Entrevista

Reviravolta profissional

Mais intensa e madura, Gabriela Duarte diz que sua personagem de "Orgulho e Paixão", trama das seis da Globo, chegou na hora certa. Atriz fala sobre sua trajetória

00:00 · 14.09.2018
Gabriela Duarte
Gabriela Duarte vive Julieta, a primeira vilã de sua carreira que iniciou no fim dos anos 1980 ( Foto: João Miguel Junior/ Globo )

Com um passado marcado por violências e traumas, Julieta ganhará um novo respiro nos próximos capítulos da novela, que acaba em 24 de setembro. A mudança no visual da Rainha do Café será discreta, mas vem como símbolo de uma transformação conquistada por meio do amor que ela descobriu sentir por Aurélio. "Julieta passou a enxergar o mundo sob outra ótica. Soube conter a autodestruição e o estrago que estava causando ao seu redor. Acho bonito. É uma transformação muito interessante e inspiradora", afirma Gabriela Duarte.

Julieta começa a trama como uma mulher dura, vaidosa e de personalidade forte. Fica viúva muito jovem e precisa assumir as dívidas do marido. Com grande faro para os negócios, transforma seus encargos em um império e é chamada por todos de Rainha do Café. Se por um lado é influente e respeitada, por outro guarda um segredo e uma dor muito grande: seu filho, que criou sozinha, é fruto do estupro que sofreu do marido. A relação dos dois sempre foi difícil por conta dos bloqueios emocionais da mãe.

A cena em que Camilo (Maurício Destri) descobre sua origem foi ao ar recentemente e emocionou o público. O jovem se passou por um padre dentro do confessionário e ouviu as revelações da mãe sobre o passado. "Nessa relação de mãe e filho, eles não conseguiam se encontrar. Era uma relação doente, sem transparência, que conseguiu ser resgatada. Ele acabou descobrindo a verdade da pior forma possível", comenta Gabriela.

Força

Primeira vilã dos seus 30 anos de carreira, a personagem Julieta surgiu em um momento crucial para que Gabriela Duarte colocasse toda a sua intensidade, maturidade pessoal e profissional para fora.

"Ela veio em uma hora em que eu estava vivendo coisas muito fortes. A maternidade muda tanto a gente, dá experiência, um olhar novo. Fora isso, teve uma questão profissional de querer me colocar mais à prova em relação ao que o público esperava de mim", conta.

Casada com o fotógrafo Jairo Goldfuss, ela é mãe de Manoela, 12 anos, e Frederico, 6 anos. Os dois anos em que morou em Nova York com a família também contribuíram para o seu amadurecimento. Sua última aparição em uma novela havia sido em 2016, em "A Lei do Amor", de Walcyr Carrasco.

"Tivemos uma proposta profissional para o meu marido que era interessante e eu estava em um momento de querer puxar o freio de mão em vários aspectos. Foi uma oportunidade de olhar mais para mim mesma como atriz, pessoa, mulher e também para proporcionar uma experiência aos meus filhos diferente do que eles estavam acostumados. Foi enriquecedor", conta.

Maria Eduarda

A estreia de Gabriela Duarte na TV foi em 1989, na minissérie "Colônia Cecília" (Band). No mesmo ano, atuou na novela "Top Model" (Globo). Em 1997, conquistou grande projeção com a mimada Eduarda, de "Por Amor" (Globo). O papel gerou controvérsias, polêmicas e rendeu à atriz a alcunha de chata por muito tempo.

"Maria Eduarda teve uma repercussão grande. Eu ainda não tinha um histórico, o público não me conhecia direito e acreditou que eu era aquilo de verdade. A TV faz isso, né?"

A redenção veio anos depois, em 2010, na novela "Passione" (Globo). Com o papel da cômica, ciumenta e ninfomaníaca Jéssica, ela conquistou elogios da crítica e do público.

"Acho que Jéssica e Julieta foram duas personagens icônicas da minha carreira de formas diferentes. A Jéssica me trouxe uma leveza e muita diversão. Trabalhar com Bruno e Irene era demais. A Julieta é um divisor de águas no quesito mais dramático", avalia a atriz.

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