Dança

(Re) conectar

Espetáculo 'Religare', do grupo Edisca, traz para o público reflexões sobre temas como espiritualidade, além das transformações pessoais e sociais do ser

00:00 · 13.09.2017 por Mylena Gadelha - Repórter

Espiritualidade, peso, leveza, razão, sensibilidade e a capacidade de reinvenção. O espetáculo 'Religare', do grupo Edisca, apresentado na Caixa Cultural Fortaleza de 14 a 17 e 20 a 24 de setembro, busca refletir sobre alguns temas sociais por meio desses pilares.

Com 39 bailarinos e bailarinas no palco em coreografias que buscam ser complementares, a dança se torna um meio para reflexão do que se vive no presente pelo mundo.

Uma das premissas no palco é justamente abordar as transformações pessoais e sociais pelas quais vivemos cotidianamente.

"Religare é essa dança com o invisível, o intangível, o mágico, o encantado, os comportamentos rituais , os dispositivos cerimoniais e festivos", já define a descrição de Religare. Sob esses conceitos, Dora e Gilano Andrade, coreógrafos do espetáculo, que estreou em 2015, são os responsáveis por trazer os passos que pretendem se tornar um meio de pensar a depreciação da vida no presente.

De lá pra cá não houve mudança do tema ou da coreografia. Tanto a crítica aos modelos civilizatórios pelo mundo como o sentimento de esperança para novas conquistas estão presentes nos gestos e giros do espetáculo no palco desde a estreia. As inspirações partem de ambos os coreógrafos. Dele uma parte mais cáustica e crítica, enquanto dela fica presente o sentido de redenção.

Tudo pensado como uma forma de retratar também uma espécie de se conectar novamente com o divino, inspiração que já vem do próprio nome da montagem.

Sujeito ancestral

E são justamente essas (re) conexões que devem permear toda a apresentação, que tem duração de cerca de 45 minutos. Detalhes étnicos, anjos, santos, alegorias, além dos valores ancestrais e primitivos, foram buscados como inspiração para demonstrar a distinção entre tudo isso e a subjetividade moderna, com a qual convivemos atualmente.

Assim, eles são parte do foco, que também mostra códigos ritualísticos vindos da Índia, África e do Oriente Médio. Este é, inclusive, um dos outros pontos buscados: o de mostrar a diversidade cultural como uma forma de abrir passagem para a percepção sensível do mundo.

Harmonia presente

Para a afinadora do espetáculo, Claudia Andrade, são vários os elementos que se integram. O tempo, o movimento, a música, o cenário e os corpos são harmonizados ao longo dos passos de dança mostrados no palco. O corpo e a dança se integram com as imagens icônicas em uma tentativa de reativar o 'religare', definido com um dispositivo de superação de si.

Parte espiritual

Segundo Dora Andrade, O espetáculo tem duas narrativas principais. "Uma é a circunstância de sofrimento do planeta nesse momento e, na paralela, são as imagens de vários povos da terra e os caminhos que eles encontram para a conexão com o divino", explica ao também reiterar que o 'Religare' fala sobre espiritualidade e não sobre religiosidade.

Segundo ela, essa necessidade de se conectar com o espiritual não é novidade e sempre existiu desde o início dos tempos. "Nós pensamos em como esse tema é importante para o momento", diz.

Mais informações

Espetáculo 'Religare'

De 14 a 17 e 20 a 24 de setembro, na Caixa Cultural Fortaleza (Av. Pessoa Anta, 287, Praia de Iracema). Quinta, sexta e sábado às 20he domingo às 19h. Ingressos:

R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).

(3453.2770)

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