Nas graças do público - Zoeira - Diario do Nordeste

ENTREVISTA

Nas graças do público

11.01.2011

Com a fogosa Jéssica, Gabriela Duarte comemora o sucesso em ´Passione´ e encerra o estigma das personagens certinhas

Gabriela Duarte celebra uma nova fase profissional inaugurada com Jéssica, de "Passione". Filha mimada, esposa ciumenta e mulher ninfomaníaca, a personagem foi capaz de provocar uma reviravolta em sua carreira de 21 anos e fazer com que o telespectador passasse a ver a atriz com outros olhos.

"A Jéssica é uma personagem libertadora para mim. Antes dela, eu tinha uma imagem, que às vezes era pesada demais para carregar, da pessoa boazinha, que não erra. E eu não sou assim, eu nunca quis ser exemplo", afirma a atriz, consciente de que estava mesmo na hora de mostrar outras facetas.

"Hoje, estão me vendo como eu sou. Isso não significa que tenho as mesmas atitudes da Jéssica, mas sou eu que dou vida àquela pessoa. Eu consigo ser ninfomaníaca, se eu quiser; eu consigo seduzir, se eu quiser", conta.

Os últimos meses na tela exigiram que Gabriela se livrasse de seus pudores. Na cama, vestindo baby-doll, a sua Jéssica fez cara de sexy, exigindo mais desempenho do marido, Berilo, vivido por Bruno Gagliasso. "Gabriela e eu descobrimos juntos a magia da comédia. Estivemos esse tempo em pesquisa aberta, como dois palhaços saltando de um trapézio alto e perigoso. Isso une para sempre nossas carreiras", diz o ator.

Para Irene Ravache, a intérprete de Clô, Gabriela a surpreendeu por sua delicadeza e dedicação nas cenas hilárias que dividiram. "Ela se entrega, não fica pensando "Será que é bom para a minha imagem". E uma fala que poderia parecer grosseira se fosse dita por outra atriz, como "Eu sou uma ordinária", não tem o mesmo efeito quando dita por ela".

A mulher fogosa e provocante que a atriz apresentou ao público até lhe rendeu um convite para posar nua. Aos 36 anos, ela sabia que teria o apoio do marido, o fotógrafo Jairo Goldflus, e que, dona do seu nariz, não precisaria se justificar. Mas declinou. "Isso me deixou lisonjeada. Afinal, se eu fosse um bucho, não teria acontecido. Mas aí veio a pergunta, "Pra quê?". E essa eu não soube responder", justifica.

O fato é que Gabriela não precisou se expor além do que lhe pediu o autor da trama, Silvio de Abreu, para ser apontada como um dos pontos altos da novela. "Quando chamei Gabriela para viver Jéssica, sabia a atriz talentosa que estava convidando. Porém, não posso negar que sua disposição e entrega fizeram com que o resultado fosse além da expectativa. É uma atriz da melhor qualidade, que vinha sendo estereotipada em personagens que a forçavam a ser sempre a mesma figura dócil e submissa", elogia Abreu.

Prestes a se despedir de Jéssica, Gabriela comemora o resultado. "Pela primeira vez, sinto que caí nos braços do povo. Depois de ter passado por tanta coisa, é bom que isso esteja acontecendo", vibra a atriz, cujo reconhecimento também lhe proporciona um grande alívio: "Percebo que agora me veem como uma atriz e não um objeto que está na mesma prateleira sempre".

Gabriela não diz isso à toa. Ao longo de sua trajetória na TV, iniciada aos 15 anos em "Top model", quando surgiu como "uma adolescente bochechuda", a atriz enfrentou críticas sobre sua atuação como Maria Eduarda, em "Por amor", personagem que passou a assombrar seus papéis seguintes.

" A Maria Eduarda foi tomando uma proporção maior a cada novo trabalho que eu fazia. Mas fico triste quando alguém pensa que ela foi algo ruim na minha vida. Acho que a Jéssica veio limpar isso e fazer com que as pessoas percebam que a Eduarda foi mais um papel".

A atriz também sente que ficou para trás a insistência de alguns em querer compará-la à mãe, Regina Duarte. Gabriela diz que ouviu uma comparação divertida: "Já me falaram que em cena a Jéssica lembra a Viúva Porcina (vivida por Regina em "Roque Santeiro"). E você acha que eu não me inspiro nela?", confirma.

O convite para a novela veio depois de um intervalo de três anos, tempo que Gabriela reservou para cuidar da filha, Manuela, de 4 anos. Para ela, só valeria sair de casa se surgisse "o" trabalho. Em suas palavras, "era tudo ou nada". Mergulhada na maternidade, já pensava em encomendar o segundo filho, quando ouviu o chamado de Silvio de Abreu. Agora, com o fim da trama, "engravidar está na pauta novamente". Afinal, Manu cobra um irmão.

Casada há dez anos, Gabriela conta que as peripécias de Jéssica na tela também valeram para dar uma sacudida na relação. "De repente, a Jéssica me deu um outro brilho no olhar. O marido está adorando. Às vezes, eu falo pra ele: "Vem cá, meu fragolone", assume, caindo na risada.

CLARISSA FRAJDENRAJCH
AGÊNCIA O GLOBO

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