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01:30 · 13.12.2012
Começa a jornada

Peter Jackson retorna à Terra Média com o longa "O Hobbit - Uma Jornada Inesperada". Um presentão para os fãs de J.R.R. Tolkien

Martin freeman é Bilbo Bolseiro na nova sequência. O cineasta Peter Jackson deu ao primeiro longa da série "O Hobbit" doses extras de humor e aventura Foto: Divulgação

Parece que foi ontem, mas já faz 11 anos que o primeiro filme da trilogia "O Senhor dos Anéis" chegou aos cinemas. O mundo mágico e meticulosamente criado por J.R.R. Tolkien recebia finalmente o reconhecimento merecido.

Após "O Retorno do Rei" (2003), último longa da série, os milhares de fãs ficaram aguardando, ansiosamente, cada novidade de Peter Jackson. Demorou, mas valeu a pena esperar. Quem já viu "O Hobbit - Uma Jornada Inesperada" se derrama em elogios. O longa é o primeiro de uma nova trilogia, que traz ainda "O Hobbit - A Desolação de Smaug" e "O Hobbit - Lá e de Volta Outra Vez", cujos lançamentos estão previstos para dezembro de 2013 e julho de 2014, respectivamente.

Trama

Seis décadas antes do início da saga "O Senhor dos Anéis", Bilbo Bolseiro (Martin Freeman) está no auge da juventude de um hobbit (lembrando que os representantes dessa espécie atingem a maioridade apenas aos 33!). Ele não tem o que se preocupar e leva uma vida pacata.

O Hobbit estreia nos cinemas



Bilbo, que também é tio de Frodo (Elijah Wood), nem imagina que tudo vai mudar após um convite feito por Gandalf (Ian McKellen): partir com o mago e um grupo de anões numa jornada desafiadora. Eles buscam recuperar o tesouro dos anões que fora roubado pelo dragão Smaug.

No caminho, porém, o Bolseiro se depara com o anel do poder na caverna de Gollum (Andy Serkis), objeto que, segundo a história que todos já conhecem, passa a venerar e guardar bem escondido até resolver passá-lo para o sobrinho. Mas aí, já entramos em "O Senhor dos Anéis"...

Tecnicamente, não há do que reclamar do filme. Jackson basicamente desenvolveu versões 2.0 de todos os efeitos especiais que inventou para a primeira trilogia. O sistema que cria exércitos com movimentação aleatória, para preencher grandes campos de batalha sem a necessidade de figurantes, está inacreditável.

Basicamente, é possível acompanhar - com o auxílio da alta definição - qualquer personagem na tela e ver pequenas histórias se desenvolvendo em meio a milhares de embates.

As criaturas também atingiram um nível de perfeição impressionante. Os três trolls chegam a ser nojentos de verdade, enquanto as espécies wargs, goblins e orcs nunca estiveram tão fisicamente presentes. Sem falar em Gollum, que retoma sua coroa de melhor personagem 3D já criado, com um modelo mais detalhado e capaz de mais nuances de expressão. Igualmente incríveis são os cenários da Terra Média como Valfenda e Erebor, que encantam ao colorir a telona do cinema.

O poder do anel

Em entrevista imperdível, o ator Martin Freeman fala sobre o desafio de dar vida ao personagem Bilbo Bolseiro, o protagonista de "O Hobbit - Uma jornada inesperada"

Peter Jackson adiou o início das filmagens de "O Hobbit" para não perder Martin Freeman. O ator já havia se comprometido com as gravações de "Sherlock", série da BBC fotos: divulgação

Um dos filmes mais aguardados deste ano, "O Hobbit - Uma Jornada Inesperada", estreia na madrugada de hoje para amanhã nos cinemas. A obra conta uma história que se passa 60 anos antes da trilogia "O Senhor dos Anéis".

No enredo, o mago Gandalf (Ian McKellen) e 13 anões da companhia recorrem ao hobbit Bilbo Bolseiro (Martin Freeman) para uma aventura até a Montanha Solitária, local onde estão os pertences roubados pelo dragão Smaug. No caminho, entretanto, Bilbo acaba encontrando o famoso e tentador anel do poder.

Antes de correr para o cinema para conferir a nova investida do diretor Peter Jackson, adaptação do livro de J.R.R. Tolkien, confiram a entrevista que conseguimos, o qual Martin Freeman conta tudo sobre o personagem Bilbo Bolseiro.

Quando começaram os rumores de que Bilbo Bolseiro seria vivido por você?

