Bate-papo

Jesuíta Barbosa: Shakira do Sertão

00:00 · 14.04.2018
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Jesuíta Barbosa viverá Ramirinho, personagem que se traveste como "Shakira do Sertão" escondido da família. O ator tem experiência com o grupo "As Travestidas", de Fortaleza

Quem é o Ramirinho?

Ramirinho é um rapaz sertanejo que é multifacetado? É um cara que tem uma vida escondida da família, isso é importante de dizer, mas acima de tudo é um rapaz que está procurando se libertar de muitas pressões psicológicas e barreiras impostas pelo pai, pela família. É uma persona, uma figura que quer sair de rótulos, que quer se libertar corporalmente e a consciência. E quer fazer com que o entorno também se liberte.

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E você teve a experiência com As Travestidas em Fortaleza. Como essa experiência contribui para esse personagem?

Completamente! Eu já vinha querendo fazer uma personagem com essa travestilidade, que eu pudesse me montar, que eu pudesse perceber o que eu vinha fazendo no palco e na rua. E acho que o Zé (José Villamarim, diretor) já me ouviu falar muito disso e aí uma hora ele colocou isso dentro da história. Na verdade, Shakira não existia na supersérie, mas Zé e George, diretor e roteirista, começaram a criar essa personagem. Então eu fiquei feliz.

Então a personagem foi criada para você?

Talvez? Eu não quero dizer isso não, me comprometer não (risos). Mas acho que eu venho fazendo um trabalho interessante, a Shakira é uma pessoa do interior e isso já se parece comigo, enfrenta problemas na família que a gente também enfrenta e acho que tem muita semelhança comigo. Eu sinto ter propriedade em fazer essa personagem.

O que você espera que a Shakira traga para o público que assistirá a série?

Eu espero que ela traga muita beleza, que traga essa força juvenil de transformação, que eu acho que agora vem bastante com muita força. Toda essa discussão de gênero e de sexo. Eu não queria de jeito nenhum trabalhar a Shakira só em cima da questão sexual, porque quando você vê uma figura que se monta, que é drag, você vai diretamente nesse ponto sexual, se perguntando se é gay, se fica com homem ou mulher. Minha vontade, junto com o Zé, era de fazer uma drag mas sem deixar só a questão sexual à tona. Ela é uma artista performática, que se apresenta à noite, que tem números de música, completamente musical, então a função artística de Shakira e Ramirinho vai muito além de qualquer questão sexual, de corpo ou de família.

Você participou da construção da personagem?

A ideia era fazer Shakira um cover da própria Shakira. Mas aí nas conversas, repensamos e propomos fazer uma coisa mais artesanal. Então fomos para um lugar mais plural, mais livre, do que imitar uma figura já existente. Aí trouxe pro canto, que antes era uma dublagem e aí eu propus que eu cantasse. E foi um desafio porque eu nunca tinha feito um trabalho cantando.

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