de olhos que estão vendo outras coisas e não são dirigidos pelo diretor. É como se aqueles espectadores ganhassem voz. Por exemplo, enquanto o ministro falava do etanol, discutíamos se isso seria bom ou não para o meio ambiente´.

Laços mais estreitos

A jornalista ressalta a iniciativa da TV Cultura em estreitar, ainda mais, a relação do programa com o público através da transmissão imediata do conteúdo do Roda Viva a partir de um olhar externo. ´A Cultura foi bastante corajosa. Geralmente, os veículos de comunicação não têm coragem de abrir uma participação à audiência, que é tratada de forma passiva. É por isso que a Cultura foi democrática, já que deu oportunidades a todo mundo. Apesar de ser três tuiteiros de cada vez, toda semana serão novos convidados, pessoas variadas da twittosfera que pensam e falam diferente´, conta.

Lúcia faz questão de dizer que não existe ligação entre empresa e tuiteiros. ´Nós não somos veículos de comunicação da Cultura, mas convidados. As perguntas têm de ser feitas pelo telefone ou e-mail do programa´.

Em casa ou no estúdio

Quanto ao segundo programa acompanhado pelo faro dos blogueiros, exibido nesta semana (20), em que o entrevistado foi o coreógrafo Ivaldo Bertazzo, Lúcia confessa não existir muita diferença entre estar no estúdio ou em casa. ´Não fui ao programa, mas participei da mesma forma. Estava com a televisão ligada e comentava, na mesma hora, sobre o que estava rolando´.

Para a tuiteira, a implantação do feedback virtual imediato por outras emissoras não é tão simples assim . ´As emissoras tradicionais não têm grande interesse na mídia digital, porque é pulverizada e eles não conseguem medi-la. O digital exige um investimento nas estruturas de comunicação, onde, muitas vezes, não há recurso nem gente qualificada´, desabafa. Em contrapartida, Lúcia diz que a TV Cultura investe em tal inovação porque é mais descentralizada. ´A Cultura sempre foi e sempre será um grande laboratório. Ela tem espaço para se experimentar. Não depende de uma viabilidade econômica´.

A jornalista, apesar de admiradora, é bastante realista quanto ao Twitter: ´ele é uma vanguarda, mas é instável. Se um dia for se tornar voltado para a massa, vai ser com o tempo´.

Edgel Joseph
Portal Verdes Maresl

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