ESPECIAL

É pura adrenalina

01:16 · 14.04.2011
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Contato com a natureza, sensação de liberdade e muita adrenalina. Essa é a receita que vem levando cada vez mais pessoas a experimentar os voos de parapente
Contato com a natureza, sensação de liberdade e muita adrenalina. Essa é a receita que vem levando cada vez mais pessoas a experimentar os voos de parapente ( FOTO: RODRIGO CARVALHO )
Adrenalina. Esse é o motor da moçada que curte esportes radicais.
Adrenalina. Esse é o motor da moçada que curte esportes radicais. ( FOTO: RODRIGO CARVALHO )
O parapentista Bitú ressalta que o esporte reúne a família
O parapentista Bitú ressalta que o esporte reúne a família ( FOTO: Rodrigo Carvalho )
O voo duplo permite todas as sensações de um voo solo. É indicado para quem nunca voou
O voo duplo permite todas as sensações de um voo solo. É indicado para quem nunca voou ( FOTO: Rodrigo Carvalho )
Um dos cenários preferidos dos praticantes de parapente fica localizado a 30 km de Fortaleza, na Serra da Pacatuba, em Munguba
Um dos cenários preferidos dos praticantes de parapente fica localizado a 30 km de Fortaleza, na Serra da Pacatuba, em Munguba ( FOTO: RODRIGO CARVALHO )
Adrenalina. Esse é o motor da moçada que curte esportes radicais. Para conhecer um pouco mais sobre esse universo, o Zoeira alçou um voo de Parapente

Quarta-Feira, três da tarde. Nosso destino fica a aproximadamente 30km de Fortaleza: a Serra de Pacatuba. Longe do clima estressante da cidade, o local se torna um paraíso de tranquilidade para os praticantes do paraglider ou mais comumente chamado de parapente. Esse foi o local escolhido para uma aventura que vai muito além dos limites usuais.

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Um esporte que desafia o ar, testa sua coragem e te coloca em sintonia com a natureza. Para quem gosta de aventura e liberdade, esse é o lugar... esse é o esporte! Acompanhe com a equipe do Zoeira a atividade que vem conquistando novos adeptos por todo o mundo, e onde a única obrigatoriedade, é deixar a adrenalina fluir.

No local, não são apenas os pássaros que conquistam os céus. Basta olhar para o alto para perceber os objetos coloridos por toda parte, enfeitando ainda mais a paisagem.

No chão, alguns praticantes já se preparam para voar. Afinal, nesse território, eles já estão integrados à natureza. Um dos motivos que faz a Serra de Pacatuba ser um dos melhores lugares no Ceará para a prática do voo livre é o seu clima quente com ventos fortes, permitindo que os parapentes ganhem altura rapidamente e fiquem cada vez mais longe do solo.

Paixão pelo esporte

Se o parapente é um esporte apaixonante para quem vê, imagine então para quem o pratica. Pessoas de diversas atividades profissionais, de várias e idades, escolhem esse esporte para poder relaxar.

É o caso do motorista autônomo, Juscelino Braga, 36, que revela sua sintonia com o esporte de forma curiosa. Praticante do parapente há seis meses e com uma média de 70 voos realizados, ele considera que, a cada salto, há uma evolução. O próprio domínio sobre o equipamento se torna mais preciso devido ao respeito que se passam a ter pela natureza.

"Eu sinto que depois que comecei a praticar o parapente até meu comportamento pessoal é outro. Me sinto bem melhor agora. Aqui é uma espécie, uma terapia e a sensação de poder voar é indescritível. Só quem voa é que sabe à qual sensação estou me refererindo", afirma.

Outro apaixonado pelo esporte atende pelo apelido de "Bitú", que já traz consigo seis anos de experiência e conta que sempre está praticando para não perder o "jeito". Bitú lembra que o grande diferencial nesse esporte também é a capacidade de observação, o respeito às condições do tempo e o uso obrigatório de bons equipamentos de segurança.

"O parapente é uma atividade que agrega a família. Sempre temos a presença de nossos parentes aqui. É claro que acontecem alguns pequenos acidentes na aterrissagem, mas tudo dentro de um risco calculado, como todo esporte", enfatiza.