Primeiro, preciso dizer que acho que pensaram em mim para viver o Bilbo porque tenho um rosto estranho. Não que isso seja algo legal de se pensar de alguém, se você tiver em mente que os hobbits não são bem aparentados (risos). Há alguns anos, topei com Andy Serkis (ator que interpreta o Gollum) no Soho (bairro de Nova York) e ele me disse: "alguém já falou com você sobre o papel do Bilbo"? E respondi: "Na verdade, não. Por enquanto são apenas rumores". E ele falou: "Acho que eles vão ou eles deveriam". Mas não ocorreu nada pra valer até por volta de fevereiro de 2010. Me disseram que os produtores não tinham pensado em ninguém além de mim para viver Bilbo Bolseiro.

Bilbo Bolseiro larga a vida acomodada do Condado nesse primeiro filme da trilogia "O Hobbit"

Como começou o processo de criação do Bilbo? Você se baseou no livro?

Não. Eu li o livro durante o filme. E depois não me debrucei mais sobre ele. Eu só comecei a me focar no Bilbo quando fui para Nova Zelândia. Primeiro, trabalhei nele fisicamente. Ele tem pés longos, que dão a postura ao hobbit. Tive que construir a maneira dele de se ver, olhar o mundo, mover a cabeça e os ombros. E descobri que os hobbits não são muito diferentes de nós. Eles são os mais humanos das espécies. São mais familiares do que os elfos, orcs ou os anões.

Você se inspirou em Ian Holm´s (ator que interpreta Bilbo mais velho)?

Sim, com certeza. Mas não quis me preocupar em ficar vendo a interpretação de Ian Holm antes de cada gravação. Assisti às cenas dele algumas vezes, pra pegar algumas dicas. Não queria que a referência ao trabalho do Ian ficasse na parte principal da minha interpretação, mas em algum lugar, de uma maneira indireta, sem deixar, no entanto, de ser atuante.

O vestuário e os pés de Hobbit eram confortáveis?

Comparado com o dos anões, era tudo muito confortável! Usei próteses e ternos grandes e largos. E tive menos dificuldades do que muitos do elenco na hora da maquiagem. Eu colocava a peruca, orelhas e pés. Depois, era a hora da maquiagem composta por camada de sujeira endurecida, sangue, feridas e cicatrizes.

Sua primeira cena foi "Riddles in the Dark" (algo como "Enigma no Escuro"), com Andy Serkis, que é considerada o momento principal de todos os seis filmes, quando Bilbo se perde na caverna, encontra Gollum e encontra o anel do poder. É uma maravilhosa maneira de se começar, certo?

É adorável, realmente, e foi muito bom começar assim. Algumas pessoas me perguntaram se eu queria começar em algum momento mais calmo, mas é mais divertido iniciar por uma cena agitada.

Em "O Hobbit", você compartilha muitas cenas com os anões. Grande parte do humor vem deles, mas posso dizer que também das cenas de conflito?

Há conflito, acredito, sobre que espécie de pessoas eles são e que tipo de pessoa eu sou. Eles são guerreiros e rudes, grosseiros e, pelos padrões do Bilbo, são sujos e ignorantes - mas nem todos são assim. O bom sobre eles é que cada um tem uma personalidade diferente; não é apenas uma multidão de anões.

E sobre o tema do filme? Se "O Senhor dos Anéis" tratava da luta universal do bem contra o mal, "O Hobbit" seria então uma história mais pessoal sobre Bilbo?

Sim. Para Bilbo, trata-se de uma decisão difícil sair de sua zona de conforto. Na verdade, esta é a grande problemática dos dias de hoje. E o que o Bilbo descobre em sua jornada é que o que vai realmente enriquecê-lo não são as coisas materiais que ele leva com ele. Não adianta ele ter todos os livros e mapas e nunca ter estado em nenhum lugar. É o que o Gandalf (papel do ator Ian McKellen) diz pra ele em certo momento: "O mundo está lá fora. Não em seus mapas". O que eu acredito ser uma boa lição de moral.

Ele (Bilbo) é muito parecido com o Tolkien, que nunca viajava muito também?

Sim, eu penso assim. É o que parece ser. Tolkien era muito parecido com um hobbit.

Encontro de fãs

Tolkien Day

Para os fãs de J.R.R. Tolkien, acontece na livraria Saraiva MegaStore (Iguatemi) um dia dedicado às obras do autor, com ênfase em "O Hobbit", primeiro filme da nova trilogia dirigida por Peter Jackson. O encontro é domingo, dia 16, das 14h às 21h.

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