Coluna

Puxa o Fole: feliz sem forró

00:00 · 14.10.2017
A família foi fator crucial para a decisão de Berg Rabelo de deixar os palcos. Hoje com 38 anos, cantor sobrevive de outras fontes de renda

Berg Rabelo deixou os palcos há cinco anos para ficar próximo à família. A aposentadoria veio aos 33, quatro anos antes do programado. O ex-cantor afirma ao Puxa o Fole que não sente saudades da época de shows e conta que não tem pretensão de voltar ao ramo.

Hoje, Berg atua nos setores da construção civil e de eventos infantis, em Recife. A avaliação do que o gênero se transformou nesta década é dura: "nem forró é".

Leia a seguir um pingue-pongue com Zildemberg de Sousa Rabelo, cearense de Pacoti, na Serra de Baturité, que comandou as bandas Chapéu de Palha, Forró Siriguela, Caviar com Rapadura, Calcinha Preta, Gatinha Manhosa e, por último, Anjo Azul.

Com o que você trabalha atualmente?

Encerrei a carreira, praticamente. Faz cinco anos, não sei ao certo. A última banda foi a Anjo Azul. Resolvi parar e me dedicar ao meu filho e família. Hoje atuo na área mobiliaria. Também tenho uma casa de eventos infantis em Recife, a Brincalhando. Na área da construção civil também. Estou fora do forró.

O que fez você abandonar a carreira musical?

O que me levou a sair foi a justamente a falta de tempo para a família. Comecei cedo aos 14 anos. Viajei demais. Todas as bandas me deram bastante trabalho. Pretendia me aposentar aos 37 e fiz isso aos 33. Não me via com 40 anos viajando. O lado ruim é a estrada. O momento de show é bom. Sinceramente, não sinto saudade. Em alguns momentos, quando vejo vídeos, me bate uma nostalgia. Mas foi bom enquanto durou.

Como você avalia os novos representantes do forró?

Eu acho que nem forró é. O Aviões ainda leva uma batida. Mas tem muitos deles que levam muito o sertanejo e foge do que fazíamos. Tem esse lance de ostentação. Hoje está menos ruim em relação a denegrir a imagem da mulher, a cachaça e a cabaré. Estavam pautando muito isso há uns três anos. Sinceramente não acompanhado mais. Tenho visto muito o sucesso de Wesley Safadão, pois é meu amigo desde Fortaleza. Ele está com outro padrão. Tem região, como no Sul, que chama ele de sertanejo. Então, fico meio dividido. Temos que aplaudir, pois ele tem na raiz o forró e ainda canta, mas não me identifico musicalmente com nenhum.

E o mercado do gênero na atualidade?

Pouca gente apareceu de cinco anos para cá do movimento do forró. Creio que nosso movimento está limitado. Perdeu espaço para outros ritmos. A desunião também é recorrente. Estamos em um momento ruim. Eles têm um trabalho de divulgação muito bom. Antes, tínhamos várias bandas que tinham músicas marcantes com Calcinha Preta, Limão com Mel, Cavaleiros do Forró, Magníficos e Gatinha Manhosa. Conseguiam ouvir várias bandas tocando ao mesmo tempo. Hoje se resume a Wesley e Aviões. Ainda destaco nesse movimento o Wesley Safadão.

O que o forró lhe deu de mais valioso?

Ganhei estabilidade financeira. Conheci o Brasil inteiro. Cantei para milhares de pessoas. Me deu reconhecimento. Hoje, por onde ando, as pessoas lembram de mim, principalmente o pessoal do "forró das antigas". Apesar de ter cortado o cabelo, quem conhece forró "das antigas", me reconhece.

E o que ocorreu de mais triste nesse período?

Foi a época em que o forró só falava em duplo sentido, música de baixo calão relacionada a cachaça e a cabaré. Hoje vejo diferente. Está voltado para a ostentação.

Existe perspectiva de retorno ao forró?

Eu não tenho pretensão, sinceramente. É uma vida muito corrida e cansativa a vida de músico e de banda na estrada. Eu estou feliz com a nova vida que levo.

Você apoiaria a carreira de músico na família?

Tenho um filho de cinco anos. Apoiaria se ele quisesse seguir esse mesmo caminho. Mas também não deixaria ele seguir uma carreira só de música. É interessante ter um segundo plano.

White renovado 

Safadão

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Evento agitou a véspera do Dia da Criança na Capital (Foto: JL Rosa)

Começou com público tímido quando o cantor Nego do Borel subiu ao palco montado no Hotel Marina Park, na quarta (11), para a 5ª edição do Garota White Fortaleza. Mas, quando a atração principal, Wesley Safadão chegou, cerca de 10 mil pessoas lotaram o espaço reservado para o artista.

O projeto veio com mudança neste ano. O palco 360º deu lugar à estrutura tradicional. Quanto ao público, continua sendo trabalhado com carga de ingressos que varia de 10 a 12 mil pessoas, diferente do formato Garota Vip, que chega a números quatro vezes maiores que este.

Em entrevista ao Puxa o Fole no camarim do evento, Wesley afirma que a ideia é levar o novo modelo White por todo o País em turnê no próximo ano.

"Nós somos de Fortaleza e as coisas acontecem aqui. A gente faz o formato na cidade, coloca ele na mesa e analisa todos os pontos. E as mudanças que surgiram foram para melhor", pontua o artista, relembrando do início do projeto, que também teve o Marina como cenário.

Além de exibir a nova formatação do Garota White, a apresentação na véspera de feriado também seria gravada para ser disponibilizada como novo repertório da banda. Mas o registro do show foi impossibilitado por problemas técnicos.

O forrozeiro retorna ao hotel no dia 31 de dezembro, para a tradicional festa de Réveillon. "Há quatro anos eu queria fazer esse show lá", diz o cantor, ansioso. A virada contará também com o agito de Maiara e Maraisa.

Show irregular no CE

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A Prefeitura de Itarema (CE) atendeu recomendação do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) e cancelou o show do Luan Santana agendado para o dia 3 de novembro, dentro do"Itafest". Dentre as irregularidades, documentos do processo do setor de compras, contabilidade, assessoria jurídica e de licitação estavam em brancos. (Foto: JL Rosa)

Italo e Renno em comemoração

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A dupla sobe ao palco do Complexo Food and Music, parque gastronômico no Parque Manibura, no dia 11, para comemorar o aniversário de um ano do estabelecimento. Além da dupla, a banda Cuscuz com Ovo também se apresenta. (Foto: Fernanda Siebra)

DJ no meio de forrozeiros

Há dois meses na Luan Promoções e Eventos, o DJ pernambucano José Pinteiro vem realizando apresentações junto do cantor Wesley Safadão. Ele conta que é preciso fazer um setlist diferente, pois o público do Nordeste tem gosto musical contrário ao do Sul e Sudeste.

Social Music não confirma Demi

Uma arte divulgada nas redes sociais traz o anúncio do show da cantora americana Demi Lovato no Villamix 2017 em Fortaleza. Em contato com a produtora de eventos, a assessoria informou que não está agendado nenhum show da artista na Capital cearense.

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