Viagem

Felicidade no mundo

Fred e Karin, um casal de jornalistas, decidiram largar os empregos para embarcar em um projeto arriscado: compartilhar histórias e investigar, de fato, o que é a felicidade

Os dois saíram de São Paulo, onde mantinham empregos, e se mudaram para Berlim. Por lá, iniciaram o blog do projeto Glück para documentar experiências
00:00 · 13.07.2018 por Mylena Gadelha - Repórter
Karin Hueck e Fred di Giacomo durante o seu ano sabático, em Berlim, na Alemanha

A busca pela felicidade foi o que motivou o casal de jornalistas Karin Hueck e Fred Di Giacomo. Partindo do questionamento da rotina, tanto no trabalho, como em casa, os dois decidiram apostar em um ano sabático para se redescobrir, criar novas metas e realizar uma investigação sobre o que afinal é ser feliz.

E foi assim que nasceu o projeto Glück, palavra que significa sorte e felicidade em Alemão. "Lembro de estarmos saindo estressados de um dia de trabalho e começarmos a falar sobre o desejo de pedir demissão. Acho que a ideia de uma investigação sobre a felicidade veio daí e de lembrar que eu já tinha tido aquela mesma conversa com dezenas de amigos", conta Fred.

Para ele, pensar sobre a felicidade é importante. "Ela é um dos motores da vida humana. E a maior parte das pessoas já passou por momentos muito difíceis e gostaria de conhecer as melhores técnicas para superá-los", explica.

Viagem

E foi com esse pensamento no bolso que os dois partiram para a Alemanha, país de origem de Karin. Deixaram os empregos onde estavam há anos e foram morar em Berlim, onde passariam um ano para dar seguimento ao projeto. O jornalismo possibilitou essa mudança que resolveram fazer na vida, lá em 2013. "Jornalista é essencialmente um curioso, né? Então eu tinha muita curiosidade de saber como era o mundo fora de uma grande empresa tradicional. Será que dá pra viver de outra maneira? Será que consigo inventar o meu próprio emprego? São perguntas que apareceram, que me empurraram para me aventurar", explica Karin.

Segundo ela, a vontade de mudar para outro país durante um período já era antiga, mas durante conversa com Fred surgiu esse intuito de usar esse tempo para alcançar novos horizontes pessoais e também profissionais.

"Eu tinha toda a liberdade do mundo para inventar pautas e assuntos que eu quisesse onde trabalhava. Mas ainda assim, depois que pedi demissão, segui fazendo coisas legais, escrevi "O lado sombrio dos contos de fadas", fiz o Glück, inventei projetos, fiz a pesquisa da campanha 'Chega de Fiu-Fiu'", conta ela.

Blog

Pensando no que já tinham feito no trabalho, Karin e Fred buscaram uma forma diferente de escrever sobre essa "busca pela felicidade". Fred explica que eles começaram a discutir a necessidade de fazer um jornalismo menos "fast food". Optaram por criar um blog, que passou a ter textos semanais longos, com foco na reflexão e menos na audiência. "A liberdade de tentar ser franco num texto e buscar escrever sobre coisas que te importam de verdade, acaba te conectando às pessoas", afirma Karin.

Atualmente, o projeto continua recebendo textos, tanto dos dois como de outros colaboradores. Trabalho, viagens, livros e cultura de paz são alguns dos assuntos disponíveis. Além disso, o site também oferece uma assinatura para quem deseja ajudar na expansão do projeto.

Investigação

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Ainda na época do ano sabático, já morando em Berlim, os dois começaram as entrevistas para entender o que realmente a felicidade significa para as pessoas ao redor do mundo, e também para colocar o blog para andar.

Filósofos, psicólogos e diversas outras fontes entraram no alvo do casal e ilustraram muitos textos, que mais tarde integrariam o livro sobre o projeto Glück.

"Uma das coisas mais legais foi perceber que tanto a psicologia, quanto a filosofia clássica, a ciência e as religiões orientais parecem concordar que a chave para a felicidade é o autoconhecimento", relata Fred.

A partir daí, eles também se viram diante do dilema entre dinheiro e felicidade.

"É isso que diversos estudos mostram, que o dinheiro compra felicidade sim, mas só até esse nível de subsistência. A partir daí começam a contar outros fatores essenciais, como genética, a sua predisposição natural a ser feliz, os acontecimentos recentes, as motivações pessoais, entre outros", explica o autor.

Ao falar sobre o livro eles explicam que a intenção principal é mostrar que a felicidade não é definida apenas pela vontade pessoal. Ela está ligada a uma série de outros fatores, que não dependem só do indivíduo.

E isso tudo, de acordo com o casal, fica claro com as dificuldades vividas nesse período em que estiveram investigando. "Procuramos abordar os fracassos que a gente esconde no Facebook no livro, tentando desmistificar as falhas e fugir da narrativa de perfeição que encontramos nas redes sociais. Também sempre reforçamos que não existe uma "fórmula mágica" para felicidade, nem que o caminho para uma vida plena passa pelo aeroporto", detalha Fred.

Busca pessoal

No entanto, mesmo tendo escolhido arriscar um ano sabático, ambos explicam que essa não foi uma decisão precipitada. Na opinião de Karin e Fred, esse deve ser um pensamento amadurecido por quem está cogitando esta opção. "Essa é a decisão certa para você? Se a reposta for sim, é hora de se organizar. A ilusão de que quem tira um sabático decide de uma hora para a outra vender coco na praia é perigosa. É preciso se planejar, juntar dinheiro, descobrir quanto você vai gastar", explicam eles.

Nesse meio tempo, para quem ainda não decidiu, vale dar uma lida no livro e clarear a mente sobre o que buscar para alcançar a felicidade.

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