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Puxa o Fole: parabéns antecipado

00:00 · 08.09.2018 / atualizado às 20:28 · 14.09.2018
Além de músico, Waldonys é piloto e paraquedista. Com acordeon em mãos, cearense une as duas paixões durante as apresentações pelo País Artista completa 46 anos no dia14 de setembro ( Foto: JL Rosa )
Alegre e empolgado na prosa na redação do Diário do Nordeste, Waldonys convida o público a prestigiar o show ( Foto: Saulo Roberto )

Waldonys festeja aniversário com show no Teatro RioMar, na próxima semana. Em entrevista, músico dá detalhes da apresentação, fala sobre referências musicais e relembra experiência nos Estados Unidos

Um dia antes de comemorar o aniversário de 46 anos, Waldonys celebra sexta (14) a data especial com apresentação no Teatro RioMar Fortaleza. Para a ocasião, prepara show repleto de convidados que compartilham bons momentos na música e na vida do artista cearense.

A abertura do espetáculo contará com exibição da Camerata Unifor. A sequência do show, que deverá ter 1h30 de duração, terá também participações do paraibano Flávio José; do humorista João Cláudio Moreno; momento com Cainã Cavalcante e Eduardo Holanda, no qual espera reprisar apresentação aclamada no Festival Jazz & Blues em Guaramiranga; e ainda composição de um trio sanfonado com Adelson Viana e Nonato Lima.

"Está dando um trabalho danado", brinca o cantor, em referência à produção do show, durante bate-papo descontraído com o Puxa o Fole na redação do Diário do Nordeste. Apesar de ter delineado a sequência de repertório que irá apresentar no teatro, Waldonys conta que pode promover mudanças a qualquer momento. "Vai ter muito do meu 'feeling' na hora. Vou explorar as entrelinhas para ter molejo. Tem coisas com muito ensaio, mas quero deixar natural, se não fica muito chapado".

Além de fazer parte da comemoração de aniversário, a exibição terá teor ainda mais especial: será gravada e disponibilizada de forma fragmentada no YouTube. "Será algo diferente do meu último DVD" - Meu Ninho (2016).

A disposição do local do show encanta Waldonys. Apesar de promover som dançante, a possibilidade do público acompanhar sentado permite a melhor degustação das canções. "Adoro teatro, vislumbro meu futuro fazendo apenas shows nesses equipamentos. O público está sentado ali só para te ouvir. Não dá para beber, paquerar ou dançar. Permite também que eu converse e interaja mais com o público. Me dou muito bem com isso". O músico define a interação que mantém com a plateia como "o grande lance". Anedotas e histórias de vida serão intercaladas com as canções durante a apresentação. Prática essa herdada de Luiz Gonzaga, ícone que o apadrinhou na música.

"Modéstia à parte, o cearense sabe contar histórias de uma forma diferente. Atrelo isso ao seu Luiz Gonzaga, que além do artista, era grande humorista. Contava causos na métrica das músicas. Ele andava muito pelo Cariri, pegou essa veia do nosso Ceará. Fiz shows com ele e presenciei. Estávamos cantando e o povo começava a gritar: 'seu Luiz, uma lerinha, por favor!'", relembra. "Tenho essa referência, mas trago para minha história, para tudo que vi e vivi".

Com inspiração em Dominguinhos, Jackson do Pandeiro, Trio Nordestino e, claro, Luiz Gonzaga, Waldonys finca raízes na cultura nordestina e no forró no qual o acordeon é o centro das atenções. Dentre álbuns da discografia, "Aprendi com Rei", "Viva Gonzagão" e "Coração da Sanfona" exemplificam bem o apreço por esses artistas e pela essência regional.

"Nasci e me criei ouvindo eles. Isso já veio no berço, junto com o mingau. Entrou na minha cabeça de um jeito que, quando virei adolescente, não tinha como fugir disso. Era o que eu ouvia. Tive sorte de conhecer o seu Luiz e posteriormente viajar, gravar e tocar com ele".

Mercado voraz

O cantor afirma que, em meio a um mercado altamente competitivo e com músicas voláteis, busca se adaptar ao novo cenário, mas sem se desprender dos pilares que construíram a própria carreira.

"Hoje a música vem se transformando e mudando os estilos. Busco o equilíbrio para não ficar estático, mas não saio da raiz. É um trabalho difícil, os anos vão passando e temos que nos reinventar com o pé na influência. O mercado é comercial e o comercial é muito voraz. O cara faz música hoje e já está de olho na semana que vem. Nós temos que pensar até que ponto isso é legal. Para mim, graças a Deus veio essa história do avião, que não consigo desvincular da música", cita como diferencial.

