Cinema

Elas gostam assim

'Do Jeito Que Elas Querem' mostra que nunca é tarde para se apaixonar e que mulheres com mais de 60 anos tem vidas muito ativas

Elenco é formado por quatro mulheres com mais de 60 anos, entre elas, Jane Fonda e Diane Keaton
00:00 · 14.06.2018

Só no último dia de filmagem Jane Fonda descobriu que "Do Jeito Que Elas Querem" não era baseado em material previamente publicado, mas sim em um roteiro original do diretor Bill Holderman. "Não podia imaginar que um cara fosse capaz de entender tanto as mulheres mais velhas e suas questões", disse a atriz ao Estado em Los Angeles.

A veterana de 80 anos sabe mais do que ninguém como é raro encontrar uma história estrelada por quatro mulheres, ainda mais quatro mulheres com mais de 60 anos, com vidas ativas, profissionalmente, romanticamente e sexualmente. E que elenco tem "Do Jeito Que Elas Querem".

Fonda interpreta Vivian, dona de um hotel de luxo em Los Angeles. Ela participa de um clube do livro com suas três grandes amigas: Diane (Diane Keaton, 72), Sharon (Candice Bergen, 72) e Carol (Mary Steenburgen, 65). "Na nossa idade, costumamos interpretar a tia maluca ou a sogra chata", disse Steenburgen. "Foi interessante participar do projeto como mulher, como atriz e como alguém que admirou essas três outras atrizes especificamente a minha vida toda".

Cinquenta tons

O livro que as quatro leem é Cinquenta Tons de Cinza, de E.L. James. "Eu li quando saiu", contou Jane Fonda. "Queria saber do que todos estavam falando! Não queria ficar para trás. Fico feliz que tenha sido escrito, porque acredito que excitou, estimulou e despertou muitas mulheres neste país".

Vivian é uma mulher independente, com medo de intimidade e que rejeita relacionamentos, até o reaparecimento de um amor do passado, Arthur (Don Johnson).

Sharon é uma juíza que está fora da arena amorosa há tempos, até resolver tentar um aplicativo de encontros. Carol, casada há anos com Bruce (Craig T. Nelson), enfrenta um momento frio no relacionamento.

E Diane, viúva há pouco, é pressionada pelas duas filhas adultas a ir morar perto delas, mas fica ainda mais dividida ao conhecer Mitchell (Andy Garcia). "É bacana que estejam focando em pessoas mais velhas e vendo que a vida não termina, ela se aprofunda", disse Bergen. Ou, como diz Vivian, ninguém quer morrer antes de estar morto.

Preconceitos

Mary Steenburgen acha que o filme toca no preconceito de que se fala menos no seu país: o de idade. "É importante ver mulheres que ainda estão à procura, ainda têm suas dificuldades, que pensam em relacionamentos e em sexo. E, principalmente, pensam em amizade e em seu valor. ".

A esperança é que movimentos como #MeToo e Time's Up comecem a provocar mudanças. "Fico feliz de ainda estar viva para ver esse momento", disse Fonda.

*As informações são do Jornal O Estado de S. Paulo.

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