DFB 2018

Pluralidade na moda

Após quatro dias de duração, o Dragão Fashion Brasil Festival encerra mais uma edição consolidando-se como o principal evento de moda do País. Com destaque para bons nomes da criação autoral nordestina

00:00 · 16.05.2018 / atualizado às 09:17 por Carol Kossling - Repórter
arte
Lindebergue Fernandes trouxe desfile-manifesto para ressaltar a importância da essência humana e do amor próprio em relação às roupas ( Fotos: Natinho Rodrigues )
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O Dragão Fashion Brasil Festival encerrou mais uma edição com gostinho de dever cumprido. Ampliou a vocação de festival que estava se desenhando há algumas edições e trouxe grandes nomes do cenário pop nacional como Iza e Karol Conka.

Na moda, um mix de referências vindas do Ceará, Bahia, Minas Gerais e São Paulo. Nessa edição, Lindebergue Fernandes continuou surpreendendo e levou para passarela muito mais que roupas. Levou o "Amor Próprio", tema da coleção, e mais uma vez apostou na diversidade com a participação do coletivo "As Travestidas". "Fiz uma manifestação em relação a esta ditadura da moda que é superpesada e a ditadura do consumo. Usei o plástico transparente que mostra mais a pessoa do que a roupa. Estou falando nessa coleção mais de pessoas do que de tendências", disse.

Couro e palha

Marca registrada da estilista, Rebeca Sampaio, o couro foi destaque em grande parte da coleção ao lado de tecidos mais leves e fluidos e texturas mais rústicas.

À frente da Tanden, Mila Menezes destacou o uso da palha associada a tecidos naturais como o linho, o algodão e a lã proporcionando texturas campestres e fluidas. Os aviamentos seguiram uma linha ecológica com a composição de 70% de fibras vegetais e papel reciclado, tudo em tons naturais.

Artesanal

Gisela Franck também optou por uma linha mais natural e atemporal, também abrindo espaço para a reflexão sobre o consumo consciente.

Edina Moreira priorizou o hand made na criação das peças da Hand Lace priorizando as texturas, reproduzindo situações que acontecem na fauna e na flora.

David Lee apresentou a coleção "Avesso" destacando sentimentos e emoções. Reforçou a utilização do crochê em suas criações masculinas e usou tecidos desenvolvidos em tear manual.

A Bikini Society buscou na natureza suas referências para cores neutras unidas aos tons da terra. Recorreu a bordados naturais e, ainda, estampas pintadas à mão.

Jeans

Numa visão atemporal que mescla o moderno com o regional, Iury Costa criou em cima das obras de Sérvulo Esmeraldo. O jeans com recortes de alfaitaria foi o ponto alto em macacões, parkas e calças.

"Busquei sentir a partir da obra dele e deixei os desenhos e as formas me levarem. Acredito que foi uma descoberta maravilhosa me aprofundar e me encontrar com ele, mesmo que não tenha sido possível conhecê-lo pessoalmente, sua arte me guiou".

Ronaldo Silvestre revistou suas memórias afetivas e resgatou lembranças das mulheres importantes de sua vida, em especial sua mãe.

Para retratar as recordações, tecidos orgânicos, sedas artesanais e o indispensável denim, em que utilizou o retecido, é feito com tiras de viés, criando texturas, formas e dando uma identidade única a cada peça. "Trouxe dessa vez o denim em macramê e em novas formas de reinventá-lo com o viés para ser diferente das outras coleções", contou o estilista.

Sport e street

Elaborada em 45 dias, a coleção de João Paulo Guedes destacou tecidos antigos em cortes modernos, combinações ousadas de estampas com cores primárias e o uso carregado de listras.

Já Even Saldanha mergulhou no universo do kite surf e trouxe uma coleção que balanceou a simplicidade dos pescadores do Cumbuco com o high end tecnológico dos esportistas que frequentam a região. Aderindo ao upcycling, utilizou as fitas do kite para fazer amarrações nas peças.

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