COLUNA

Puxa o Fole: No esquecimento

00:00 · 04.11.2017
Com 25 anos de carreira, o forrozeiro lamenta a falta de casas de forró e o avanço do sertanejo em Fortaleza. Binha conta que o genero passa por uma má gestão ( Foto: Thiago Gadelha )
Na Capital cearense, Binha Cardoso relembra sucesso do Forró do Muído ( Foto: Thiago Gadelha )

Longe dos grandes palcos, o cantor Binha Cardoso, aos 47 anos, declara ao Puxa o Fole que caiu no esquecimento do forró, depois do fim do trio com as irmãs Simone e Simaria. O forrozeiro, que cantava para plateias de 30 a 40 mil pessoas, atualmente, canta para o público de bares e restaurantes. O dinheiro que conseguiu ainda no Forró do Muído foi usado em prol da saúde da mãe, que faleceu em 2013.

Ao lado do filho baterista, de um sanfoneiro e da cantora Ana Santos, o vocalista segue a vida com o grupo Xote Show. De forma dura, ele avalia que está havendo a "prostituição do forró" em Fortaleza.

"Bandas que nem a minha vão se acabar. Não existe mais preço. Um amigo muito famoso foi numa casa, que não vou falar o nome da dona, pediu para cantar. Ela pediu que ele levasse o som, a iluminação e ele tocaria por quatro horas em troca de R$ 450 reais. Pelo amor de Deus! Ele está se prostituído. Ele conseguiria o mesmo valor botando uma banca na esquina de qualquer rua", avalia Binha Cardoso.

Fora dos holofotes da grande mídia, Binha se diz sozinho, sem empresários, mas dono de si. "Eu estou um pouco esquecido pela mídia. Hoje eu vivo do meu nome, mas estou recomeçando. Eu tenho que pegar uma empresa, um empresário ou um sócio investidor para que a gente chegue onde eu já alcancei. Então, eu estou só".

Apoiado em Deus e da mídia das redes sociais, o forrozeiro conta que as apresentações que ele realiza atualmente se concentram em Fortaleza. "Tem noite que eu toco em quatro shows, mas casa de show em Fortaleza acabou. Agora é boteco e barzinho. Vou pelo interior do Ceará fazer aqui e acolá uma festinha legal, mas fora do Estado não estou tocando", revela o cantor.

Saudade

Viagens, luxo e o carinho dos fãs. No começo dos anos 2000, o sucesso deu tudo a Binha por meio do trabalho no Forró do Muído. De tudo o que restou foi a saudade.

"Eu amo viajar. Eu conheço mais de 20 estados do Brasil. Não é conhecer de só chegar lá não. É de praticamente morar. A gente vivia no Norte todo. Rodamos São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Eu vejo muita gente que era forrozeiro e hoje fala mal do forró. Coitado de mim e da minha família se não fosse o forró", avalia o vocalista.

Assista entrevista na TV DN e veja mais do nosso bate-papo com Binha Cardoso

Incisivo, Binha critica o mercado e diz que existe uma má gestão de empresários do gênero. "O forró hoje está em mãos erradas. O problema é só esse". Para ele, os produtores estão visando o lucro. Agora, por meio do sertanejo.

Sobre a entrada do ritmo goiano no Ceará, Binha diz apoiar, mas que o gênero é cercado por regras. "Eu acho bonito esse ritmo que entrou aqui, mas tem as políticas próprias lá de Goiânia. Ninguém vê uma banda de forró entrar lá. Aviões e Safadão entraram porque já estão bem sertanejo, mas um forrozeiro que nem eu não entra", diz.

Por onde se apresenta em Fortaleza, o cantor leva o som de Dominguinhos e Luiz Gonzaga, mas por pedidos do público canta o gênero goiano. "A metade do meu show é sertanejo. Se eu não tocar quando eu terminar o dono da casa vem me reclamar porque eu não toquei. O forró está esquecido. Aqui pertinho de nós, no Rio Grande do Norte, o forró está com força, mas aqui no Ceará não".

Trio

Ao lado das irmãs Simone e Simaria, o forrozeiro rodou o País por cerca de oito anos. Por meio da IR CDs, foi montada a banda com Binha. Nove meses depois, a dupla entrou no grupo e logo gravou o sucesso "Deletando o amor". "Daí estourou da noite para o dia. Eu nem acreditei. Aconteceu tão rápido, quando eu vi a banda estava estourada tocando para mais de 100 mil pessoas. Botamos 1,2 milhão de pessoas no Aterro da Praia de Iracema. Depois fizemos um Réveillon que só perdemos para o Rio de Janeiro. Era um projeto que, se os empresários tivessem cabeça, não tinham deixado se acabar", conta.

Segundo Binha, a falta de perspectivas de crescimento na produtora dificultou o caminhar do trio. "As meninas ficaram chateadas, porque a banda dava pra chegar mais longe, mas dentro da empresa tratavam elas para não andar. Hoje, elas tem o próprio projeto. Estão onde elas queriam alcançar com o Forró do Muído.

O último contato que teve com umas das irmãs foi com Simone, no bar em que ele era proprietário no bairro João XXIII, em Fortaleza. "Estava em casa quando vi Simone sozinha. Lá onde eu moro, no subúrbio. Perguntei o que ela queria, agora estourada na mídia nacional, no mundo todo a conhecem, uma cantora hoje milionária. Ela apenas disse que queria me ver. Estava indo para Goiânia. Passou lá e comeu espetinho. Ela adorava ir na minha casa almoçar", relembra Binha.

O forrozeiro conta que antes da chegada de Simone e Simaria no Forró do Muído ele era um "cantor pé rachado, usando cinto com fivela e bota no meio da canela. "Nós brigamos. Teve arranca rabo grande. Eu não aceitava. Eu era grosso e ignorante e as meninas me mudaram para o meu bem. Eu tenho certeza que elas gostam muito de mim e eu amo as meninas. Fico feliz por ver elas tão bem. Inveja não sinto. Sou trabalhador, tenho fé em Deus", afirma.

Encontro nacional

Image-0-Artigo-2319683-1

Em prol do forró, músicos de várias regiões do País vão se reunir no I Encontro Nacional de Forrozeiros. O evento tem como sede João Pessoa (PB) e ocorre de 20 a 22 de novembro. Realizado pelo Fórum Forró de Raiz, Governo do Estado da Paraíba e pela Universidade Federal da Paraíba, o encontro propõe a reflexão e ações de resistência cultural.

Diferente de Fortaleza

Image-1-Artigo-2319683-1

Na segunda passagem pela capital carioca, o VillaMix Festival desembarca no Rio de Janeiro, dia 19 de novembro. Traz o cantor J Balvin. As edições de São Paulo e Goiânia já receberam nomes do exterior. Pelo visto, só Fortaleza não vai trazer gringos para o evento.

Iohannes é novo papai do forró

O forrozeiro Iohannes vai se tornar pai de um menino. A mamãe Brena Beinar está com quatro meses de gestação. O nome do pequeno já foi escolhido: Vittório Mael. "Estamos contando os dias para ele vir ao mundo e completar nossa felicidade", comentou o cantor.

Passagem vapt vupt por banda

Durou pouco a participação do cabeludo Gil Lima na banda Gatinha Manhosa. O cantor emitiu um comunicado informando a saída grupo, na qual permaneceu apenas quatro meses. O vocalista tem voz semelhante ao do companheiro de profissão Berg Rabelo.

Últimos Artigos

© Todos os direitos reservados. O conteúdo não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização. Passível ação judicial.