Somando mais de 30 anos de carreira, o músico conta que sente "prazer em ter um público constante, fiel, que cada vez mais está ligado à minha história". E ele credita isso à naturalidade com que conduz a trajetória. "Tento ser eu, deixo fluir. Não podemos tentar ser alguém que não somos. Devemos imprimir nós mesmos no que fazemos", pontua Waldonys.

A experiência adquirida foi reforçada ainda cedo, no exterior. No fim da década de 1980, ainda menor de idade, aos 17 anos, seguiu para os Estados Unidos. Após ser observado em participações no programa Som Brasil (Globo), foi convidado pelo empresário italiano Franco Fontana para fazer shows na terra do Tio Sam. Por lá, cantava de quinta a domingo.

"Foi fortalecedor, amadureci bastante. Fiquei calejado musicalmente e pessoalmente. Aprendi a me virar sozinho, aprendi com a vida". Mas a saudade da volumosa família bateu. Sem os recursos atuais, o contato com os parentes no Brasil acontecia apenas aos domingos, com rápida ligação proporcionada por uma moeda de 25 'cents'.

Pediu para retornar. Teve proposta de aumento de cachê. Recusou. Ganhou passagem de ida e volta do empresário, mesmo após avisar que poderia não voltar aos EUA. Contratado pela gravadora brasileira RGE, preferiu ficar no país de origem. Deixou por lá 50% dos cachês dos shows, metade que só receberia após o fim da temporada de apresentações. Apesar dos contratempos, Waldonys faz boa avaliação da experiência: "se tivesse ficado aqui, talvez teria sido muito mamão com açúcar".

Mais informações:

Waldonys e convidados

13 de setembro (quinta), às 20h, no Teatro RioMar Fortaleza (Rua Lauro Nogueira, 1500, Papicu). Ingressos de R$ 40 a R$ 100. (3066.2000).

Solange produz novo EP

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Os fãs de Solange Almeida já podem se preparar para atualizar a playlist dos aplicativos de streaming. A cantora prepara EP com oito composições inéditas. Nesta semana, com direito a evento no Porto das Dunas, ela lançou a canção "Terra do Ex". A composição é assinada por Kaleb Junior, Felipe Amorim e Caio Sanfoneiro.

"Hoje, administro minha carreira. Tenho buscado composições de todos os gêneros: as dançantes, as empoderadas e as que falam de amor. Não tem mais um estilo único. Estou procurando letras que chamem atenção. Essa que já lancei chamou bastante, pois é um estilo de música que sempre gostei de cantar. Fala da mulher que supera obstáculos, não aceita pouca coisa e que quando ela decide não volta atrás", explica Sol ao Puxa o Fole.

A vocalista conta que o novo álbum promete uma linguagem nova. "Vamos trazer assuntos nunca feitos por ninguém. Cantei com uma linguagem diferente, algo mais jovem. Já tenho um público de 18 a 35 anos, mas quero atingir a turma jovem. Os de 15 a 16 anos estão indo mais aos meus shows. Isso me chamou atenção e tenho tentado trabalhar nisso. Busco algo moderno sem fugir do forró".

Em conversa com a Coluna, Solange avalia ainda que os compositores locais precisam ser mais trabalhados nas próprias regiões de origem. "Eu vi várias pessoas indo embora. Vinícius Poeta, por exemplo. Cheguei a mostrar muitas composições dele. Ninguém gravava. Até que um dia, ele começou a estourar com grandes nomes, como Marília Mendonça", pontua a baiana. "Depois ninguém mais segurou ele. Vinícius precisou ir para fora para poder aparecer. Essa realidade não é só daqui do estado do Ceará", completa.

Congresso sertanejo em SP

Compositores, produtores, divulgadores e outros profissionais do universo sertanejo ministrarão palestras e workshops no Exponeja, que acontece nos dias 17 e 18 de outubro, em São Paulo. O objetivo é trocar conhecimento e informação, além de promover networking e relações comerciais.

Simone curte folga no México

Após participar da gravação de DVD do cantor gospel Davi Sacer, Simone, da dupla com a irmã Simaria, curte dias de folga no México com o marido. O casal escolheu Tulum para descansar, um sítio arqueológico correspondente a uma antiga cidade maia muralhada, na costa do Mar do Caribe.

Gabriel Diniz em gravações

O cantor paraibano Gabriel Diniz gravou, no Rio de Janeiro, clipe da música "Jennifer" com participações da ex-BBB Aline Gotschalg e da atriz Mariana Xavier. O lançamento nas plataformas digitais está previsto ainda para este mês. O roteiro é assinado por Izabel Carvalho e a direção é de Bruno Fioravanti.

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