Zona Cyber

Sou pop. Tenho uma ´comu´

01:38 · 06.12.2008
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Convenhamos... É irresistível acessar a internet sem ´dar uma espiadinha´ no Orkut. Conferir os recados, as fotos e por que não adicionar e criar comunidades? E quando a ´comu´ é feita para você, melhor ainda

Atire a primeira pedra quem nunca adicionou uma comunidade no Orkut (http://www.orkut.com) dedicada a alguém bem próximo, como um amigo, ou até mesmo um professor. No universo azul, são incontáveis as páginas intituladas ´Eu conheço ...´, ´Adoro ...´ e ´Sou fã de ...´. Afinal, ser homenageado por outra pessoa, a partir de uma comunidade feita somente para você, mais que um simples ´point´ para os amigos é uma verdadeira prova de amor. E uma viagem na galáxia dos egos em que a internet tem se transformado.

Depois de vários acessos aoOrkut, o Zona Cyber desta semana encontrou três aficionados pelo mundo virtual, que, além de adicionarem todo o tipo de comunidade, são adicionados (pode-se dizer assim) por quem os admiram. Então, vamos conhecê-los agora.

Querido professor

Já pensou 1.499 alunos bastante atentos, por horas, emuma aula de física? Pode-se até dizer que é impossível. Quer dizer... No mundo real, não, mas, no Orkut, claro que isso acontece. Duvida? Pois acesse a comunidade

´O que o Ulisses não sabe?´, em homenagem ao professor de Física Ulisses Sampaio Castro, 36 anos. Lá, são discutidos os mais diversos temas relacionados às ciências (não somente a Física). Os alunos e ex-alunos deixam, nos ´Tópicos´, perguntas das mais mirabolantes e ainda aproveitam a ferramenta como sistema eficiente de aprendizado, arquivo de consultas e fórum de debate.

´Tem aluno que é difícil de ser notado em sala de aula, mas, na comunidade, torna-se mais assíduo. É um prêmio, massageia o ego mas não deixa de ser um desdobramento do que acontece em sala´, conta o professor, hoje dono da comunidade, antes criada por um ex-aluno. Vale ressaltar que o contato extraclasse com os estudantes sempre foi considerado importante.

Anteriormente à comunidade, Ulisses costumava usar um mensageiro instantâneo. ´Discutimos tudo sobre ciências. Perguntam, por exemplo, o porquê do arco-íris ser redondo, sem contar que eles ainda pedem indicações de leitura´, declara. E se já houve problemas que desestabilizassem a comunidade, o professor responde: ´No início, aconteceram confusões, mas, agora, é bem claro o objetivo da comunidade´.

Amiga exemplar

Já que o assunto é comunidade pessoal, nada mais justo que os amigos sejam os homenageados. Foi isso que aconteceu com a estudante de Publicidade Karla Brito, de 21 anos. Ela é tão querida pelos amigos que pode se orgulhar das duas páginas em seu nome: ´Eu amo Karlinha Brito´, criada por uma amiga, e ´Karla Brito Rocks´, de autoria da própria mãe (coruja e muito!). Mas, não foi à toa que as páginas surgiram. Por trás de tudo, havia um motivo para lá de especial. Quer saber?

Quando a primeira comunidade foi feita, Karla estava morando nos EUA. Para compensar as saudades, ela acessava sempre o Orkut. ´Era meu elo de comunicação com o Brasil e saciava minha necessidade de ter contato com meus amigos´, afirma. Quando perguntada se faria uma comunidade para si, Karla é categórica: ´Eu acho que comunidade tem que ser dada, afinal cada um já tem um perfil (página pessoal do Orkut) para falar de si´. Faz sentindo.

Futebol na área

Diferente das outras duas, que são exclusivas de uma única pessoa, a ´Imigrantes Futebol Clube´ é uma ´comu´ dedicada a um time de futebol. Idealizada e posta em prática pelo administrador Marcelo Gondim, 23, a ´Imigrantes´ veio para unir um grupo de amigos da cidade de Aracati que vieram estudar em Fortaleza. (É por isso o nome ´imigrantes´). E qual o motivo principal da existência comunidade? Não perder o contato, a amizade e manter os famosos ´rachas´ masculinos de final de semana, é claro.

´Primeiro, criamos o time, que leva o mesmo nome da comunidade - Imigrantes Futebol Clube (IFC), daí passou a existir a necessidade de se comunicar, informar as datas dos jogos, as reuniões de amigos. Foi quando surgiu a comunidade´, diz Marcelo. Uma prova de que o real e o virtual podem se manter em equilíbrio.

Hoje, a comunidade tem 90 membros, entre os jogadores do IFC, as respectivas namoradas, as ´ imigretes´, além dos amigos que continuam em Aracati. ´A comunidade do time uniu amigos que viviam numa cidade de menos de 100 mil habitantes que se mudaram para uma de mais de 3 milhões e sentiam a necessidade de ver que a vida que levavam ainda existia mesmo distante de casa´, diz Marcelo que hoje se divide entre as duas cidades.

A comunidade do IFC também facilitou a adaptação do garoto em Fortaleza, como tambéms servirá de apoio para os próximos amigos que estão de malas prontas para se mudar pra Capital, conhecidos como ´new generation´. São nos tópicos que eles trocam experiências e dicas (ou points) para quem quer se enturmar .

A verdade é que esse ponto de encontro virtual, com amigos e interesses afins, não teria melhor definição do que uma ´comunidade´, espaço em comum que une seus membros.

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