Sexo frágil?

Na tarde em que a equipe do Zoeira acompanhou os voos, Leiliane Capibaribe era a única mulher no ambiente. Mas ela garante que era um dia atípico porque, geralmente, as "belas" frequentam e saltam também.

A esportista diz que fez saltos até o seu oitavo mês de gestação e que espera a sua filha Leticia completar um ano de idade para poder fazer um salto triplo, junto com o seu marido.

Segundo Leiliane não existe esse rótulo de "sexo frágil" no esporte. Aliás, ela espera que, com a popularização do esporte no Ceará, as mulheres sintam-se mais encorajadas a fazer um salto.

Segurança

Para toda pessoa que quer voar, seja ela já praticante ou não do paraglider, é indispensável o uso de capacete, luvas, macacão que serve para proteger do frio em altas altitudes e também para proteger a pele caso ocorra algum tombo na decolagem ou no pouso. Também são necessários equipamentos eletrônicos como o GPS - para orientar quanto à localização e velocidade.

O uso de um variômetro também é importante, pois ele indica a altitude do voo, assim como a variação positiva ou negativa de deslocamento vertical - ou seja, indica se você está subindo ou descendo e, por fim, o uso de um rádio de comunicação para facilitar o contato entre o voador e a equipe de resgate e entre os próprios voadores.

Tornar-se um "fera" nesse esporte requer também um certo investimento. Um parapente novo varia entre R$ 5 mil a R$ 8 mil, dependendo do modelo (iniciantes ou avançados). É preciso comprar ainda a selete (cadeirinha) que custa entre R$1,1 mil a R$ 2,2 mil. O paraquedas reserva sai por volta de R$ 1,3 mil.

O parapente vem em uma mochila pesando aproximadamente 18kg. O material do parapente é chamado Nylon Rip-Stop, que é um tecido não-poroso, não possibilitando a passagem de ar de um lado para o outro e consequentemente ajudando na performance.

No assento onde a pessoa senta durante o voo existe uma proteção de coluna e de bacia que também serve para prevenir algum acidente ocasionado por um vento mais forte. Ele possui um outro compartimento onde se guarda um paraquedas reserva. Uma garantia extra em caso de emergência. E mais: em cada linha do parapente são feitos "testes de carga".

São quase 16 anos voando e se dedicando ao esporte de maneira integral. Essa tem sido a vida de Silvio Capibaribe, que tem em sua bagagem mais de 2 mil voos, e mais de 8 mil horas de voo.

Segundo ele, o Ceará possui excelentes locais para a prática do esporte, não só pelas condições naturais do clima mas pela beleza dos lugares. Ele lista Canoa Quebrada, Morro Branco, Tianguá, Quixadá e Palmácia como alguns desses paraísos para os esportistas.

Silvio observa que o fator segurança está sempre em primeiro lugar e que, como instrutor, procura sempre ensinar aos seus alunos a importância de se voar com as melhores condições, respeitando os horários específicos para o salto e tendo a consciência que nos dias em que o clima não colabora, o mais prudente é não voar. "Todos os dias eu venho praticar mas, quando vejo que não temos ótimas condições de voo, eu sou o primeiro a cancelar o salto".

Voo duplo

Feito com um parapente especial, um tanto maior que o normal, o voo duplo permite que se leve uma pessoa junto para que esta experimente as sensações do parapente sem que precise frequentar um curso e aprender a voar. O "passageiro" tem possibilidade de aproveitar praticamente tudo o que é possível num voo solo.

Sílvio avisa que o voo de parapente é possível para diferentes pessoas, de diferentes estilos de vida. Pode ser aproveitado por quem quer simplesmente curtir a paisagem com a suavidade do ar batendo no rosto até os que buscam as impressionantes acrobacias que elevam a adrenalina ao máximo, passando por incríveis travessias aéreas - por quilômetros e quilômetros. Seja como for, o resultado será uma experiência inesquecível e apaixonante. Difícil não querer repetir e fazer outros voos.


MAIS INFORMAÇÕES

Fortaleza Voo Livre: (85) 9979.6027 e 8818.1043
http://www.fortalezavoolivre.com.br

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