ESPECIAL

Pottermania

01:42 · 13.07.2009
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Não é muito difícil encontrar um fã das histórias de Harry Potter. À medida que o bruxinho cresce, os pottermaníacos também. São eles os responsáveis pelo sucesso de venda de livros e de bilheteria da franquia e mantém agitado o mundo potteriano

De cara é possível perceber a paixão pelas histórias escritas por J. K. Rowling no grupo de amigos formado por Débora Black, 26 anos; Victor Costa, 17; Daniel Rocha, 21; Clyssia Teles, 17, e Daniel Mählmann, 17. Os jovens cresceram embalados pelas aventuras de Potter, Hermione e Ron. E foi, justamente, esse traço em comum que fez com que eles se aproximassem.

´A gente se conheceu graças ao Harry Potter, principalmente, por causa dos fóruns na internet, comunidades e em lançamentos de livros e pré-estréias de filmes´, conta Victor. A maioria dos amigos deles ou são pottermaníacos ou gostam, nem que seja um pouquinho, da história.

Até o namoro entre Daniel Rocha e Clyssia Teles aconteceu após uma longa amizade, que só surgiu por serem fãs da história. ´A gente nem se conhecia. Mas eu conhecia alguns amigos dela. Ela era louca pelos livros e disseram que eu também. Ela chegou do nada pra mim e perguntou: ´Você gosta de Harry Potter?´. Começou nossa amizade alí´, relembra.

A mais velha da turma, Débora, se orgulha de ser uma das primeiras fãs do jovem feiticeiro. Em 2000, se pegou ´enfeitiçada´ pela trama recheada de elementos simbólicos, mitológicos e mágicos de Harry Potter. Quando se deu conta, já era fã!

´Era um mundo totalmente novo e fiquei cativada. Tinha 17 anos na época, fase em que você vira fã das coisas. A coisa ficou mais séria quando veio o segundo filme. Fui a primeira a fazer cosplay em Fortaleza´, relata enquanto se arruma a capa para fazer as fotos.

E como fã, que é fã, não mede esforços e faz mil e uma loucuras pelo ídolo, a gente senta para ouví-los contar suas próprias aventuras à caça de autógrafos e acenos do ator Daniel Radcliffe ou da escritora J. K Rowling.

Débora e Victor, por exemplo, viajaram em julho de 2007 para Londres com um grupo de quase 30 pessoas cadastradas no site Potterish.com. O objetivo era participar do lançamento do sétimo livro e do filme ´Ordem da Fênix´. Conheceram as locações em Oxford e visitaram a Escócia para tentar ver a casa da criadora do bruxo.

Pelo mundo a fora

Débora abdicou de um carro pela viagem, mas ganhou um momento que, para ela, foi supremo. ´Ficamos o dia inteiro em filas na livraria e no Museu de História Natural de Londres, onde a Rowling estaria. Esperei, na calçada, no frio e vestida apenas de cosplay até 6h30 do outro dia. Quando a vi passar. Gritamos, mostramos cartazes e ela voltou, falou conosco, autografou meu livro e entregamos a bandeira do Brasil assinada por todos´, relata. ´Foi o momento de glória de qualquer fã´, completa.

Victor, que tinha se perdido do grupo, lamentou nao ter tido a mesma oportunidade, mas, garante, que não desistirá. ´Terei motivo ainda para tentar novamente´, garante.

Força de vontade é um traço que os fãs aprenderam com seu herói. Daniel Rocha, por exemplo, exibe orgulhoso um cartaz assinado por Radicliffe conseguido em Nova Iorque e um vídeo em que ele dá um ´oi´ para os amigos brasileiros. ´Fui assistir ao espetáculo em que ele estava em cartaz. Tentei, mas não consegui o autógrafo. No outro dia fui de novo. Cheguei cedo e garanti. Disse a mim mesmo que não sairia de lá sem o autógrafo dele´, garante.

Nenhum deles se arrepende do que tiveram que fazer para manter ainda mais viva a admiração pela trama. Os pais, de vez em quando soltam uma piadinha ou uma leve crítica, mas eles não se intimidam. ´Minha mãe ás vezes diz que eu estou enricando a J.K´, conta entre risos Clyssia. ´E o meu, quando soube da matéria disse assim: ´Outro filme do Harry Potter? Meu filho, quantos anos a Débora tem?´´, lembra Daniel Rocha.

Epidemia

E, bem que pai e mãe pode até reclamar, de vez em quando, mas apoiam a paixão dos filhos. No caso de Victor, a mãe e a irmã acabaram se viciando, por tabela, pelos livros e filmes potterianos. ´Minha mãe assiste, vai até às estréias. Ela gostou tanto que, na monografia do curso de psicologia, usou o Harry Potter e os fãs como seu tema´, relata.

Expectativa para o filme

E por falar em estréia, todos os amigos estão com ingresso na mão. Na quarta-feira, à meia-noite, o grupo se reúne aos demais fãs para conferirem a sexta aventura de Harry Potter. O ritual é sempre o mesmo: comprar as entradas com antecedência, preparar a fantasia nova, reler o livro e combinar com os amigos.

E pode esperar que ainda virão muitas sessões. ´A primeira é mais para a gente curtir a novidade. A partir da segunda é que o fã vai mesmo analisar os outros aspectos cinematográficos e até mesmo de fidelidade à obra´, reconhece Victor.

Daniel Rocha ressalta que os fãs estão ávidos pela produção, já que há dois anos não é lançado um filme da franquia. ´E a estréia foi adiada. Além disso, o filme é muito importante por ser o preparatório para o desfecho´.

A proximidade do fim da trajetória do jovem bruxo não entristece o grupo. Todos são enfáticos em dizer que os filmes entraram para o hall das grandes obras cinematográficas. ´É um clássico que vai ultrapassar gerações. Tenho certeza que se equipara ao Star Wars´, defende Daniel Rocha.

Clícia reforça o coro e acrescenta que Howling manteve-se fiel ao planejamento inicial de uma série de sete livros. ´Para nós o importante é que termine bem, sem enrolações só para conquistar mais dinheiro. Isso é o que nos alenta´.

Atualizações na rede

Tanta seriedade em relação aos rumos da história fez com que os amigos Daniel Mählmann e Daniel Rocha trabalhassem nos dois maiores sites sobre Harry Potter. O primeiro posta notícias, ajuda na publicidade, traduz legendas e cenas para o Potterish.com e o segundo exerce as mesmas atividades para o Oclumencia.com.br.

Como os sites são voltados para os fãs e não existe interesse econômico, se mantém com atualizações em ritmo acelerado através do trabalho de voluntários como os dois xarás do intérprete de seu ídolo. fazem questão de fazer o melhor.

´É uma honrar trabalhar nisso. A gente tem a sensação de estar ajudando. O legal é que não existe o interesse de manter só pra si uma informação. Existe uma união muito grande entre os fãs e a vontade de compartilhar tudo. Tanto que, mesmo sendo concorrentes, nos mantemos amigos e estaremos na pré-estréia fazendo a cobertura juntos´, explica Mählmann.

Karine Zaranza
Repórter

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