Teatro

Deus é brasileiro

De passagem pelo Nordeste, Miguel Falabella apresenta o espetáculo "God" em Fortaleza, inspirado na obra original da Broadway criada pelo premiado David Javerbaum

Baseado em um sucesso da Broadway, o espetáculo"God" traz Miguel Falabella no papel de Deus Fotos: Daniel Chiacos e Caio Gallucci
00:00 · 19.05.2017 por Diego Benevides - Repórter

Depois de estrear em novembro do ano passado, viajar pelo Sul do Brasil e ficar em cartaz durante quatro meses em São Paulo, o espetáculo "God" vem ao Nordeste pela primeira vez. Em cena, Miguel Falabella interpreta Deus.

A peça é inspirada em "An Act of God", do premiado David Javerbaum, sucesso da Broadway. Desde que viu a versão original em Nova York, Falabella ficou interessado em adaptar para o Brasil.

Há dois anos, o ator também assistiu à versão portuguesa da trama, sempre tentando colher o que há de melhor em cada uma delas para fazer a sua, sem abrir mão de seu conhecido bom humor.

"A peça original é um pouco mais longa. Miguel fez uma adaptação não só para o (contexto) brasileiro, mas também para ter um tamanho ideal de uma comédia nacional. Ele deu mais ritmo à obra e ele sabe fazer isso como ninguém", elogia Fernanda Chamma, codiretora de "God" e responsável pelo trabalho corporal do elenco.

A trama da peça mostra a vinda de Deus à Terra. Cansado dos Dez Mandamentos e de toda a incerteza que eles vêm gerando à humanidade, o criador propõe novas leis e esclarece qualquer mal-entendido a seu respeito. Fernanda garante que o texto não exclui religiões, justamente por tentar universalizar as questões humanas de forma divertida.

Além de Falabella, "God" também traz os atores Magno Bandarz e Elder Gattely que interpretam seus dois arcanjos dedicados, Miguel e Gabriel, respectivamente.

Eles respondem a algumas das questões mais profundas que têm atormentado a humanidade desde a criação, de uma forma particular e que mistura humor com críticas sociais bastante atuais.

"O espetáculo é super atual e tem um texto super inteligente. Ele vai falar um pouco sobre política, de como o ser humano tratou o universo com assuntos que vão desde a camada de ozônio até o quanto convocam Deus para tudo em coisas banais", acrescenta.

Sátira

A codiretora, que trabalha com Falabella há cerca de 10 anos, conta que a perspicácia do texto é o principal trunfo da versão brasileira.

"Como ele (Miguel Falabella) é muito inteligente, a obra e o texto são muito bem elaborados. (O espetáculo) vai ser atual hoje e daqui a 10, 20, 30 anos. E ele pontua exatamente o momento em que o País se encontra. A gente fala de Brasília e cita algumas situação politicas que podem variar, mas o enredo segue um caminho inteligente do ser humano".

Dupla

Repetir a parceria com Falabella é sempre um desafio instigante para Fernanda. Especialmente em "God", a diretora focou no trabalho corporal dos dois anjos.

"Foi pesado porque eles são atores, não são bailarinos. E não é dança, é um trabalho de tornar o corpo angelical. Eu me inspirei muito nas imagens de anjos em livros, da postura de pés, pernas, troncos, braços, quebras de cabeças. Eu peguei desenhos de anjos de vários livros e fomos reproduzido nos corpos", explica.

O comportamento de Deus e dos anjos no palco se misturam ao cenário criado por Marco Pacheco, que investe na atmosfera celestial, com inspiração nos deuses gregos e presença de elementos como o mármore branco e as colunas jônicas.

"Nesse espetáculo só fiz o trabalho do corpo dos anjos, que não tem fora do Brasil. Quando a pessoa está dirigindo e está em cena, ela gosta de uma opinião de fora. Eu já conheço, ele é assim. Inclusive na manutenção do espetáculo eu assisto algumas sessões para ver se está tudo em ordem, se as novas ideias estão amarradas, se os anjos estão acompanhando o raciocínio porque ele é muito rápido. Foi uma troca. Quem eu sou para dirigir Miguel Falabella?", questiona.

"'God' torna as pessoas pensantes. É entregue um conteúdo bacana, sem apelação, bem costurado. A gente sai renovado", finaliza.

Mais informações

God

Sexta (19) e sábado (20), às 21h, no Teatro RioMar Fortaleza (Rua Desembargador Lauro Nogueira, 1500, Papicu). Ingresso: R$180 (inteira) e R$90 (meia) na plateia baixa A; R$150 (inteira) e R$75 (meia) na plateia baixa B, e R$50 (inteira) e R$25 (meia) na plateia alta. (3244.2688)

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