Comportamento

Treinadoras do 'Girl Power'

Conheça as histórias de superação de duas cearenses especialistas em inspirar e orientar mulheres na busca de uma vida com mais autoestima e autoconfiança

00:00 · 26.11.2016 por Sérgio Ripardo - Repórter
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Manu saiu do Ceará e foi atrás de seu sonho de estudar fora. Hoje ela vive nos EUA como "coach"
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O termo em inglês "Girl Power" se popularizou como tradução de "garotas no poder" ou "empoderamento feminino", expressão que também invadiu o debate político e intelectual nos últimos anos, acompanhando a força dos coletivos que reivindicam a igualdade de direitos entre os gêneros e o fim da violência física ou psicológica contra as mulheres, ocupando cada vez mais espaço no cotidiano.

Outra palavra que despontou nesse movimento mundial é "sororidade", que significa "a união e aliança entre mulheres, baseado na empatia e companheirismo entre elas, em busca de alcançar objetivos em comum".

Nesse contexto de maior atuação feminina contra problemas antigos como o machismo e toda forma de preconceito, ganha destaque o trabalho de mulheres engajadas em multiplicar o "Girl Power" na vida prática por meio de consultorias, aconselhamentos e orientações sobre como se libertar das amarras que prendem as meninas a sentimentos negativos de baixa autoestima, de ausência de autoconfiança e falta de foco e de iniciativa na renovação de seus projetos de vida.

O Zoeira conversou com duas especialistas em iluminar o difícil caminho rumo ao "Girl Power".

Internacional

A jornalista Emanuella Maria é "coach" (treinador profissional) de autoestima e superação. Em 2010, Manu lançou o blog Ambiente Vistoriado (ambientevistoriado.Com) quando deixou Fortaleza para fazer mestrado em Washington, em uma das 10 melhores universidades dos Estados Unidos, a Georgetown University.

"Eu sentia falta de escrever em português, dividir um pouco mais da minha vida no exterior e falar pras pessoas que sim, sonhos impossíveis se tornam em realidade", conta a coach ao Zoeira.

Durante o mestrado, ela conheceu um americano, se apaixonou e casou. Mas depois de quatro anos juntos, quando estava se preparando para dar passos maiores no relacionamento, o casal decidiu se divorciar. "Mas graças ao meu divórcio, fui procurar respostas e participei de um processo de coaching, que foi um processo de autoconhecimento muito intenso que mudou minha vida. E a partir daí, dei passos rumo à descoberta do meu propósito: empoderar mulheres a ultrapassar paradigmas limitantes, conectando-as ao autoconhecimento e autoestima", afirma Manu.

Ela vem de uma família de classe média baixa, chegou a estudar em escola pública, começou a trabalhar com 17 anos e sempre sonhou em morar e trabalhar no exterior.

"Para a Manu tímida e fechada, que cresceu na Maraponga, isso parecia um sonho distante, mas quando mudei a forma de me ver e me transformei na Manu autoconfiante, com a autoestima elevada, tudo era possível. Então quando meus sonhos começaram a se realizar vi o blog como uma oportunidade de incentivar e inspirar outras pessoas", explica a jornalista, que também escreve para o site Huffington Post Brasil.

Inspiração

Hoje seu público é 96% feminino, jovens entre 24 e 42 anos que moram no Brasil e no exterior.

"Minhas leitoras são fieis e tenho seguidoras que me acompanham há alguns anos. Eu acredito que tenho o talento de escrever, então os textos acontecem naturalmente, sempre ando com caneta e papel na mão e quando a inspiração vem gosto de rabiscar as ideias em qualquer lugar, em um café, numa viagem...", relata a blogueira, que registrou mais de 74 mil visitas em um mês e tem cerca de 6.400 inscritos em sua newsletter semanal.

A busca pelo "Girl Power" exige das meninas muita paciência e determinação para driblar as dificuldades e encarar os desafios do mundo.

"Não foi um caminho fácil, tive que ralar um bocado até chegar onde estou. Tive dificuldades com a língua estrangeira, trabalhei em padaria e de babá para família americanas, mas eu sempre tive uma visão e claridade do que eu queria. Meu foco era ser fluente no inglês, estudava cinco horas todos os dias", recorda.

Ela acredita que qualquer indivíduo pode descobrir sua missão de vida e ter mais prazer com o que faz e com o lugar em que vive.

"Todo nós podemos mudar nossa vida em qualquer ponto e redirecionar a rota para viver novas oportunidades todos os dias, não existe idade ou época certa", prega a coach cearense.

Autoestima

Lu Carvalho também se dedica ao coach voltado para mulheres em Fortaleza. Ela já trabalhava como consultora de estilo quando percebeu que algumas clientes também se sentiam inseguras com o própria imagem. Não bastava montar looks, renovar o guarda-roupa nem adotar novas rotinas de cuidados pessoais. Era preciso trabalhar também as emoções e crenças de suas clientes, sem prometer mudanças rápidas nem milagrosas.

"O coach não resolve nem cura problemas como depressão, pânico, nem distúrbios alimentares. Para isso, há psicólogos e outros especialistas. O coach apenas ajuda a pessoa a entender o ponto atual em que se encontra e a traçar estratégias de como atingir suas metas", define Lu, que apresenta seu trabalho nas redes sociais e no site www.Lucarvalho.Net.

Sua história pessoal também é inspiradora. Ela descobriu sua paixão pela moda quando era criança na loja da mãe no Shopping Iguatemi, onde se sentia bem arrumando as clientes. Lu cresceu, fez faculdade de design de moda, se especializou e acabou indo trabalhar com marketing em uma multinacional de eletrodomésticos, morou na Espanha e há cinco anos retornou ao Brasil.

Na avaliação da coach, empoderar uma mulher é auxiliá-la a se sentir melhor, a explorar seus potenciais infinitos e a despertá-la para alta performance de duas ações e decisões. "A metodologia vai depender de pessoa para pessoa e dos seus objetivos. No padrão geral, são de oito a 12 sessões que duram de 1h a 1h30", detalha Lu.

Já a consultoria de estilo é realizada em quatro sessões, além de visitas à diversas lojas com o objetivo de adaptar o novo vestuário à também nova fase da cliente.

Autoconfiança

"Importante é a adequação da imagem: a mulher se olha no espelho e vê refletido aquilo que ela sente por dentro: uma mulher mais confiante, com mais autoestima, poderosa", resume a coach.

Uma dos segredos desse trabalho é o visagismo, ou seja, um conjunto de técnicas usadas para valorizar a beleza de um rosto pela harmonia entre a maquiagem, penteado, as roupas e as posturas corporais.

"Um novo corte de cabelo pode, por exemplo, disfarçar pontos fracos do visual e a valorizar os pontos fortes do rosto", diz.

Outro aspecto da busca do "Girl Power" é aprender a separar ilusão de realidade, mantendo o amor próprio e os pés no chão, evitando idealizar relacionamentos ou ter expectativas exageradas em relação às pessoas e ao mundo.

Nesse esforço de fortalecer a autoestima, a especialista alerta: é preciso não se comparar com as "vidas felizes editadas" que são exibidas nas redes sociais e que fazem homens e mulheres se frustrarem com seus cotidianos problemáticos.

"Todo mundo busca se sentir feliz e amado. Mas a vida real não tem filtros", resume.

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