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Puxa o Fole — Assisão: História viva

00:00 · 02.12.2017 / atualizado às 01:04

Os números de Francisco de Assis Nogueira são impressionantes, e renderam o título de "Mestre" ao cantor. A carreira teve início em 1962, com a gravação do compacto gravado na indústria de LP´s Rozenblit, com quatro canções próprias, quando participava do grupo Azes do Baião. Nos anos 70, com a ascensão nacional, Assis se tornava Assisão.

Hoje, o forrozeiro soma mais de 800 composições nos 55 anos de música profissional. Aos 75 anos, mesmo reconhecendo que o auge já ficou para trás, o artista continua na ativa e afirma ser "mais cortejado do que naquela época".

Em conversa com o Puxa o Fole durante o primeiro Encontro Nacional de Forrozeiros, realizado mês passado em João Pessoa, Assisão conta que muitos jovens o param nas ruas para tirar foto, e que reconhecem o trabalho, seja pelas composições ou pela reação que o cantor teve com os pais da nova geração.

"Minhas composições agregam os jovens de ontem, de hoje e de amanhã. Hoje, nos meus shows, eles pedem músicas que eu criei 50 anos atrás".

Entre as letras, Assisão destaca "Pau nas Coisas", "Forró Ferruado", "Peixe Piaba", "Fogueirinha", "Alanbique de Barro" e "Pequenininha". Só esta última teve mais de 250 regravações no País. E para nossa sorte, o pernambucano citou as músicas cantarolando trechos de cada uma delas durante a entrevista. "Uso as coisas naturais nas músicas, como árvores e passarinhos. Também falo da mulher com amor sincero", comenta.

Pioneiro

Assisão afirma ser o primeiro na cena forrozeira que acrescentou os elementos que tanto vemos hoje no "novo forró". "Os artistas de hoje se espelham no meu trabalho. Fui o primeiro a colocar a bateria e o contrabaixo eletrônicos, a cuíca e a guitarra ", diz.

"Agreguei diversos alimentos, mas nunca saí da essência do forró, tanto na letra quanto no ritmo", completa. A diversidade de instrumentos foi contemplada ainda na década de 1980.

Ditadura Militar

Matuto de Serra Talhada, mesmo sertão do cangaceiro Lampião, Assisão chegou a ser detido durante o Golpe de Estado de 1964. O cantor foi abordado durante show em São Paulo, e questionado sobre o possível duplo sentido da canção "Ponto de Vista".

A detenção não durou mais que um dia. Os agentes, na época, não enxergaram um novo Geraldo Vandré nas obras de Assis. Na época, apesar de ter saído bem do episódio, o artista teve canções censuradas pela editora com quem tinha contrato.

Decisão

A história construída por ele poderia ter tomado rumo diferente. Pesou a decisão de desistir do curso de Medicina, pretensão da família.

O pai chegou a pagar estudos em Recife, para a preparação para o vestibular. Mas o forró veio à tona. Que bom para os amantes do gênero, que foram presenteados com hinos junto à geração de ouro, que conta ainda com Jorge Altinho, Alcimar Monteiro, Flávio José e Novinho da PB.

Parceria forrozeira

Depois do início dos "Fenômenos do Forró", iniciado por Batista Lima, Kátia Cilene e Walkyria Santos, novas bandas anunciaram projetos juntos. Limão com Mel, Malla 100 Alça e Calcinha Preta reviverão shows no projeto "Viva Forró Festival".

Preservação ao meio ambiente

Quem for às próximas edições das festas Garota Vip e Garota White não vai encontrar copos descartáveis. As festas do cantor Wesley Safadão vão ter copos ecológicos com custo de R$ 10. No final do evento, o fã pode receber o dinheiro de volta devolvendo o copo.

DVD: dupla sertaneja vai ao Texas

Os sertanejos Bruno e Baretto realizam um sonho da carreira. No Texas, nos Estados Unidos, a dupla gravou cenas para um novo DVD, o segundo da carreira da dupla paranaense. "A Força do Interior 2 - Road Trip in America", deve ser lançado no primeiro semestre de 2018.

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