Entrevista

Pedro Camargo Mariano: clareza vocal e musical

Em apresentação intimista, Pedro Camargo Mariano interpreta canções da Música Popular Brasileira que marcaram sua vida

00:00 · 20.10.2017 por Carol Kossling - Repórter
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Ainda este ano, entre dezembro e janeiro, Pedro Camargo Mariano grava o "Pedro Mariano e Orquestra" Turnê DNA para lançar em 2018 com repertório todo novo
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"Isso divide o mercado em música e entretenimento e para mim estes artistas não existirão mais, mas para eles é uma profissão, mas quando entrar na curva baixa o que eles vão fazer?"

Com 23 anos de carreira, Pedro Camargo Mariano está seguro para se apresentar de forma intimista, tendo como companhia apenas o piano tocado pelo parceiro de longa data, Marcelo Elias. E, também, para expressar sua opinião sobre o atual momento da música nacional em entrevista exclusiva para o Zoeira.

O formato deste show "Piano e voz" nasceu há mais de dez anos de um trabalho seu com o pai, Cesar Camargo Mariano. "A primeira vez para o grande público foi em 2003/2004. Este é o formato mais puro da música, mas ao mesmo tempo mais difícil. Todo mundo que quer se levado a sério e ter uma carreira sólida tem que passar por isso", afirma o intérprete.

Relação com o piano

Pedro considera que após a voz, o piano é o instrumento mais complexo que existe e, para executar, é necessário um nível alto de concentração para se ter uma grande interação.

"Se me chamassem para cantar ao lado de Herbie Hancock (pianista americano considerado um dos mestres do jazz) ia precisar de um tempo para nos entendermos, pois existe o tempo de respiração", explica.

Por isso, o carinho especial que tem com este tipo de apresentação. "É tão diferente de tudo que ela acaba sendo interessante por si só. Muitas canções que recebo são inéditas e muitas que já ouvimos no rádio não apareceram naquele formato já finalizado conhecido do público", conta.

Parceria musical

Ao todo, Pedro e Marcelo tem um repertório com cerca de 28 canções e eles, a cada apresentação, destacam entre 15 e 16, de acordo com cada momento. Que a mãe, a saudosa Elis Regina cantava sempre, coloca uma ou duas.

Pedro inclui canções do trabalho "Pedro Mariano e Orquestra" e do repertório tradicional para atender o público que quer cantar.

O primeiro show que fez com Marcelo começou com o que fez com seu pai. "Marcelo sempre estudou e foi influenciado pela obra dele, o jeito e a forma de interagir com ela. Não precisei abrir mão daquele repertório que tinha com meu pai que era de uma cumplicidade mútua", relata.

Logo nas primeiras apresentações, eles já fizemos músicas com a "cara" deles para criar identidade. "Já tocamos junto há 15 anos. Daquele repertório inicial hoje só existem três no show", reflete.

Entre as músicas atuais estão canções de compositores brasileiros consagrados como: "Caminhos Cruzados" (Tom Jobim e Newton Mendonça) "Acaso" (Abel Silva e Ivan Lins) e "Dupla Traição" (Djavan); "Tem Dó" (Baden Powell e Vinícius de Moraes); "Sangrando" (Gonzaguinha), "Um pouco mais perto" (Ana Carolina, Chiara Civello e Edu Krieger), "Você" (Roberto Carlos), entre outras.

Adequação

Assim foi trilhando sua carreira, sem amarras e deixando a boa música fluir.

Ele diz que não quer privar sua plateia de apresentar meu trabalho e se adapta facilmente às demandas que aparecem, mas sempre está pensando e trabalhando coisas novas. "Marcelo escreve arranjos, além de ser pianista e meu diretor musical. Fora isso, somos amigos e o papo sobre trabalho sempre flui. Há dois meses, por conta de um acorde final dele emendei uma música nova", disse.

Ainda este ano, possivelmente em dezembro, mais tardar janeiro, grava o "Pedro Mariano e Orquestra Turnê DNA para lançar em 2018 com repertório todo novo. Será gravado com a presença de admiradores do seu trabalho.

Público

Pedro mensura com satisfação a relação com os fãs. E avalia que a internet, nesta junção, pode ser encarada de várias formas. "Antes não tínhamos esta exposição conquistada pelas mídias sociais, mas era preciso fazer divulgação em televisão, cumprir uma série de agenda nas praças em que iria se apresentar, participar de coletiva de imprensa antes do show", diz.

Para ele, esta substituição criou uma outra coisa de estar na linha direta com o fã. "Ele passou a ter um canal direto com o artista, o que é muito bom, pois você tem o resultado imediato. Mas nisso ainda tem duas características, o artista tem que se policiar quando se encurta esta distância, pois cria-se uma falsa intimidade e proximidade. E nesse, abre para mal-educados falarem o que quer dizer", alerta.

Superficialidade

Mas, por outro lado, para as pessoas que tem relação saudável com os meios digitais é divertido e prazeroso.

Pedro Camargo Mariano ainda levanta outra coisa que considera ser o mal do século.

"Não sei se piora ou se melhora, mas é a presença da superficialidade. É uma relação toda nova que vem se construindo que eu particularmente não sei para onde vai. O que faz um artista sobreviver, qual a data base?", pergunta-se.

Futuro da música

Com a agilidade e a superficialidade que estamos vivendo atualmente em várias áreas, que inclui a música, Pedro faz uma breve análise com décadas anteriores.

"Hoje se cria muito mais rápido e não há sombra de dúvidas que quando construíamos artistas que duravam mais, também tínhamos artistas sazonais que duravam apenas três temporadas", afirma o intérprete que especifica que quando você tem um trabalho elaborado com produção, o público de hoje não absorve.

"Ele não se satisfaz com o artista em si. Antes esperava-se até três anos para ver um clipe novo do Michal Jackson no Fantástico e hoje isso acontece semanalmente. A gente fica muito preocupado com o resultado e esquece do processo", observa.

Pedro diz que o público só quer o resultado e tudo isso acaba se resumindo a menos cultura, menos arte.

"Isso me preocupa, pois força a ter uma produção artística muito menos técnica e você cria um círculo vicioso. Eu não preciso cantar, tocar e ter letra boa, basta um refrão com onomatopeia boa para todo cantar".

"Isso divide o mercado em música e entretenimento e para mim estes artistas não existirão mais, mas para eles é uma profissão, é uma carreira, mas quando entrar na curva baixa o que eles vão fazer?", indaga-se.

A relação com a música vai ser cada vez mais rasa na sua opinião. É utópico ou demagogo, mas a cultura de um país é seu patrimônio. "Há trinta anos a gente tinha samba, MPB, rock nacional. Hoje virou uma miscelânea que não sabemos o que é", afirma.

Mais informações

Pedro Mariano

Domingo (22), às 20h, no Teatro RioMar Fortaleza (Rua Desembargador Lauro Nogueira, 1500,Papicu). Ingresso: de R$70 a R$180. (4003-1212)

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