Novela

Na reta final

Thiago Lacerda analisa 'Orgulho e Paixão' do ponto de vista da luta feminina e fala sobre sua versão do personagem na novela

00:00 · 08.09.2018 por Cris Veronez - Folhapress
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Thiago Lacerda afirma que tentou adaptar o estilo britânico, de onde veio o personagem de Darcy, e trazer um pouco da leveza brasileira para compor o personagem

Embalado pelo amor que sente por Elisabeta (Nathalia Dill), em "Orgulho e Paixão", novela das seis da Globo que acaba no dia 24, Darcy (Thiago Lacerda) aprendeu a questionar os preconceitos que já possuía. E Lacerda, 40 anos, diz estar satisfeito com o rumo do personagem, que foi de um carrancudo a príncipe encantado na trama assinada por Marcos Bernstein.

"A gente sabia que tinha tudo nas mãos para fazer uma novela bacana. A história é o que se presta a ser: despretensiosa, com romance. Uma adaptação muito interessante que sempre traz as referências da obra de Jane Austen", disse ele. Jane é a autora britânica que escreveu "Orgulho e Preconceito", trama que inspirou a novela das seis.

Para o ator, a transformação das pessoas é o que há de melhor em um relacionamento amoroso. "Darcy se contaminou rapidamente pelo espírito da Elisabeta. O amor é uma estrutura muito poderosa. O que mais me encantou na novela foi a possibilidade de duas pessoas tão diferentes se conectarem por meio do amor", diz o ator, que é casado com a atriz Vanessa Lóes há 17 anos.

Armações

Nos últimos capítulos de "Orgulho e Paixão", Lady Margareth (Natália do Vale), sempre disposta a acabar com a felicidade do casal, armou um plano, com a ajuda de Xavier (Ricardo Tozzi), para matar Elisabeta.

Quem acabou ferido foi Darcy, que entrou em luta corporal com o fazendeiro Virgílio (Giordano Becheleni), contratado por Xavier para fazer o trabalho sujo contra sua amada. Durante a briga, ele levou uma facada.

Agora, o casal buscará provas para incriminar a megera, que se finge de louca para não ser presa. Na opinião de Lacerda, Lady Margareth deve ser responsabilizada por suas atitudes.

"Existem algumas situações que o autor está criando para esses últimos dias de novela. Vamos ter alguns desencontros até o último momento, para que o final seja uma alegoria surpreendente".

Elas no comando

Em "Orgulho e Paixão", foi Elisabeta quem pediu Darcy em casamento, o que é apenas um exemplo da força da mulher retratada na trama.

O ator comemora a projeção que a novela dá ao feminismo e diz que discutir o assunto é fundamental. "É muito legal, por meio de um instrumento de comunicação de massa que é a novela, podermos projetar o olhar para a origem desse questionamento", avalia. E diz que tem se questionado. "Sou homem do meu tempo, que viveu e vive o preconceito. Além de termos nossas histórias pessoais, temos a da nossa gente. Uma cultura machista, escravocrata e preconceituosa. Transformar requer educação e tempo", afirma.

Jornada

Os 20 anos de carreira de Thiago Lacerda estão cheios de personagens históricos e biográficos. Ele já interpretou Capitão Rodrigo ("O Tempo e o Vento"), Hamlet (de William Shakespeare), o guerrilheiro Giuseppe Garibaldi ("A Casa das Sete Mulheres") e até mesmo Jesus Cristo. O atual, Darcy, é um personagem da autora Jane Austen (1775-1817) já conhecido do público.

"Quando você vai contar a história de um personagem que as pessoas já conhecem, bate um certo medinho. Você pensa: caraca, que pepino. Então, é hora de refletir sobre como contribuir com esse imaginário já existente e oferecer a sua leitura sem ofender", conta o ator.

A ideia de Lacerda foi unir a rigidez britânica original do personagem a um enxerto de leveza brasileira. "Esse é o meu Darcy. É bacana quando as pessoas curtem, mesmo que não seja como o da referência delas. É uma das coisas que mais me envaidecem em relação a este trabalho", finaliza Lacerda.

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